quinta-feira, setembro 15, 2005

O Dia - Rio de Janeiro-RJ, 15/09/2005


Trem em greve e vans fora da rua

Ferroviários decidem parar a partir de hoje por tempo indeterminado. Fiscalizações do Detro deixam vans irregulares sem circular

Já sem poder contar com pelo menos três mil vans irregulares que deixaram de circular desde o início da semana, quando começou a Operação Transporte Legal, moradores da Baixada Fluminense e da Zona Oeste correm sério risco de ficar a pé nesta quinta, porque perderam também os trens. O Sindicato dos Ferroviários anunciou na quarta à noite, depois de assembléia, que os 1.300 profissionais que trabalham na SuperVia entrariam em greve a partir da 0h de hoje, por tempo indeterminado.

De acordo com o presidente do sindicato da categoria, os ferroviários reivindicam R$ 300 a mais nos salários, além de melhorias nas condições de trabalho. “Fora o aumento, precisamos de investimento em setores como as oficinas e manutenção”, acrescentou o presidente Valmir de Lemos Índio.

A SuperVia afirma ter oferecido aumento de 10%. “O problema é que a proposta seria dividida em setembro (4%), novembro (4%) e fevereiro (2%). Isso ficaria muito aquém do que queremos”, disse Índio. O sindicato vai continuar promovendo assembléias diárias, às 18h, na Rua dos Abacates, em Deodoro, enquanto durar a paralisação.

Vans deixaram de passar na antiga Rio-São Paulo

Alguns dos principais usuários prejudicados pela greve nos trens serão justamente moradores da Baixada e da Zona Oeste, muitos servidos pelas vans que fazem itinerários intermunicipais, alvo da operação Transporte Legal do Departamento Estadual de Transportes Rodoviários (Detro). Muita gente já reclama da falta do transporte alternativo. E, por conta da redução do número de vans com a força-tarefa de repressão às vans clandestinas, várias pessoas já caminham pela antiga estrada Rio-São Paulo para vencer distâncias em busca de condução.

O auxiliar de obras Manoel Barbosa, 65 anos, é um dos que se ressentem da falta das vans, o meio de transporte que mais usa. “Estou chegando ao trabalho com meia hora de atraso porque tenho que ir de ônibus”, conta Manoel, que percorre o trajeto Paraíso – Centro. Moradora de Nova Iguaçu, Isineide Barbosa, 47 anos, também não esconde a revolta: “Preciso das vans para ir para o Centro”, reclamou. Os dois estavam na fila grande que se formou para embarque nos ônibus na Rua Campo Grande, no bairro de mesmo nome.

SuperVia não acredita em grande adesão à greve

A SuperVia minimizou a decisão do sindicato dos ferroviários e não acredita que a mobilização afete a circulação dos trens. A concessionária informou que a grade de horário está mantida. O sindicato das empresas de Ônibus do município (Rio Ônibus) não preparou esquema especial de reforço de coletivos.