sábado, setembro 03, 2005

Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 03/09/2005


Bilhete integrado deve aumentar em 6% o uso do metrô
A integração de ônibus com a rede sobre trilhos também deverá elevar em 14% a demanda nos trens da CPTM

A integração do bilhete único dos ônibus de São Paulo com a rede sobre trilhos poderá provocar aumento de até 6% no uso do metrô e de 14% no dos trens. É o que apontam as simulações.

O impacto no horário de pico é considerado preocupante. "A CPTM poderá ter um volume de passageiros de até 7% sem nenhuma perturbação, mas, no horário de pico, não", afirmou ontem o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, durante o anúncio oficial do sistema. A cerimônia teve a participação do prefeito José Serra (PSDB) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

No caso dos ônibus, o secretário municipal dos Transportes, Frederico Bussinger, afirmou que, se houver uma maior demanda, os veículos podem ser adaptados para receber mais passageiros e as linhas, modificadas.

Prevista para entrar em operação no dia 28 de novembro, a integração será permitida inicialmente em estações das duas linhas que estão entre as menos movimentadas e com usuários de renda mais elevada -a 2-verde (Paulista) do Metrô e a C (Osasco-Jurubatuba) da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que roda ao lado da marginal Pinheiros.

O preço que os usuários de trem, metrô e ônibus municipais terão que pagar para realizar as suas transferências ainda não está definido. O que está definido, porém, é a maneira como será feita a cobrança. O usuário que iniciar sua viagem em um ônibus municipal terá o valor de uma tarifa normal descontado de seu bilhete único -atualmente, R$ 2. Ao ingressar na rede sobre trilhos, um novo valor será cobrado. Quem tiver iniciado o percurso de trem ou metrô, terá o valor de uma viagem descontado -hoje, R$ 2,10. Ao entrar em um ônibus, um complemento deverá ser pago. Estudos feitos pelo Estado e prefeitura indicam que a integração deverá ficar em torno de R$ 3,60.

Com o novo sistema, o usuário poderá, por exemplo, iniciar sua viagem em um ônibus, passar para a rede sobre trilhos e voltar para um ônibus, desde que no período de duas horas. Essa hipótese havia sido negada por Bussinger durante a entrevista coletiva, quando o secretário afirmou que, ao sair do metrô, o passageiro teria que pagar uma nova passagem. À tarde, no entanto, nota da secretaria confirmou ter se tratado de um equívoco do secretário.

O usuário não poderá, porém, usar o mesmo crédito para passar duas vezes pelos bloqueios de trens ou do metrô. Ele poderá iniciar o trajeto em ônibus, passar para o trem, transferir-se para o metrô e depois continuar de ônibus. Mas não poderá fazer uma segunda entrada no metrô ou no trem na mesma integração.

A implantação da integração custará R$ 15 milhões.