terça-feira, março 07, 2006

Jornal do Estado - Curitiba-PR, 07/03/2006


Greve de ônibus tumultua Centro da cidade

Os piquetes nas portas das empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana conseguiram parar praticamente todos os ônibus, pelo menos durante a manhã. A paralisação dos motoristas e cobradores fez com que o centro da cidade se tornasse um caos, principalmente nas proximidades dos terminais da Rui Barbosa e do Guadalupe. A recomendação do Bptran é que o curitibanos evite andar de carro nas regiões centrais da cidade.

Em entrevista à Rádio Banda B, na manhã desta Terça-feira, o diretor-presidente da Urbs, Paulo Afonso Schmidt, informou que o órgão já havia exigido que as empresas garantissem 50% dos ônibus em circulação, já que se trata de um serviço essencial. Representantes do Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores em Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana) informaram também na Rádio Banda B que não conseguiram garantir os 50% de ônibus em circulação, porque os donos das empresas não entregaram o esquema de circulação, com número de linhas e carros.

Schmidt também questionou as intenções da greve, já que segundo ele, o reajuste oferecido pelas empresas de ônibus aos funcionários está acima do valor da inflação e dentro da planilha de custos. Durante toda a tarde de Segunda-feira a categoria esteve reunida com os representantes do sindicato patronal negociando a reposição salarial. O Sindimoc pedia 3% de aumento real, mais a inflação medida pelo INPC bateu nos 2,71% nos últimos nove meses, além de aumento na cesta básica e outros benefícios.

Essa negociação já acontece há dois meses, sem que as partes tenham chegado a um acordo.



Há denúncias de “assembléia” comprada

Desde a semana passada o movimento do Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores em Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana) acenava para a possibilidade de deflagração de greve caso o aumento não fosse concedido. Apesar da decisão da assembléia, que não foi unânime, na Segunda-feira à noite, as informações ainda estavam atravessadas. Alguns motoristas presentes à assembléia alegavam que boa parte dos sindicalizados não estava presente, e portanto não saberiam do resultado da assembléia. Por isso contestavam a decisão de deflagrar a greve de imediato. A Rádio Banda B recebeu denúncia de que o Sindimoc teria pago R$ 10 por cada representante com direito a voto na assembléia de Segunda-feira. A informação foi prontamente negada pelo presidente do sindicato, Denílson Pires. Ele ainda afirma ter avisado à população sobre a paralisação com as 72 horas de antecedência, conforma manda a legislação.



Sindicato patronal tenta interdito proibitório na Justiça

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informou agora há pouco que para reforçar a determinação de que 50% da frota de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba retorne às ruas, vai à Justiça pedir interdito proibitório à paralisação. A alegação se fundamente na necessidade de manter o mínimo da frota em funcionamento, por se tratar de serviço essencial público. De acordo com o sindicato, a entidade tentou entrar com a mesma ação na madrugada de hoje, por volta das três horas, mas o juiz não aceitou alegando não haver prova suficiente que a greve realmente aconteceria.



Motoristas de linhas da RMC tentam furar greve

Alguns ônibus metropolitanos, que ligam Curitiba a cidades da região metropolitana, tentam circular, mas quando se aproximam do Centro da Cidade são interceptados pelos piquetes dos grevistas. De acordo com informações da BandNews FM, entre Pinhais e Curitiba, um ônibus metropolitano foi interceptado e todos os passageiros foram obrigados a descer e os os manifestantes ainda esvaziaram todos os pneus do veículo.

Segundo a rádio Banda B, os ônibus que circulam na Borda do Campo, em São José dos Pinhais, estão circulando.



Patrões, empregados e Prefeitura se reúnem às 14h

Às 14 horas, na Justiça do Trabalho, está marcada uma reunião entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc), o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) e a Urbs, numa tentativa de acordo para o impasse que gerou a paralisação do sistema. O sindicato patronal espera que a Procuradoria do Trabalho peça dissídio coletivo e a nulidade da greve pelo não cumprimento da lei que obriga metade da frota a circular.



Urbs inicia cadastramento de veículos para transporte alternativo

Veículos particulares de passageiros já estão deixando a Urbs e circulando pela cidade com o adesivo de “lotação”. Para conseguir a autorização, basta comparecer à sede do órgão, no prédio central da estação rodoferroviária, com documentação do veículo e carteira de habilitação adequada. Uma equipe de atendimento faz o cadastro e a vistoria na hora e orienta o motorista sobre o itinerário que deverá seguir. O preço máximo é de R$ 4,00.

Enquanto isso, a Urbs e a Procuradoria Geral do Município estudam meios judiciais de garantir que as empresas de ônibus disponibilizem a circulação de 50% da frota. “Vários motoristas tentaram sair, mas foram impedidos por piquetes ou tiveram os pneus esvaziados”, falou o presidente da Urbs, Paulo Schmidt.

De acordo com a Diretran, a avenida Visconde de Guarapuava e as ruas próximas às praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Tiradentes e Santos Andrade, todas no Centro da cidade, além das saídas para cidades da região metropolitana, são as regiões mais tumultuadas.

Conseguir um táxi também está difícil. Os telefones só dão ocupados e, segundo informações de atendentes, não há carros suficientes para suprir a demanda.

A recomendação da Diretran é que os vizinhos procurem carona com conhecidos para evitar mais congestionamento.