Hoje em dia - Belo Horizonte-MG, 26/08/2005
Confronto entre PM e estudantes em BH
A manifestação de jovens que cobravam o passe livre no transporte coletivo para estudantes e desempregados, ontem na Avenida Afonso Pena, em frente à Prefeitura de Belo Horizonte, no Centro da capital, foi controlada com violência pela Polícia Militar. A equipe utilizou bombas de efeito moral, cacetetes e cães para dispersar os cerca de 300 manifestantes, que haviam jogado ovos na portaria da Prefeitura. Na ação, foram presos o estudante de Jornalismo da Universidade Fumec, Felipe Castanheira, 22 anos, e o menor P.L., 15 anos, estudante do 1º ano do curso Equipamentos para a Área da Saúde no Cefet-MG.
O menor foi encaminhado à Divisão de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad) e, Castanheira, à Seccional Sul. Os jovens foram liberados ontem, mas ficaram algemados até o momento em que foram ouvidos nas delegacias. “Houve truculência. Nós jogamos ovos e fomos respondidos com bomba de efeito moral", reclama Castanheira. O advogado do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG, Sebastião Carlos Pereira Filho, que acompanhou o caso, disse que haverá uma reunião hoje para decidir que medidas serão adotadas e que o uso de algemas em menores contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Com marcas da violência no tornozelo, a estudante de Ciência da Informação na UFMG, Kátia Gonçalves dos Santos, 22 anos, condenou a ação. “Foi repressiva, covarde e antidemocrática", afirma. Ela acredita que foi atingida por balas de borracha. Porém, a polícia nega ter utilizado esse recurso. A jovem paga aluguel, tem uma filha de 2 anos e meio e se mantém com uma bolsa mensal no valor de um salário mínimo que recebe da universidade. Seu gasto com passagem é de R$ 68 por mês.
A estudante de Letras da UFMG, Clarice Lage Gualber to, 19 anos, sofreu um ferimento no braço. “Não vi o que me atingiu, porque fiquei com medo e corri, mas acho que foi estilhaço da bomba de efeito moral", diz. Três jovens foram atendidos pelo Samu e outros foram para o Instituto Médico Legal (IML) fazer exame de corpo de delito. Os manifestantes caminharam da Praça Sete à Praça da Liberdade, onde continuaram o protesto em frente ao Palácio.
O comandante do Batalhão da Polícia de Eventos, o tenente-coronel Evandro Teófilo Elias, afirmou que a ação foi empregada porque os estudantes desacataram a polícia, jogando ovos e outros objetos. Ele disse também que os manifestantes não cumpriram a ordem de deixar duas pistas da Avenida Afonso Pena livres para o tráfego. “Os estudantes praticaram primeiro a hostilidade contra a polícia", afirma.
Segundo a estudante de Geografia da UFMG Fabiana Li ma, 24 anos, uma das coordenadoras do Movimento Passe Livre (MPL-BH), as manifestações serão intensificadas. “Queremos o passe livre e não existe negociação. A proposta é que as empresas de ônibus custeiem as despesas", afirma. Fabiana Lima diz que Belo Horizonte e Curitiba (PR) são as únicas capitais do país que não oferecem subsídios no transporte coletivo para os estudantes.
A Prefeitura enviou nota à imprensa informando que a Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) estuda a viabilidade de criação da Cesta da Mobilidade para excluídos do transporte urbano. Os critérios de inclusão seriam falta de renda, mobilidade física e características da região e dos estudantes. No último caso, a prioridade será para alunos do segundo grau das escolas públicas municipais, que já estejam cadastrados no programa Bolsa Escola. Ainda segundo a nota, de julho até agora foram realizadas cinco reuniões com membros do movimento estudantil para discutir o problema.
Confronto entre PM e estudantes em BH
A manifestação de jovens que cobravam o passe livre no transporte coletivo para estudantes e desempregados, ontem na Avenida Afonso Pena, em frente à Prefeitura de Belo Horizonte, no Centro da capital, foi controlada com violência pela Polícia Militar. A equipe utilizou bombas de efeito moral, cacetetes e cães para dispersar os cerca de 300 manifestantes, que haviam jogado ovos na portaria da Prefeitura. Na ação, foram presos o estudante de Jornalismo da Universidade Fumec, Felipe Castanheira, 22 anos, e o menor P.L., 15 anos, estudante do 1º ano do curso Equipamentos para a Área da Saúde no Cefet-MG.
O menor foi encaminhado à Divisão de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad) e, Castanheira, à Seccional Sul. Os jovens foram liberados ontem, mas ficaram algemados até o momento em que foram ouvidos nas delegacias. “Houve truculência. Nós jogamos ovos e fomos respondidos com bomba de efeito moral", reclama Castanheira. O advogado do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG, Sebastião Carlos Pereira Filho, que acompanhou o caso, disse que haverá uma reunião hoje para decidir que medidas serão adotadas e que o uso de algemas em menores contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Com marcas da violência no tornozelo, a estudante de Ciência da Informação na UFMG, Kátia Gonçalves dos Santos, 22 anos, condenou a ação. “Foi repressiva, covarde e antidemocrática", afirma. Ela acredita que foi atingida por balas de borracha. Porém, a polícia nega ter utilizado esse recurso. A jovem paga aluguel, tem uma filha de 2 anos e meio e se mantém com uma bolsa mensal no valor de um salário mínimo que recebe da universidade. Seu gasto com passagem é de R$ 68 por mês.
A estudante de Letras da UFMG, Clarice Lage Gualber to, 19 anos, sofreu um ferimento no braço. “Não vi o que me atingiu, porque fiquei com medo e corri, mas acho que foi estilhaço da bomba de efeito moral", diz. Três jovens foram atendidos pelo Samu e outros foram para o Instituto Médico Legal (IML) fazer exame de corpo de delito. Os manifestantes caminharam da Praça Sete à Praça da Liberdade, onde continuaram o protesto em frente ao Palácio.
O comandante do Batalhão da Polícia de Eventos, o tenente-coronel Evandro Teófilo Elias, afirmou que a ação foi empregada porque os estudantes desacataram a polícia, jogando ovos e outros objetos. Ele disse também que os manifestantes não cumpriram a ordem de deixar duas pistas da Avenida Afonso Pena livres para o tráfego. “Os estudantes praticaram primeiro a hostilidade contra a polícia", afirma.
Segundo a estudante de Geografia da UFMG Fabiana Li ma, 24 anos, uma das coordenadoras do Movimento Passe Livre (MPL-BH), as manifestações serão intensificadas. “Queremos o passe livre e não existe negociação. A proposta é que as empresas de ônibus custeiem as despesas", afirma. Fabiana Lima diz que Belo Horizonte e Curitiba (PR) são as únicas capitais do país que não oferecem subsídios no transporte coletivo para os estudantes.
A Prefeitura enviou nota à imprensa informando que a Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) estuda a viabilidade de criação da Cesta da Mobilidade para excluídos do transporte urbano. Os critérios de inclusão seriam falta de renda, mobilidade física e características da região e dos estudantes. No último caso, a prioridade será para alunos do segundo grau das escolas públicas municipais, que já estejam cadastrados no programa Bolsa Escola. Ainda segundo a nota, de julho até agora foram realizadas cinco reuniões com membros do movimento estudantil para discutir o problema.

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