quinta-feira, setembro 01, 2005

Jornal do Brasil - Rio de Janeiro-RJ, 01/09/2005


RioCard será padrão no estado
Vale eletrônico chegará a municípios do interior e às barcas no primeiro trimestre de 2006

A tecnologia que substituiu os vales-transportes de papel pelos cartões magnéticos (RioCard) para 650 mil passageiros na capital será padrão em todo o estado até o fim do primeiro trimestre do próximo ano. Dentro deste prazo, de acordo com a Federação de Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), o RioCard também poderá ser usado nas barcas, em um sistema que já está integrado com o metrô e aos trens da Supervia.
Para evitar a venda ilegal do cartão magnético a atravessadores, será mantida a estratégia de não divulgar nas catracas eletrônicas o saldo restante no RioCard.

- Este mecanismo evita que o empregado declare à empresa, por exemplo, que gasta R$ 200 por mês de transporte, mas só use R$ 100 e venda o cartão para um atravessador, embolsando a diferença - responde o diretor de Comunicação da federação, João Augusto Monteiro, que também acredita que a medida garante a privacidade do passageiro. O valor é mostrado quando o saldo fica abaixo de R$ 20.

O crédito do cartão, no entanto, ainda pode ser consultado, só pelas empresas, na internet, ou pelos passageiros, em 10 terminais instalados em estações do metrô e terminais rodoviários do Rio. Para o usuário do RioCard ter controle do seu saldo, está prevista a implementação de uma escala gráfica nos mostradores das catracas, que representarão o saldo de forma semelhante como feito no celulares para informar a carga da bateria.

Em Niterói, São Gonçalo e Maricá, as empresas de ônibus filiadas à Fetranspor não aceitarão vales de papel a partir de 1º de outubro. Além de tornar possível oferecer outros serviços com o RioCard, como as integrações entre ônibus e metrô, para João Augusto Monteiro os R$ 50 milhões investidos pelas empresas para instalar o sistema eletrônico nos 7.500 ônibus do Rio já têm como efeito a redução de fraudes e uso do vale como moeda de troca no comércio informal.

- Cerca de 30% dos vales de papel eram usados com outras finalidades fora do determinado por lei, que é garantir o transporte diário do empregado entre a residência e seu trabalho - explica o diretor. Ele diz ainda que desde abril, quando os antigos vales deixaram de ser aceitos, algumas linhas de ônibus passaram a receber mais passageiros porque não puderam mais usar o benefício em meios de transporte não regulamentados, como vans clandestinas.

Sobre o projeto de lei do deputado Édino Fonseca (Prona), que determina que as empresas de ônibus intermunicipais instalem câmeras no interior dos coletivos, o diretor da Fetranspor disse achar importante que sejam feitas ações preventivas de segurança, como a que propõe a lei. Mas ele responde que a fonte de custeio para instalar câmeras em todos os 5.900 ônibus intermunicipais associados à federação tem de ser analisada com cuidado.

- Não é só o custo do equipamento, mas também o de suporte operacional para guardar as fitas e por quanto tempo. Se todo o gasto ficar com as empresas, pode haver reflexos na renovação da frota, por exemplo. Muitas empresas estão operando sem capacidade de novos investimentos - justifica.

O projeto de lei aprovado em primeira discussão na terça-feira prevê que as câmeras fiquem em cabines blindadas na entrada dos coletivos, com custo de instalação arcado pelas empresas. A votação final em plenário deve ocorrer na próxima semana.