quinta-feira, outubro 06, 2005

Jornal de Brasília - Brasília-DF, 06/10/2005


Pobres passageiros de ônibus do Entorno
Usuários reclamam de lotação excessiva, falta de manutenção e ausência de conforto, segundo pesquisa da ANTT

Os 36 milhões de passageiros que utilizam anualmente o transporte rodoviário para se deslocar entre a região do Entorno e o Distrito Federal não estão satisfeitos. Pesquisa encomendada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para avaliar a satisfação dos usuários revela que os entrevistados deram notas inferiores a seis para todos os itens questionados. O índice médio global ficou em 4,38, bem inferior aos 8,17 dado para os ônibus interestaduais que fazem viagens de longa distância.

As piores avaliações foram para a falta de respeito à capacidade de lotação (90% dos entrevistados afirmaram ter andado em ônibus superlotado nos últimos 12 meses), de rapidez na solução de problemas nas estradas (ônibus quebrados), para o estado de conservação dos veículos e o conforto. Melhores notas (veja quadro), mas sempre abaixo de seis, tiveram os itens cordialidade no atendimento, educação e cortesia dos funcionários e limpeza dos ônibus.

avaliação

A pesquisa constatou que entre os itens com pior avaliação estão os apontados como os de maior relevância pelos entrevistados. Isso pode indicar os atributos que devem merecer maior atenção por parte da ANTT e das empresas, segundo os pesquisadores da empresa Datamétrica, de consultoria, pesquisa e telemarketing, contratada pela agência.

Gregório Rabelo, diretor da ANTT responsável pelas ações do Entorno, diz que, apesar de deficiente, o transporte semi-urbano, que atende ao Entorno, é melhor do que o urbano, utilizado no DF. "A qualidade não é tão ruim."

Segundo Rabelo, no ano passado foram encaminhadas 600 reclamações à agência, relacionadas, principalmente, à questão de horários. O número, segundo ele, é pequeno se comparado às 68 milhões de viagens feitas anualmente pelas sete empresas da região. É, pelos dados da ANTT, o maior volume de viagens e de transporte semi-urbano de passageiros de todo o País.

transporte

O transporte semi-urbano é definido pela distância máxima de 75 quilômetros na ligação entre duas unidades da Federação. É o caso de Brasília e cidades do Entorno, que têm 30 linhas e 1.062 ônibus para fazer a ligação. Um dos maiores volumes de passageiros vem de Águas Lindas, com transporte de três milhões de pessoas (ida e volta) de janeiro a março deste ano. De Planaltina, foram e vieram 1,2 milhão de pessoas no mesmo período.

A reportagem do Jornal de Brasília procurou a Associação Brasileira de Transporte Interestadual (Abrati) para comentar a pesquisa, mas os diretores preferiram não se manifestar porque não analisaram os resultados.

Antenor Mito Filho, assessor jurídico da Viação Anapolina, empresa avaliada, não teve acesso à pesquisa e preferiu não comentá-la. Mas admitiu que melhorias precisam ser feitas para garantir atendimento de qualidade. Ele destaca que, apesar do interesse da Anapolina, há dificuldades pelo preço do combustível e custo de manutenção, decorrente da má conservação das estradas. "E há a concorrência dos piratas."

A pesquisa aplicou 72.187 questionários para usuários de 944 linhas de transporte semi-urbano, interestadual e internacional.