sexta-feira, setembro 02, 2005

O Estado de São Paulo - São Paulo, SP 02/09/2005


Bilhete único total, em novembro

Alckmin e Serra anunciam hoje integração do cartão, cujo o valor não está definido: Estado e Prefeitura investirão R$15 milhões

O bilhete único integrando ônibus, metrô e trem já tem data para começar a funcionar. Será a partir de novembro. O anúncio será feito hoje de manhã, no Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura. Até ontem à noite, técnicos estudavam por em prática, inicialmente, o bilhete na Linha 5 (Capão Redondo-Largo Treze) do metrô e na Linha C (Osasco-Jurubatuba) da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A estimativa é que a medida beneficie cerca de 2 milhões de pessoas.

Durante a posse do presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), Romeu Chap Chap, ontem de manhã, o governador Geraldo Alckmin deixou escapar que firmaria o convênio com a Prefeitura. Ele usou o encontro para a assinatura do acordo para reafirmar que não tem nenhum tipo de desavença com o prefeito José Serra - os dois figuram como possíveis candidatos do PSDB nas eleições presidenciais de 2006.

Para tirar o projeto do papel, Estado e Prefeitura investirão R$ 15 milhões - R$ 7,5 milhões sairão dos cofres municipais e a outra metade virá do governo estadual. O dinheiro será usado na instalação dos validores dos cartões, iguais aos que já existem nos ônibus, que serão acoplados às catracas das estações. A expectativa é que até abril do ano que vem toda a rede da CPTM, ônibus e metrô esteja integrada.

O valor da tarifa única só deve ser anunciado aos paulistanos às vésperas do início da integração. Atualmente, a passagem ônibus/metrô custa R$ 3,60. Mas, de acordo com o Metrô, apenas 4% dos 2,5 milhões de passageiros diários usam essa passagem. Na CPTM, estudos revelam que a parcela dos que aderem a esse tipo de tarifa é ainda menor.

A idéia de criar um sistema de bilhetagem unificada para ônibus, trens e metrô já havia sido cogitada na gestão Marta Suplicy (PT). Na época, porém, não se chegou a um acordo sobre o valor do bilhete, pois o Metrô alegou que não teria como receber menos que R$ 2,10.

Metrô e CPTM vão utilizar a mesma tecnologia usada na frota de ônibus da capital. O validador do bilhete da Prefeitura será acoplado às catracas das estações. Ainda não foi definido quem arcará com o custo de instalação do equipamento, orçado em R$ 15 milhões.

Está em estudo ainda como será a divisão do custo com manutenção, processamento e distribuição dos créditos. Tanto a Linha C da CPTM quanto a Linha 5 do metrô passam por bairros da zona sul da capital, inclusive em um dos terminais de ônibus mais movimentados da cidade, o João Dias.

Atualmente, o metrô de São Paulo transporta diariamente 2,5 milhões de passageiros em suas quatro linhas. Os trens da CPTM levam 1,5 milhão de pessoas. Já os ônibus municipais têm uma demanda de 5 milhões de passageiros.

Além do governador e do prefeito, participam da cerimônia de hoje o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, o secretário municipal de Transportes, Frederico Bussinger, e os presidentes do Metrô, Luiz Carlos David, da CPTM, Mario Bandeira, e da SPTrans, Ulrich Hoffmann.