sexta-feira, outubro 21, 2005

Diário da Manhã - Goiânia-GO, 21/10/2005


Manifestação acaba com professor detido
Jovens protestam contra aumento da passagem para R$ 1,80 proposto pela Prefeitura

Protesto de estudantes a favor da redução do preço da passagem de ônibus no transporte coletivo urbano acabou em confusão e na prisão de um dos manifestantes. O tumulto teve início quando eles começaram a pular as catracas de uma das plataformas do Eixo Anhangüera. A Polícia Militar entrou em ação e o professor desempregado Éveri Sirac acabou preso.

A passeata começou ao meio-dia, na Catedral (Rua 10, próximo à Praça Cívica), e se estendeu até a sede do Setransp, na Rua 4 (Centro), onde foi entregue à diretoria da empresa um projeto com algumas propostas, entre elas a criação do passe livre para estudantes e desempregados.

A manifestação seguiu acompanhada de viaturas da PM sem nenhuma confusão até o Setransp. Logo depois, cerca de 60 manifestantes resolveram pular as catracas. “Não iríamos usar o transporte coletivo, era apenas um ato simbólico”, contou Éveri Sirac, que acabou preso. Segundo depoimento do policial que prendeu o manifestante, Mauro Ênio Pereira da Silva, eles estavam causando desordem e o professor era um dos que “influenciavam o motim”.

Ainda segundo o policial, o manifestante o xingou de “vagabundo”, por isso foi preso por desacato. Ele ainda contou em seu depoimento que levou chutes e pontapés. O professor, que foi preso, nega as acusações e afirma que estava apenas tentando acalmar a situação. “Entreguei a câmera que estava comigo para outra pessoa, me sentei no chão e, quando percebi, o policial já estava me puxando, me deu uma gravata e me algemou”, conta.

O manifestante foi encaminhado para o 1º Ciops, onde foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência. Segundo o delegado que cuidou do caso, Gaudêncio Marinho, a pena para desacato é de 6 meses a 2 anos, ou multa. Éveri Sirac foi ouvido pelo delegado e liberado à tarde.

Movimento – Quatro grupos fizeram parte dos manifestantes que pediam a redução da tarifa de ônibus, o passe livre e a melhoria no transporte coletivo. Dentre eles, o Movimento Passe Livre. Uma organização nacional atuante em várias cidades brasileiras. Segundo um dos seus membros, Tiago Lemos, estudante de Jornalismo, o MPL já conseguiu o Passe Livre em cidades como Cuiabá, Rio de Janeiro e Florianópolis. “Não há líderes, somos um grupo horizontal que defende um direito constitucional”, explica.

O grupo promete uma nova manifestação na Capital no próximo dia 26. Segundo eles, o aumento da tarifa de ônibus de R$ 1,50 para R$ 1,80 anunciado no último dia 11, após uma reunião na Companhia Municipal de Transportes Coletivos, foi feita sem a participação dos usuários. O grupo teme que exista um aumento da passagem feito de forma gradativa e que deve chegar a R$ 2,14.

Ontem, a reportagem do Diário da Manhã tentou manter contato até as 21 horas com a diretoria do Setransp por intermédio da Assessoria de Comunicação do órgão, mas não obteve resposta.