sexta-feira, setembro 30, 2005

Diário da Manhã - Goiânia-GO, 30/09/2005


Iris quer tarifa a R$ 2,14
Na próxima semana, usuário pode ter que desembolsar 42,6% a mais para andar de ônibus

A Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), da prefeitura de Goiânia, propôs o aumento da tarifa do transporte coletivo de R$1,50 para R$ 2,14. A proposta foi apresentada no último dia 20 para a Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos da Região Metropolitana de Goiânia (CDTC-RMG), que deve votar o aumento até sexta-feira da semana que vem.

A alegação do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos do Estado de Goiás (Setransp) é o aumento dos custos com combustível, manutenção dos veículos e folha de pagamento dos funcionários das empresas. O presidente do Setransp, Décio Caetano, não foi encontrado ontem para comentar o assunto.

A CMTC realizou, a pedido dos empresários do ramo, um levamento técnico do aumento de gastos nos últimos dois anos e três meses, período em que o valor permaneceu sem reajuste. De acordo com o presidente da Companhia, Marcos Antônio Masad, a CMTC apontou as necessidades técnicas para melhoria do transporte, mas lembra que a questão será decidida na votação da CDTC.

“Nós apenas fizemos o estudo técnico e verificamos que para melhorar o transporte o valor deve ir para R$ 2,14, mas eu considero o valor alto para o usuário. Agora está nas mãos da Câmara Deliberativa”.

Custos – A planilha de custos apresentada aponta os aumentos do óleo diesel, pneu e demais itens da manutenção dos ônibus e a folha de pagamento dos empregados como principal justificativa. Massad diz que, no período analisado, os motoristas, técnicos e apontadores das empresas tiveram três reajustes salariais.

O presidente da CMTC acredita que o repasse a mais para as empresas deverá possibilitar também a compra dos 100 ônibus, apontados por ele como medida emergencial que garante a melhoria do transporte coletivo.

De acordo com Marcos Massad não há outra saída para amenizar o problema das empresas senão o repasse para os usuários. A CMTC participou de reunião com o Ministério das Cidades, em Brasília, para negociar a redução no preço do óleo diesel, mas o governo federal vetou a solicitação. “O governo do Estado já cuida do eixo anhangüera, não vejo outra saída a não ser o aumento.”

O último reajuste no preço da passagem foi em julho de 2003, quando o valor passou de R$1,25 para R$ 1,50, o que representou aumento de 25%. A proposta atual, de R$ 2,14, eleva o custo em 42,6%, quase o dobro da última vez.

Votação – Para entrar em vigor, a medida precisa ser aprovada na votação da CDTC-RMG. A Câmara Deliberativa é formada por representantes da prefeitura de Goiânia, 50%, governo de Goiás, 25%, e prefeituras da região metropolitana, 25%. Para esta medida votam o prefeito de Goiânia, Iris Rezende; o presidente da CMTC, Marcos Massad; o prefeito de Aparecida de Goiânia, José Macedo; o prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Vieira; o presidente da Agência Goiana de Regulação (AGR), Wanderlino Teixeira de Carvalho; o secretário municipal de planejamento, Francisco Rodrigues Vale Júnior; o superintendente da SMT, Sandro Silva Vieira; a deputada estadual Isaura Lemos (PDT) e o presidente da CDTC e secretário de Cidades, Ademir Menezes. Mas o voto decisivo deve ser do prefeito Iris Rezende.

O governo do Estado deverá apresentar outra proposta antes da votação. O secretário Ademir Menezes não foi encontrado pela reportagem do DM para falar sobre o aumento.