quarta-feira, agosto 17, 2005

Jornal do Brasil - Rio de Janeiro-RJ, 16/08/2005


Estudantes e PMs entram em confronto
Movimento exige passe livre e redução de tarifas de ônibus

Manifestantes do Movimento Passe Livre (MPL) e policiais militares protagonizaram novas cenas de confronto ontem durante manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus e pelo passe livre para estudantes. O movimento - sem liderança, sem sede e sem aparente organização - reuniu cerca de 150 estudantes que saíram da W3 Sul às 16h rumo à Rodoviária do Plano Piloto. Segundo os estudantes, a confusão começou no Eixo Monumental, quando os policiais teriam os agredido gratuitamente.
- Nós estávamos fazendo uma manifestação pacífica e a polícia chegou agredindo, acelerando motos em cima da gente e rasgando nossos cartazes - conta um estudante de 18 anos que não quis se identificar.

Trinta policiais militares acompanharam a manifestação. Segundo a polícia, os estudantes teriam agredido policiais e chutado viaturas. A polícia, então, cercou os estudantes e revistou mochilas.

-Nós apreendemos pedaços de paus, pilhas e tintas que seriam usados contra os policiais. Nós acompanhamos todo o tipo de manifestação e não temos problemas, eles é que estavam exaltados - afirmou o tenente Mauríio Paniceti, que comandou a operação.

Três estudantes foram detidos, Luan Queiroz, 22 anos, João Paulo Marra, 29, e a menor J., 17 anos. Luan e João Paulo afirmaram ter sido agredidos pelos policiais.

- Nós encaminhamos os dois ao IML e o laudo deve ficar pronto em no máximo 30 dias. Vamos abrir um inquérito para investigar qualquer abuso de autoridade - afirmou o delegado Antônio Coelho, da 2ª DP.

Acusado de chutar uma viatura, Luan foi indiciado por dano ao patrimônio público, mas foi liberado no começo da noite depois de pagar fiança de R$ 300. João Paulo foi indiciado por pertubação da ordem e também foi liberado após assinar um termo de compromisso.

Rodoviária - Depois de serem revistados no Eixo Monumental, os estudantes seguiram para a Rodoviária, onde ocuparam a escada que dá acesso à plataforma superior. Aos gritos de ''polícia assassina'' e ''o povo unido jamais será vencido'', os manifestantes chamaram a atenção de quem estava no local.

- Eles estão certos em se manifestar, é o único jeito de conseguirmos alguma coisa. Espero que eles consigam, porque a passagem está muito cara - disse Maria de Lourdes, moradora de Sol Nascente.

O comerciante Raimundo Nonato, porém, não viu a manifestação com bons olhos.

- Não entendo porque esses meninos vêm para cá, ficam só atrapalhando a passagem e não vão conseguir nada - acredita.

Os estudantes prometem nova manifestação para hoje.