sexta-feira, setembro 02, 2005

O Diário - Maringá-PR, 02/09/2005


Prefeito vê motivação política em manifestos
Silvio Barros diz que protestos foram feitos por estudantes que viajam de graça e chama iniciativa organizada por dezenas de entidades de atitude de baixo nível

Ontem pela manhã o prefeito Silvio Barros considerou que o protesto realizado anteontem por estudantes e líderes sindicais não atingiu a população. "O protesto foi político, sem sentido, sem a adesão da sociedade e injusto. Foi feito por estudantes que viajam de graça. Maringá é a única cidade do Paraná a conceder este benefício", disse Sílvio Barros.

Ele também menosprezou um novo protesto que seria realizado no final da tarde de ontem. "Será uma segunda tentativa de algo que não funcionou. A população não quis participar (anteontem). Aliás, se irritou porque queria ir embora. Só lamento que esse tipo de atitude de baixo nível teve a adesão de gente séria, pessoas públicas que emprestaram seu prestígio", considera.

Sobre as críticas referentes à demissão dos cobradores, o prefeito afirmou apenas que ?não está havendo demissões?, que os funcionários da empresa foram transferidos para outros setores e que o sistema funcionou bem na primeira manhã da implantação. "Hoje (ontem) os ônibus trafegaram sem tumulto. Circularam sem cobradores e funcionou como um relógio", ressalta.

O prefeito acredita ter o apoio da população para a implantação das mudanças. "A população é séria, reconhece os resultados", diz. A liminar concedida na terça-feira e que impediu a cobrança diferenciada para quem pagar em dinheiro dentro dos ônibus será contestada pela administração, mas não revelou quando e como a procuradoria jurídica irá recorrer.

"Não arredo o pé da convicção de fazer do transporte coletivo de Maringá uma referência nacional. Não vou questionar e nem vou contra a decisão. Em momento oportuno, dentro do prazo judicial, vamos nos manifestar", revela.

Na liminar, concedida a ação impetrada pela Associação Maringaense de Usuários dos Serviços Públicos (Amusp), o juiz Airton Vargas da Silva apontou dois motivos principais para a decisão: a inexistência de uma planilha de custos em que se funde tal diferenciação de preços e a falta de sentido na aplicação de uma punição aos usuários pelo único motivo de querer pagar o valor em dinheiro e não por outra forma que seja mais cômoda e rentável para a empresa concessionária.

Silvio Barros também respondeu às críticas feitas durante o protesto com relação ao corte da passagem gratuita para os estudantes. "Estão falando besteira. São ignorantes ou sabem que é mentira. Existe uma regulamentação, mas foi assinada pelo João Ivo Caleffi no dia 6 de fevereiro de 2003", analisa.

A determinação aponta que o estudante, ao utilizar menos de 75% do passe disponibilizado perderá o direito ao benefício caso não apresente uma justificativa. "Como 85% usam assim, eu deveria cassar. Agora o Ministério Público cobra que eu faça os cortes. Porque agora o passe do estudante é pago com o dinheiro público", justifica.

Barros conta que foi criada uma comissão para estudar uma estratégia que apontaria formas para os estudantes justificarem a utilização menor que a determinada. "Se vão às aulas, tem freqüência e tem nota, só falta a justificativa. Prefiro não cortar, eles (os estudantes) sabem disso", conclui Silvio Barros.


"O protesto foi político, sem sentido, sem a adesão da sociedade e injusto. Foi feito por estudantes que viajam de graça. Maringá é a única cidade do Paraná a conceder esse benefício"
Silvio Barros


"Não vejo motivos para os protestos, embora tudo que é pacífico num país democrático é válido. O que não se pode ter é bagunça e se impedir que as pessoas atrasem na volta para casa"
Roberto Jacomelli