Diário do Povo - Campinas-SP, 26/08/2005
É baderna, sim senhor!
Mais uma vez, estudantes mostram que bagunça e desrespeito são as únicas línguas que eles sabem falar
Organizado por militantes petistas ligados à vereadora Marcela Moreira (PT), o quarto protesto pelo passe livre promovido este ano em Campinas por estudantes secundaristas causou, mais uma vez, tumulto e confusão nas principais vias da região central.
Durante quase cinco horas, cerca de 800 jovens, a maioria adolescentes com idades entre 14 e 16 anos, fizeram arruaça por ruas e avenidas antes de cercar, às 9h30, o Paço Municipal - alvo de pedras, ovos e até de uma bomba lançada contra guardas municipais.
Apesar dos estudantes conclamarem ontem Campinas como a "capital nacional do movimento pelo passe livre", a bandeira, pelo menos até agora, só encontrou apoio político entre os correligionários da vereadora Marcela. Com uma postura hostil e ameaçando a imprensa, os jovens se negaram a apresentar qualquer reivindicação à Prefeitura.
O uso de maconha e de bebidas alcoólicas entre jovens que participaram do ato também evidenciou a falta de liderança entre os estudantes. Desde as 7h, os jovens, com gritos de "pelego" contra o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), se reuniram no Largo do Rosário. Poucos, porém, sabiam qual seria a direção da passeata, que parou o trânsito nas avenidas Francisco Glicério e Moraes Sales, entre outras vias do Centro, provocando 4,5 quilômetros de congestionamento por volta das 9h45.
Quando chegaram ao Paço, os manifestantes começaram a atirar ovos e pedras contra a GM. Houve tumulto e correria nas escadarias e dois jovens, não identificados, um deles com um taco de beisebol, foram detidos e liberados em seguida. A Avenida Anchieta ficou interditada por quase duas horas. O protesto só terminou às 11h20.
"O movimento é pacífico, é a imprensa que deturpa os fatos. Os estudantes estão em paz, eu não vi uso de drogas ou de bebidas, não existe violência", tentou argumentar a vereadora Marcela, mesmo tendo presenciado as ameaças que a reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) sofreu durante o protesto e mesmo estando muito próxima de jovens que fumavam maconha em pleno Centro. Ao lado de assessores lotados em seu gabinete, a parlamentar participou da passeata e confirmou ter tido o conhecimento prévio do ato de ontem.
"As empresas de ônibus mandam no prefeito e os vereadores só querem ficar apresentando projetos para nomes de ruas. Por isso o passe livre é um movimento legítimo de resistência". Nem mesmo quando os manifestantes atiraram pedras contra a GM a vereadora alterou seu ponto de vista: segundo ela, foi a corporação que teria agido de forma truculenta, o que gerou indignação entre outros vereadores e lideranças do governo.
Marcela pode ser cassada
A Corregedoria da Câmara de Vereadores de Campinas estuda a possibilidade de cassar o mandato da vereadora Marcela Moreira (PT) por suposta quebra de decoro parlamentar que teria sido cometida ontem, durante o protesto dos estudantes secundaristas pelo passe livre promovido nas ruas do Centro de Campinas.
A própria União Campineira dos Estudantes Secundaristas (Uces) divulgou nota ontem repudiando a manifestação dos estudantes e afirmando que o movimento foi arquitetado pela vereadora petista Marcela Moreira e pelo vereador Petterson Prado (PPS).
O coordenador de grêmios da Uces, Carlos Henrique Gomes, ressaltou que a entidade lamenta o episódio e não deu apoio ao protesto dos estudantes.
"Esse é um movimento isolado que não tem nada a ver com a Uces. Esse é um movimento oportunista que está sendo arquitetado pela vereadora Marcela Moreira. A Uces não referenda o tumulto”, afirmou.
Passeata gerou muito transtorno
A movimentação dos estudantes nas ruas centrais de Campinas causou transtornos para motoristas, trabalhadores e lojistas. A confusão foi criticada por quem tinha de transitar pelas vias bloqueadas por eles. Parte do Paço teve de ser fechada.
A proprietária do Auto Posto Anchieta, Fernanda Valdivia, além de se preocupar com a queda nas vendas por causa do protesto, ainda teve que evitar que os jovens comprassem bebidas alcoólicas na loja de conveniência do estabelecimento. "Quatro estudantes vieram até a loja de conveniência para comprar bebida alcoólica, que é proibida para menores", disse.
Com toda a confusão, a dona de casa Cleusa Martins, 38 anos, chamou atenção ao retirar pessoalmente sua filha Isabelle, de 15 anos, do meio do protesto, no Largo do Rosário. Mais: pediu ajuda à Polícia Militar para levá-la de volta à escola.
"Quando eu soube que estava tendo um protesto, liguei na escola e descobri que ela não estava lá. Aí eu vim aqui para buscá-la. Minha filha não vai ficar em passeata. O lugar dela é na escola", afirmou, enquanto era vaiada pelos estudantes. "Podem vaiar, Eu não sou contra o movimento dos estudantes, mas acho que o ensino tem que estar em primeiro lugar".
Cleusa chegou a registrar um Boletim de Ocorrência por causa das ameaças que sofreu por parte dos jovens.
Sede da RAC é alvo de vandalismo
Um dos principais alvos do protesto dos estudantes secundaristas foi a Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), mais especificamente os jornais publicados pela empresa: Diário do Povo e Correio Popular.
Às 9h02, os manifestantes se concentraram em frente à sede da RAC, na Rua Conceição, onde um militante petista chegou a lançar fezes de cachorro contra os vitrais da empresa.
Para os estudantes, a RAC e os jornais que ela publica deturpam o movimento ao classificarem como baderna as passeatas pelo passe livre.
A hostilidade contra a reportagem culminou em uma agressão contra o fotógrafo Gustavo Magnusson, 29 anos, que foi derrubado pelos estudantes. Assessores da vereadora Marcela Moreira também tentaram impedir o trabalho do jornalista.
Os estudantes carregavam no ato faixas com inscrições acusando o Correio de mentir. A reportagem, que acompanhou toda a movimentação dos manifestantes desde às 6h30, sofreu inúmeras ameaças.
Outras equipes de rádio e de TV também foram xingadas pelos manifestantes.
É baderna, sim senhor!
Mais uma vez, estudantes mostram que bagunça e desrespeito são as únicas línguas que eles sabem falar
Organizado por militantes petistas ligados à vereadora Marcela Moreira (PT), o quarto protesto pelo passe livre promovido este ano em Campinas por estudantes secundaristas causou, mais uma vez, tumulto e confusão nas principais vias da região central.
Durante quase cinco horas, cerca de 800 jovens, a maioria adolescentes com idades entre 14 e 16 anos, fizeram arruaça por ruas e avenidas antes de cercar, às 9h30, o Paço Municipal - alvo de pedras, ovos e até de uma bomba lançada contra guardas municipais.
Apesar dos estudantes conclamarem ontem Campinas como a "capital nacional do movimento pelo passe livre", a bandeira, pelo menos até agora, só encontrou apoio político entre os correligionários da vereadora Marcela. Com uma postura hostil e ameaçando a imprensa, os jovens se negaram a apresentar qualquer reivindicação à Prefeitura.
O uso de maconha e de bebidas alcoólicas entre jovens que participaram do ato também evidenciou a falta de liderança entre os estudantes. Desde as 7h, os jovens, com gritos de "pelego" contra o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), se reuniram no Largo do Rosário. Poucos, porém, sabiam qual seria a direção da passeata, que parou o trânsito nas avenidas Francisco Glicério e Moraes Sales, entre outras vias do Centro, provocando 4,5 quilômetros de congestionamento por volta das 9h45.
Quando chegaram ao Paço, os manifestantes começaram a atirar ovos e pedras contra a GM. Houve tumulto e correria nas escadarias e dois jovens, não identificados, um deles com um taco de beisebol, foram detidos e liberados em seguida. A Avenida Anchieta ficou interditada por quase duas horas. O protesto só terminou às 11h20.
"O movimento é pacífico, é a imprensa que deturpa os fatos. Os estudantes estão em paz, eu não vi uso de drogas ou de bebidas, não existe violência", tentou argumentar a vereadora Marcela, mesmo tendo presenciado as ameaças que a reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) sofreu durante o protesto e mesmo estando muito próxima de jovens que fumavam maconha em pleno Centro. Ao lado de assessores lotados em seu gabinete, a parlamentar participou da passeata e confirmou ter tido o conhecimento prévio do ato de ontem.
"As empresas de ônibus mandam no prefeito e os vereadores só querem ficar apresentando projetos para nomes de ruas. Por isso o passe livre é um movimento legítimo de resistência". Nem mesmo quando os manifestantes atiraram pedras contra a GM a vereadora alterou seu ponto de vista: segundo ela, foi a corporação que teria agido de forma truculenta, o que gerou indignação entre outros vereadores e lideranças do governo.
Marcela pode ser cassada
A Corregedoria da Câmara de Vereadores de Campinas estuda a possibilidade de cassar o mandato da vereadora Marcela Moreira (PT) por suposta quebra de decoro parlamentar que teria sido cometida ontem, durante o protesto dos estudantes secundaristas pelo passe livre promovido nas ruas do Centro de Campinas.
A própria União Campineira dos Estudantes Secundaristas (Uces) divulgou nota ontem repudiando a manifestação dos estudantes e afirmando que o movimento foi arquitetado pela vereadora petista Marcela Moreira e pelo vereador Petterson Prado (PPS).
O coordenador de grêmios da Uces, Carlos Henrique Gomes, ressaltou que a entidade lamenta o episódio e não deu apoio ao protesto dos estudantes.
"Esse é um movimento isolado que não tem nada a ver com a Uces. Esse é um movimento oportunista que está sendo arquitetado pela vereadora Marcela Moreira. A Uces não referenda o tumulto”, afirmou.
Passeata gerou muito transtorno
A movimentação dos estudantes nas ruas centrais de Campinas causou transtornos para motoristas, trabalhadores e lojistas. A confusão foi criticada por quem tinha de transitar pelas vias bloqueadas por eles. Parte do Paço teve de ser fechada.
A proprietária do Auto Posto Anchieta, Fernanda Valdivia, além de se preocupar com a queda nas vendas por causa do protesto, ainda teve que evitar que os jovens comprassem bebidas alcoólicas na loja de conveniência do estabelecimento. "Quatro estudantes vieram até a loja de conveniência para comprar bebida alcoólica, que é proibida para menores", disse.
Com toda a confusão, a dona de casa Cleusa Martins, 38 anos, chamou atenção ao retirar pessoalmente sua filha Isabelle, de 15 anos, do meio do protesto, no Largo do Rosário. Mais: pediu ajuda à Polícia Militar para levá-la de volta à escola.
"Quando eu soube que estava tendo um protesto, liguei na escola e descobri que ela não estava lá. Aí eu vim aqui para buscá-la. Minha filha não vai ficar em passeata. O lugar dela é na escola", afirmou, enquanto era vaiada pelos estudantes. "Podem vaiar, Eu não sou contra o movimento dos estudantes, mas acho que o ensino tem que estar em primeiro lugar".
Cleusa chegou a registrar um Boletim de Ocorrência por causa das ameaças que sofreu por parte dos jovens.
Sede da RAC é alvo de vandalismo
Um dos principais alvos do protesto dos estudantes secundaristas foi a Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), mais especificamente os jornais publicados pela empresa: Diário do Povo e Correio Popular.
Às 9h02, os manifestantes se concentraram em frente à sede da RAC, na Rua Conceição, onde um militante petista chegou a lançar fezes de cachorro contra os vitrais da empresa.
Para os estudantes, a RAC e os jornais que ela publica deturpam o movimento ao classificarem como baderna as passeatas pelo passe livre.
A hostilidade contra a reportagem culminou em uma agressão contra o fotógrafo Gustavo Magnusson, 29 anos, que foi derrubado pelos estudantes. Assessores da vereadora Marcela Moreira também tentaram impedir o trabalho do jornalista.
Os estudantes carregavam no ato faixas com inscrições acusando o Correio de mentir. A reportagem, que acompanhou toda a movimentação dos manifestantes desde às 6h30, sofreu inúmeras ameaças.
Outras equipes de rádio e de TV também foram xingadas pelos manifestantes.

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