terça-feira, março 07, 2006

O Estado de São Paulo - São Paulo-SP 07/03/2006


Com bilhete único, conta do sistema tem déficit

A conta para operar o sistema de transporte na cidade não fecha. Desde a adoção do bilhete único, em maio de 2004, o total de passageiros que viaja sem pagar aumentou, enquanto os valores que a Prefeitura dá em subsídios diminui ano a ano.

Antes do bilhete único, a média mensal de gratuidades pagas pela São Paulo Transporte (SPTrans) era de 80 mil pessoas por mês. Com o cartão, que permite várias viagens pelo preço de uma, durante duas horas, as gratuidades subiram para 50 milhões mensais. Em 2005, atingiram 54 milhões.

Para dar conta desse aumento, os custos do sistema passaram a ser estimados em R$ 300 milhões. Em 2004, contudo, foram liberados R$ 255,8 milhões. Ainda hoje, os empresários reivindicam receber R$ 17,6 milhões referentes às gratuidades daquele ano.

No ano passado, início da gestão José Serra, foram reservados no orçamento R$ 340 milhões para subsídios, mas foram pagos R$ 224 milhões, segundo dados do Sistema de Execução Orçamentária (SEO).

Neste ano, as verbas para pagar as gratuidades sofreram redução ainda mais brusca. A Câmara Municipal aprovou orçamento de R$ 140 milhões para as gratuidades. Em janeiro e fevereiro, foram pagos em subsídios R$ 25 milhões. "Queremos ter acesso aos dados da conta sistema da SPTrans para saber que lado está com a razão", disse o presidente da Comissão de Trânsito e Transportes, Adílson Amadeu (PTB).