Correio Braziliense - Brasília-DF, 05/09/2005
Mensagem aos estudantes
Artigo:
Sobre as manifestações que vimos até hoje pelo “não aumento” das tarifas, ressaltamos que o aumento é apenas uma das conseqüências da má-gestão pública do serviço. Dentre as reivindicações, deveria ser incluída a abertura do preço da tarifa em reuniões públicas, com a socialização das informações sobre custos de insumos, serviços, impostos etc. Tais dados e valores precisam ser simplificados e negociados, e não apenas informados por meio de tabelas de cálculo tarifário, entendidas apenas por especialistas.
Nesse contexto, é imperioso ressaltar que não basta a luta pelo “não aumento” da tarifa. Esta é apenas um batalha. É imprescindível lutar pela qualidade do serviço a preço justo: veículos com tempo de uso adequado, seguros, confortáveis; um serviço prestado com freqüência regular, confiável, com motoristas e cobradores preparados e treinados para lidar com os passageiros; lutar por um processo de controle participativo, onde os usuários tenham acesso a todas as informações, inclusive dos valores que compõem as tarifas; proibição de sobreposição ou concorrência de sistemas de transporte ou de linhas, como acontece aqui com vários sistemas atendendo uma única linha, o que reduz o IPK (índice de passageiros por quilômetro) e contribui para aumentar o valor da tarifa. Sugerimos ainda que, nesta luta, seja reivindicado que os técnicos em transportes tenham maior liberdade de ação para planejamento do sistema, já que às vezes são podados por ações políticas...
É imprescindível destacar ainda que autoridades não ganham salário mínimo, não ficam no ponto esperando “um tempão”, não pegam ônibus já lotado, e não são imprensados na porta, tendo que pedir ao motorista para fechá-la, ajudando, assim, a empurrá-los para dentro e a caber todo mundo (a famosa “sardinha em lata”)... Vocês sabiam que é aceitável, no que tange ao nível de serviço de transporte coletivo, transportar de 6 a 8 pessoas por metro quadrado? Na próxima reunião com autoridades, sugiro o seguinte: coloquem de 6 a 8 pessoas em uma caixa de papelão de 1 m², as deixem lá por cerca de uma hora, e no fim das contas, cobrem R$ 2,50. Deixem-nas sentir o nível de serviço...
Portanto, nós, a Associação dos Usuários de Transportes Coletivos de Âmbito Nacional (Autcan-DF), estaremos juntos com vocês, estudantes. Lutar, lutar pacificamente e organizadamente. Essa é a forma de sermos respeitados. Lutar não só pelo congelamento das tarifas, mas também por calçadas adequadas, vias sinalizadas e seguras para nos conduzir até o ponto de parada do transporte coletivo, ponto este seguro, abrigado e com informações sobre linhas e horários. Lutar por um sistema com qualidade e cuja tarifa seja acessível!
Contribuam para criar um círculo virtuoso entre melhoria da qualidade do sistema, aumento da sua utilização, redução das tarifas, atração dos usuários de automóveis para o transporte coletivo, uma vez que menos automóveis diminuem os congestionamentos, tornando o sistema mais rápido e eficiente, com conseqüente melhoria da qualidade, redução das tarifas etc., concebendo-se o ciclo virtuoso do transporte, que reflete-se na qualidade de vida da população.
Dessa forma, deixamos aqui nosso recado: estudantes, lutem! Afinal, quem ajudou a derrubar um presidente pode ajudar a melhorar o transporte e a qualidade de vida de toda a cidade.
Abraços.
Miguel Fernandes, presidente da Autcan–DF e Érika Cristine Kneib, arquiteta urbanista, mestre em Transportes
Mensagem aos estudantes
Artigo:
Sobre as manifestações que vimos até hoje pelo “não aumento” das tarifas, ressaltamos que o aumento é apenas uma das conseqüências da má-gestão pública do serviço. Dentre as reivindicações, deveria ser incluída a abertura do preço da tarifa em reuniões públicas, com a socialização das informações sobre custos de insumos, serviços, impostos etc. Tais dados e valores precisam ser simplificados e negociados, e não apenas informados por meio de tabelas de cálculo tarifário, entendidas apenas por especialistas.
Nesse contexto, é imperioso ressaltar que não basta a luta pelo “não aumento” da tarifa. Esta é apenas um batalha. É imprescindível lutar pela qualidade do serviço a preço justo: veículos com tempo de uso adequado, seguros, confortáveis; um serviço prestado com freqüência regular, confiável, com motoristas e cobradores preparados e treinados para lidar com os passageiros; lutar por um processo de controle participativo, onde os usuários tenham acesso a todas as informações, inclusive dos valores que compõem as tarifas; proibição de sobreposição ou concorrência de sistemas de transporte ou de linhas, como acontece aqui com vários sistemas atendendo uma única linha, o que reduz o IPK (índice de passageiros por quilômetro) e contribui para aumentar o valor da tarifa. Sugerimos ainda que, nesta luta, seja reivindicado que os técnicos em transportes tenham maior liberdade de ação para planejamento do sistema, já que às vezes são podados por ações políticas...
É imprescindível destacar ainda que autoridades não ganham salário mínimo, não ficam no ponto esperando “um tempão”, não pegam ônibus já lotado, e não são imprensados na porta, tendo que pedir ao motorista para fechá-la, ajudando, assim, a empurrá-los para dentro e a caber todo mundo (a famosa “sardinha em lata”)... Vocês sabiam que é aceitável, no que tange ao nível de serviço de transporte coletivo, transportar de 6 a 8 pessoas por metro quadrado? Na próxima reunião com autoridades, sugiro o seguinte: coloquem de 6 a 8 pessoas em uma caixa de papelão de 1 m², as deixem lá por cerca de uma hora, e no fim das contas, cobrem R$ 2,50. Deixem-nas sentir o nível de serviço...
Portanto, nós, a Associação dos Usuários de Transportes Coletivos de Âmbito Nacional (Autcan-DF), estaremos juntos com vocês, estudantes. Lutar, lutar pacificamente e organizadamente. Essa é a forma de sermos respeitados. Lutar não só pelo congelamento das tarifas, mas também por calçadas adequadas, vias sinalizadas e seguras para nos conduzir até o ponto de parada do transporte coletivo, ponto este seguro, abrigado e com informações sobre linhas e horários. Lutar por um sistema com qualidade e cuja tarifa seja acessível!
Contribuam para criar um círculo virtuoso entre melhoria da qualidade do sistema, aumento da sua utilização, redução das tarifas, atração dos usuários de automóveis para o transporte coletivo, uma vez que menos automóveis diminuem os congestionamentos, tornando o sistema mais rápido e eficiente, com conseqüente melhoria da qualidade, redução das tarifas etc., concebendo-se o ciclo virtuoso do transporte, que reflete-se na qualidade de vida da população.
Dessa forma, deixamos aqui nosso recado: estudantes, lutem! Afinal, quem ajudou a derrubar um presidente pode ajudar a melhorar o transporte e a qualidade de vida de toda a cidade.
Abraços.
Miguel Fernandes, presidente da Autcan–DF e Érika Cristine Kneib, arquiteta urbanista, mestre em Transportes

<< Home