terça-feira, agosto 23, 2005

Diário do Nordeste - Fortaleza-CE, 23/08/2005


Transporte para população de baixa renda

Passagem mais barata, viagem confortável, menos gasto com combustível. Com essas possibilidades, o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) Bi-Articulado Elétrico Híbrido, projeto apresentado ontem de manhã no Centro Cultural Oboé durante reunião do Pacto de Cooperação, mostrou-se alternativa viável e econômica para as linhas férreas já existentes na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

A população de baixa renda seria a mais beneficiada com a iniciativa, em especial nos portos do Mucuripe e do Pecém. Mas o Estado já adiantou que não há verba para isso.

O plano foi apresentado pelos engenheiros ferroviários Telmo Bessa e Aníbal Arruda. Segundo eles, o VLT em questão tem 50% de economia sobre o veículo semelhante importado, sendo que o daqui seria mais leve (o europeu tem 60 toneladas e o local teria metade).

Na Grande Fortaleza, 42% dos trabalhadores se deslocam a pé, enquanto 8% de automóvel ou moto e 8%, de bicicleta. Outros 42% andam de ônibus, o que explica a presença de congestionamentos e o aumento constante dos acidentes e das pessoas que andam a pé ou de bicicleta.

Diante dessa situação, Arruda afirma que o transporte coletivo atual não resolve o problema de quem paga passagens de ônibus com dificuldade. “O vale-transporte virou moeda, é caro e não diminuiu o custo operacional dos ônibus. Fora isso, o mototáxi é perigoso, os microônibus contribuem para os engarrafamentos e as ciclovias e terminais não resolvem o problema”, observa.

A idéia é que o VLT Bi-Articulado trafegue na linha férrea entre o Mucuripe e a Parangaba, eliminando aos poucos os terminais de ônibus e implantando a tarifa temporal.

Como informa Aníbal Arruda, os pontos teriam “bicicletários” onde as pessoas deixariam suas bicicletas e de lá pegariam o VLT, cujo projeto lembra dois ônibus interligados por um eixo, sobre truques, as plataformas onde se sustentam os vagões.

No lugar de trens, seriam usadas carcaças de ônibus. Segundo Telmo Bessa, há 150 ônibus da CTC parados, pertencentes à Prefeitura de Fortaleza, que poderiam ser adaptados.

“O ônibus híbrido tem metade da potência do original, mas, em velocidade constante e sobre trilhos, economiza energia e combustível porque reduz a queima de gases em 80%”, informa Arruda, acrescentando que, para manter a potência, seriam usados geradores.

“Como ele vai trafegar na mesma linha do trem de passageiros tradicional, o custo com o passageiro é 60% inferior. É silencioso, confortável, pode transportar bicicletas e pequenos volumes e sobra potência para o primeiro veículo ter ar-condicionado”, completa Aníbal.

Além disso, não seriam necessárias estações extras, já que o carro seria rebaixado.

Os autores do projeto estimam que o custo de um veículo seja de R$ 900 mil. Na Europa, um custa R$ 1,2 milhão. Para trazer para cá, seriam gastos mais R$ 500 mil, em média, com frete.

O projeto-piloto sugere duas linhas: uma no Centro, ao preço de R$ 0,50, e outra que ligaria Água Fria, Leste-Oeste e Antônio Bezerra e Messejana, ao preço de R$ 1,00. “Seria um transporte para a população de baixa renda, para os trabalhadores da Região Metropolitana, do Porto do Pecém, do Mucuripe”, analisa Telmo Bessa.