Jornal do Estado - Curitiba-PR, 27/10/2005

Saldo da manifestação foi uma porta de vidro quebrada e confronto com as polícias civil e militar
Estudantes invadem sede da Urbs
Grupo do Movimento Passe Livre diz que organizou manifestações semelhantes em outras capitais ontem
Um protesto estudantil, organizado simultaneamente em vários Estados, teve versão curitibana que se transformou em tumulto, ontem de manhã, em frente à sede da Urbs. O grupo de cerca de 200 manifestantes invadiu por alguns minutos o prédio anexo à Rodoviária e depredou uma das entradas, além de manter conflitos isolados com a polícia. A reivindicação é a concessão de passe livre a todos os estudantes — pedido que a Prefeitura se comprometeu a apreciar.
Os manifestantes se concentraram na Praça Santos Andrade e seguiram em marcha até o prédio da Urbs. A primeira tentativa de invasão, perto das 10 horas, foi contida pela Guarda Municipal. Mas os estudantes enganaram os agentes e deram a volta, acessando a entrada do setor de venda de vales-transporte. Apenas um guarda tentou segurar a multidão, que pressionou e quebrou uma porta de vidro. Sobraram safanões para o agente municipal e um repórter.
O grupo, carregando faixas, apitos e instrumentos de percussão, ocupou o primeiro andar do prédio por cerca de 10 minutos. Logo chegou o reforço da Polícia Militar, mas os manifestantes deixaram a Urbs espontaneamente e sem novos tumultos.
O protesto nacional foi organizado pelo grupo “Movimento Passe Livre” (MPL), que exige fundamentalmente a isenção de tarifa a estudantes de todas as instituições de ensino reconhecidos pelo Ministério da Educação. O site do MPL na internet convocava para ontem manifestações em cidades como Florianópolis, Joinville, Brasília, Salvador, Fortaleza, São Paulo, Goiânia, Vitória, Aracaju e Curitiba.
O MPL se diz apartidário e com inspirações anarquistas — por isso não há uma diretoria oficializada. Um dos líderes da facção curitibana, um estudante secundarista que se identificou apenas como “Chico”, 17 anos, disse que o principal objetivo do protesto era mostrar à Prefeitura as reivindicações do grupo. O adolescente classificou de “arruaceiros” os colegas que depredaram a Urbs e afirmou que todos foram expulsos do movimento.
Outro manifestante, que se identificou como Ernesto Paes, elogiou a Prefeitura de Curitiba por solicitiar judicialmente a abertura planilha de gastos das empresas de transporte. “Foi positivo, pois o prefeito comprou a briga pelo transporte. Só não podemos esperar sentados quer as coisas aconteçam”, disse.
Pouco depois do início do ato, o diretor de transporte da Urbs, José Antônio Andregueto, desceu para conversar com os manifestantes. Ele recebeu uma carta com cerca de dez itens — alguns discutíveis, como o fim da publicidade em veículos e pontos de ônibus. O diretor se comprometeu a entregar aos estudantes um termo assinado, no qual a Prefeitura se compromete a avaliar as reivindicações e respondê-las em 30 dias. “Mas lembremos que cada isenção faz o usuário comum pagar mais caro, pois a tarifa é a única fonte de receita do sistema”, falou o diretor. Andreguetto lembrou ainda que a Prefeitura oferece desconto de 50% na tarifa aos estudantes que comprovarem baixa renda.
Passe escolar beneficia 20 mil carentes
A legislação municipal de Curitiba oferece aos estudantes de famílias com renda entre R$ 900 e R$ 1.500, conforme o número de filhos na escola, o direito ao passe escolar que corresponde a 50% do valor da tarifa de ônibus. Os critérios para a concessão são rigorosamente observados para garantir que o benefício chegue a quem se destina, pois o custo das gratuidades e isenções do transporte coletivo é rateado entre os passageiros pagantes e pesa no valor final da tarifa. Atualmente há 20 mil estudantes que utilizam o passe.
Cada aluno tem direito a adquirir 50 passes por mês ou 100 para dois meses, para usar nos deslocamentos de ida e volta da escola. As regras de concessão do benefício permitem que alunos de qualquer série da rede municipal, estadual, federal e mesmo particular paguem meia-tarifa, desde que comprovem a condição de baixa renda. O aluno também precisa morar e estudar em Curitiba, com uma distância mínima de 10 quadras ou um quilômetro entre a casa e a escola.
Os alunos cadastrados recebem o cartão transporte estudante para embarcar nos ônibus da Rede Integrada de Transporte (RIT).
Critérios — Famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 900) têm direito ao benefício se tiverem pelo menos um filho que vá à escola. Para famílias com renda de quatro salários mínimos (R$ 1.200) o benefício pode ser concedido se tiverem pelo menos dois filhos que precisem de deslocamentos. Famílias com mais de dois filhos podem pagar a tarifa com 50% de desconto, se comprovada a renda de até cinco salários (R$ 1.500).
O benefício concedido aos estudantes de Curitiba é garantido porque os passageiros que pagam a tarifa integral subsidiam o valor da meia-tarifa. O mesmo acontece com a passagem gratuita dos idosos com mais de 65 anos, policiais militares fardados, carteiros e oficiais de justiça que não pagam a tarifa de ônibus.
Como se cadastrar — Para fazer o cadastro na Urbs, o aluno com mais de 18 anos ou os responsáveis pelos menores devem levar o formulário especial já preenchido. A ficha é distribuída na própria Urbs ou no site da Prefeitura de Curitiba (www.curitiba.pr.gov.br)
Também é preciso levar fotocópias de um documento de identificação do aluno e do responsável, comprovante de residência e de renda atualizado e a declaração atualizada de matrícula na escola do aluno (apenas o documento original).
O setor de passe escolar da Urbs funciona de segunda a sexta-feira das 8h30 às 17 horas.

Saldo da manifestação foi uma porta de vidro quebrada e confronto com as polícias civil e militar
Estudantes invadem sede da Urbs
Grupo do Movimento Passe Livre diz que organizou manifestações semelhantes em outras capitais ontem
Um protesto estudantil, organizado simultaneamente em vários Estados, teve versão curitibana que se transformou em tumulto, ontem de manhã, em frente à sede da Urbs. O grupo de cerca de 200 manifestantes invadiu por alguns minutos o prédio anexo à Rodoviária e depredou uma das entradas, além de manter conflitos isolados com a polícia. A reivindicação é a concessão de passe livre a todos os estudantes — pedido que a Prefeitura se comprometeu a apreciar.
Os manifestantes se concentraram na Praça Santos Andrade e seguiram em marcha até o prédio da Urbs. A primeira tentativa de invasão, perto das 10 horas, foi contida pela Guarda Municipal. Mas os estudantes enganaram os agentes e deram a volta, acessando a entrada do setor de venda de vales-transporte. Apenas um guarda tentou segurar a multidão, que pressionou e quebrou uma porta de vidro. Sobraram safanões para o agente municipal e um repórter.
O grupo, carregando faixas, apitos e instrumentos de percussão, ocupou o primeiro andar do prédio por cerca de 10 minutos. Logo chegou o reforço da Polícia Militar, mas os manifestantes deixaram a Urbs espontaneamente e sem novos tumultos.
O protesto nacional foi organizado pelo grupo “Movimento Passe Livre” (MPL), que exige fundamentalmente a isenção de tarifa a estudantes de todas as instituições de ensino reconhecidos pelo Ministério da Educação. O site do MPL na internet convocava para ontem manifestações em cidades como Florianópolis, Joinville, Brasília, Salvador, Fortaleza, São Paulo, Goiânia, Vitória, Aracaju e Curitiba.
O MPL se diz apartidário e com inspirações anarquistas — por isso não há uma diretoria oficializada. Um dos líderes da facção curitibana, um estudante secundarista que se identificou apenas como “Chico”, 17 anos, disse que o principal objetivo do protesto era mostrar à Prefeitura as reivindicações do grupo. O adolescente classificou de “arruaceiros” os colegas que depredaram a Urbs e afirmou que todos foram expulsos do movimento.
Outro manifestante, que se identificou como Ernesto Paes, elogiou a Prefeitura de Curitiba por solicitiar judicialmente a abertura planilha de gastos das empresas de transporte. “Foi positivo, pois o prefeito comprou a briga pelo transporte. Só não podemos esperar sentados quer as coisas aconteçam”, disse.
Pouco depois do início do ato, o diretor de transporte da Urbs, José Antônio Andregueto, desceu para conversar com os manifestantes. Ele recebeu uma carta com cerca de dez itens — alguns discutíveis, como o fim da publicidade em veículos e pontos de ônibus. O diretor se comprometeu a entregar aos estudantes um termo assinado, no qual a Prefeitura se compromete a avaliar as reivindicações e respondê-las em 30 dias. “Mas lembremos que cada isenção faz o usuário comum pagar mais caro, pois a tarifa é a única fonte de receita do sistema”, falou o diretor. Andreguetto lembrou ainda que a Prefeitura oferece desconto de 50% na tarifa aos estudantes que comprovarem baixa renda.
Passe escolar beneficia 20 mil carentes
A legislação municipal de Curitiba oferece aos estudantes de famílias com renda entre R$ 900 e R$ 1.500, conforme o número de filhos na escola, o direito ao passe escolar que corresponde a 50% do valor da tarifa de ônibus. Os critérios para a concessão são rigorosamente observados para garantir que o benefício chegue a quem se destina, pois o custo das gratuidades e isenções do transporte coletivo é rateado entre os passageiros pagantes e pesa no valor final da tarifa. Atualmente há 20 mil estudantes que utilizam o passe.
Cada aluno tem direito a adquirir 50 passes por mês ou 100 para dois meses, para usar nos deslocamentos de ida e volta da escola. As regras de concessão do benefício permitem que alunos de qualquer série da rede municipal, estadual, federal e mesmo particular paguem meia-tarifa, desde que comprovem a condição de baixa renda. O aluno também precisa morar e estudar em Curitiba, com uma distância mínima de 10 quadras ou um quilômetro entre a casa e a escola.
Os alunos cadastrados recebem o cartão transporte estudante para embarcar nos ônibus da Rede Integrada de Transporte (RIT).
Critérios — Famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 900) têm direito ao benefício se tiverem pelo menos um filho que vá à escola. Para famílias com renda de quatro salários mínimos (R$ 1.200) o benefício pode ser concedido se tiverem pelo menos dois filhos que precisem de deslocamentos. Famílias com mais de dois filhos podem pagar a tarifa com 50% de desconto, se comprovada a renda de até cinco salários (R$ 1.500).
O benefício concedido aos estudantes de Curitiba é garantido porque os passageiros que pagam a tarifa integral subsidiam o valor da meia-tarifa. O mesmo acontece com a passagem gratuita dos idosos com mais de 65 anos, policiais militares fardados, carteiros e oficiais de justiça que não pagam a tarifa de ônibus.
Como se cadastrar — Para fazer o cadastro na Urbs, o aluno com mais de 18 anos ou os responsáveis pelos menores devem levar o formulário especial já preenchido. A ficha é distribuída na própria Urbs ou no site da Prefeitura de Curitiba (www.curitiba.pr.gov.br)
Também é preciso levar fotocópias de um documento de identificação do aluno e do responsável, comprovante de residência e de renda atualizado e a declaração atualizada de matrícula na escola do aluno (apenas o documento original).
O setor de passe escolar da Urbs funciona de segunda a sexta-feira das 8h30 às 17 horas.

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