A Tarde - Salvador-BA, 22/09/2005
Passeata bloqueia trânsito no centro
Protesto estudantil para forçar decisão contrária ao aumento de tarifa de ônibus aconteceu também em vários pontos da cidade
O centro de Salvador parou por duas horas – das 9h30 às 11h30 – ontem pela manhã, em mais uma passeata dos estudantes contra o reajuste das tarifas de ônibus, de R$ 1,50 para R$ 2,20, como propõem os empresários do setor.
Na avaliação das lideranças da UNE, UEB, Ubes e Abes, que compõem o movimento estudantil na Bahia, foram dez mil participantes. Para a Polícia Militar, o número de participantes ficou entre 2.500 a três mil pessoas.
A manifestação começou às 9h30 na Praça da Piedade, antecedida por arrastões dos estudantes dos colégios Severino Vieira, Teixeira de Freitas e Central, todos no bairro de Nazaré. Da Piedade, os estudantes seguiram até o Forte de São Pedro e retornaram pela Avenida Sete em direção à Praça Municipal, onde chegaram às 11 horas.
“Queremos mostrar a nossa força e a necessidade de que qualquer valor da tarifa seja discutido com as representações dos estudantes”, disse Juliana Cunha, presidente da Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas (Abes).
UNIFICADA – A manifestação de ontem de manhã conseguiu reunir as lideranças das quatro entidades estudantis de Salvador, a UNE (União Nacional dos Estudantes), a UEB (União dos Estudantes da Bahia), a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e a Abes (Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas).
“Queremos que, a partir de agora, as manifestações sejam unificadas e representativas”, disse o líder da UEB, Juremar Oliveira.
A presidente da Abes, Juliana Cunha, disse que os estudantes querem assegurar a efetiva participação no Conselho Municipal de Transportes. Para tanto, eles pleiteiam que, além das vagas asseguradas à UNE e à Umes (União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas – hoje, na prática, substituída pela própria Abes), seja garantido o assento no conselho para os representantes da UEB e Ubes.
Para tanto, seriam ocupadas as vagas da Afavs (Associação dos Favelados de Salvador), entidade que não mais existe, e de uma outra entidade, que poderia ser uma das cinco vagas que é assegurada à Câmara dos Vereadores.
A estrutura do conselho, com 21 membros, foi definida ainda na administração da ex-prefeita Lídice da Mata e ratificada há dois anos, quando houve manifestações dos estudantes nas ruas. O conselho, apesar de constar em lei aprovada na Câmara dos Vereadores à época, jamais se reuniu.
Prefeito pede que estudantes colaborem
Projeto de lei para criação do Conselho de Transportes deverá ser encaminhado a Brasília na próxima semana
Até a próxima semana, o projeto de lei que solicita a criação da nova estrutura do Conselho Municipal de Transportes será enviado à Câmara Municipal de Salvador. O conselho será composto por representantes da própria prefeitura, da Câmara e de 11 entidades civis.
A instalação do conselho é condição básica defendida pelos líderes estudantis para acabar com manifestações de rua contra o aumento da tarifa de ônibus, que começaram na última sexta-feira e acontecem diariamente em diversas áreas da cidade.
Ontem pela manhã, o prefeito João Henrique falou do assunto em reunião com o procurador do município, João Cavalcanti Cunha, com o secretário de Infra-Estrutura e Transportes Urbanos, Nestor Duarte, e com o líder do governo na Câmara, vereador Sérgio Carneiro.
Coube a este último atuar como porta-voz da reunião e dar o recado do prefeito: renovar o apelo, feito no dia anterior, para que os estudantes voltem para as escolas. “Não há necessidade de eles faltarem às aulas, pois ninguém vai decidir nada sem a participação deles”, disse.
O presidente da Câmara dos Vereadores de Salvador, Valdenor Cardoso, viajou ontem para São Paulo, por isso o encaminhamento do projeto de lei do Executivo para a criação do Conselho de Transportes foi adiado para a próxima semana. O projeto terá que ir à votação em plenário para ser aprovado pelos vereadores.
A Câmara, que terá direito a cinco representações, não poderá, por lei, ocupá-las com parlamentares, mas caberá a ela decidir se o projeto de lei entra logo em votação ou se será debatido antes pelos vereadores.
URGÊNCIA – O líder do governo na Câmara, vereador Sérgio Carneiro, explicou que o projeto de lei implantando o Conselho Municipal de Transportes vai ser encaminhado para apreciação sob regime de urgência, dispensando os trâmites burocráticos.
“Temos pressa, e a Câmara deverá votá-lo sem problemas”, explicou. Pela proposta do Executivo para a formação do novo conselho, deverão ter assento cinco representantes da prefeitura, cinco da Câmara, três dos estudantes e oito entidades civis, entre as quais a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Depois de ter assegurado, pelo Tribunal de Justiça, a cassação da liminar que autorizava as empresas de ônibus a reajustarem o valor da tarifa de R$ 1,50 para R$ 2,20, o prefeito, segundo explicou o líder do governo na Câmara, acredita que já tenha feito a sua parte. “A prefeitura mostrou a sua autoridade impedindo o aumento da tarifa e pedindo a cassação da liminar na Justiça”, disse.
Não é o que pensam os empresários, que prometem recorrer da cassação da liminar no próprio âmbito do Tribunal de Justiça ou em instâncias superiores, em Brasília. Segundo explicou o superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiro de Salvador (Setps), Horácio Brasil, “qualquer decisão agora depende da prefeitura. Vamos manter a tarifa de R$ 1,50, mas não abrimos mão de continuar com a ação na Justiça”, disse.
Manifestação pára tráfego na Avenida Suburbana
Alunos de quatro colégios iniciaram um movimento de protesto contra o possível aumento da passagem de ônibus, interrompendo o tráfego de veículos na manhã de ontem, no subúrbio ferroviário. Por volta das 9 horas, um grupo saiu do Colégio Estadual de Plataforma, no final de linha, seguindo em direção a São João do Cabrito.
No caminho, os manifestantes ganharam a adesão de estudantes dos colégios Bertholdo Cirilo dos Reis, Aristides de Plataforma e Clériston Andrade, seguindo para a Avenida Suburbana.
No Largo do Luso, ainda em Plataforma, pouco mais de 100 alunos fizeram uma manifestação de cerca de meia hora, paralisando o trânsito de veículos na avenida nos sentidos Calçada e Paripe. Policiais militares que observavam a manifestação convenceram os estudantes a saírem em passeata com o objetivo de ir liberando o tráfego aos poucos.
O grupo, então, seguiu em direção à empresa de ônibus Praia Grande, em Praia Grande. Já passava das 11 horas, e uma fila de carros e ônibus, com motoristas e passageiros impacientes, se formava ao longo da avenida, sentido Paripe. A Polícia Militar, desta vez com diplomacia, convenceu os estudantes a liberarem a pista.
“Acho isso uma presepada. Por que eles não vão protestar em frente à prefeitura”, reclamava Zenaide Maria Brito, 62 anos, parada no carro com o marido, Manoel Araújo, 61. “É um absurdo isso. A gente está há mais de duas horas nesse engarrafamento”, completou Manoel.
O autônomo Valter Lírio dos Santos, preso no engarrafamento durante uma hora, apoiava a manifestação. “A gente tem que contestar. Se fizesse isso com outros problemas, mudaria muita coisa”, assinalou.
Em frente à garagem da Empresa Praia Grande, o grupo se concentrou, agora com a intenção de não deixar nenhum coletivo sair da garagem. “Estamos protestando contra o aumento da passagem.
Queremos um documento assinado pelo prefeito João Henrique com o compromisso de que a passagem não vai aumentar”, destacou Gleidson Passos Rosa, 24 anos, presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Bertholdo Cirilo. Sem liderança, por volta do meio-dia, os manifestantes não se entendiam.
Enquanto uma parte se mantinha sentada nas calçadas, um grupo menor tentava impedir a passagem dos coletivos.
“Estamos demarcando território. Não vamos esperar para protestar depois que a passagem aumentar”, explicava Fábio Andrade, 25 anos, aluno do Bertholdo Cirilo.
Adailton Santos, 20 anos, aproveitou para falar das condições dos ônibus que rodam para o subúrbio. “São velhos, sem conforto. Eles botam os novos para rodar em bairros melhores. Queremos direitos iguais”, reclamou, enquanto orientava os colegas a desobstruírem a avenida.
As manifestações de grupos isolados, que não são apoiadas pela direção do movimento estudantil, continuaram na noite de ontem. Um grupo de 20 alunos das escolas Thales de Azevedo (estadual) e Cândido Portinari (particular) desfilou ontem pelas avenidas Octávio Mangabeira e Manoel Dias da Silva em protesto contra o aumento da tarifa de ônibus. A manifestação causou lentidão no tráfego de veículos da região entre as 18 e as 19 horas.
Passeata bloqueia trânsito no centro
Protesto estudantil para forçar decisão contrária ao aumento de tarifa de ônibus aconteceu também em vários pontos da cidade
O centro de Salvador parou por duas horas – das 9h30 às 11h30 – ontem pela manhã, em mais uma passeata dos estudantes contra o reajuste das tarifas de ônibus, de R$ 1,50 para R$ 2,20, como propõem os empresários do setor.
Na avaliação das lideranças da UNE, UEB, Ubes e Abes, que compõem o movimento estudantil na Bahia, foram dez mil participantes. Para a Polícia Militar, o número de participantes ficou entre 2.500 a três mil pessoas.
A manifestação começou às 9h30 na Praça da Piedade, antecedida por arrastões dos estudantes dos colégios Severino Vieira, Teixeira de Freitas e Central, todos no bairro de Nazaré. Da Piedade, os estudantes seguiram até o Forte de São Pedro e retornaram pela Avenida Sete em direção à Praça Municipal, onde chegaram às 11 horas.
“Queremos mostrar a nossa força e a necessidade de que qualquer valor da tarifa seja discutido com as representações dos estudantes”, disse Juliana Cunha, presidente da Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas (Abes).
UNIFICADA – A manifestação de ontem de manhã conseguiu reunir as lideranças das quatro entidades estudantis de Salvador, a UNE (União Nacional dos Estudantes), a UEB (União dos Estudantes da Bahia), a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e a Abes (Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas).
“Queremos que, a partir de agora, as manifestações sejam unificadas e representativas”, disse o líder da UEB, Juremar Oliveira.
A presidente da Abes, Juliana Cunha, disse que os estudantes querem assegurar a efetiva participação no Conselho Municipal de Transportes. Para tanto, eles pleiteiam que, além das vagas asseguradas à UNE e à Umes (União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas – hoje, na prática, substituída pela própria Abes), seja garantido o assento no conselho para os representantes da UEB e Ubes.
Para tanto, seriam ocupadas as vagas da Afavs (Associação dos Favelados de Salvador), entidade que não mais existe, e de uma outra entidade, que poderia ser uma das cinco vagas que é assegurada à Câmara dos Vereadores.
A estrutura do conselho, com 21 membros, foi definida ainda na administração da ex-prefeita Lídice da Mata e ratificada há dois anos, quando houve manifestações dos estudantes nas ruas. O conselho, apesar de constar em lei aprovada na Câmara dos Vereadores à época, jamais se reuniu.
Prefeito pede que estudantes colaborem
Projeto de lei para criação do Conselho de Transportes deverá ser encaminhado a Brasília na próxima semana
Até a próxima semana, o projeto de lei que solicita a criação da nova estrutura do Conselho Municipal de Transportes será enviado à Câmara Municipal de Salvador. O conselho será composto por representantes da própria prefeitura, da Câmara e de 11 entidades civis.
A instalação do conselho é condição básica defendida pelos líderes estudantis para acabar com manifestações de rua contra o aumento da tarifa de ônibus, que começaram na última sexta-feira e acontecem diariamente em diversas áreas da cidade.
Ontem pela manhã, o prefeito João Henrique falou do assunto em reunião com o procurador do município, João Cavalcanti Cunha, com o secretário de Infra-Estrutura e Transportes Urbanos, Nestor Duarte, e com o líder do governo na Câmara, vereador Sérgio Carneiro.
Coube a este último atuar como porta-voz da reunião e dar o recado do prefeito: renovar o apelo, feito no dia anterior, para que os estudantes voltem para as escolas. “Não há necessidade de eles faltarem às aulas, pois ninguém vai decidir nada sem a participação deles”, disse.
O presidente da Câmara dos Vereadores de Salvador, Valdenor Cardoso, viajou ontem para São Paulo, por isso o encaminhamento do projeto de lei do Executivo para a criação do Conselho de Transportes foi adiado para a próxima semana. O projeto terá que ir à votação em plenário para ser aprovado pelos vereadores.
A Câmara, que terá direito a cinco representações, não poderá, por lei, ocupá-las com parlamentares, mas caberá a ela decidir se o projeto de lei entra logo em votação ou se será debatido antes pelos vereadores.
URGÊNCIA – O líder do governo na Câmara, vereador Sérgio Carneiro, explicou que o projeto de lei implantando o Conselho Municipal de Transportes vai ser encaminhado para apreciação sob regime de urgência, dispensando os trâmites burocráticos.
“Temos pressa, e a Câmara deverá votá-lo sem problemas”, explicou. Pela proposta do Executivo para a formação do novo conselho, deverão ter assento cinco representantes da prefeitura, cinco da Câmara, três dos estudantes e oito entidades civis, entre as quais a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Depois de ter assegurado, pelo Tribunal de Justiça, a cassação da liminar que autorizava as empresas de ônibus a reajustarem o valor da tarifa de R$ 1,50 para R$ 2,20, o prefeito, segundo explicou o líder do governo na Câmara, acredita que já tenha feito a sua parte. “A prefeitura mostrou a sua autoridade impedindo o aumento da tarifa e pedindo a cassação da liminar na Justiça”, disse.
Não é o que pensam os empresários, que prometem recorrer da cassação da liminar no próprio âmbito do Tribunal de Justiça ou em instâncias superiores, em Brasília. Segundo explicou o superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiro de Salvador (Setps), Horácio Brasil, “qualquer decisão agora depende da prefeitura. Vamos manter a tarifa de R$ 1,50, mas não abrimos mão de continuar com a ação na Justiça”, disse.
Manifestação pára tráfego na Avenida Suburbana
Alunos de quatro colégios iniciaram um movimento de protesto contra o possível aumento da passagem de ônibus, interrompendo o tráfego de veículos na manhã de ontem, no subúrbio ferroviário. Por volta das 9 horas, um grupo saiu do Colégio Estadual de Plataforma, no final de linha, seguindo em direção a São João do Cabrito.
No caminho, os manifestantes ganharam a adesão de estudantes dos colégios Bertholdo Cirilo dos Reis, Aristides de Plataforma e Clériston Andrade, seguindo para a Avenida Suburbana.
No Largo do Luso, ainda em Plataforma, pouco mais de 100 alunos fizeram uma manifestação de cerca de meia hora, paralisando o trânsito de veículos na avenida nos sentidos Calçada e Paripe. Policiais militares que observavam a manifestação convenceram os estudantes a saírem em passeata com o objetivo de ir liberando o tráfego aos poucos.
O grupo, então, seguiu em direção à empresa de ônibus Praia Grande, em Praia Grande. Já passava das 11 horas, e uma fila de carros e ônibus, com motoristas e passageiros impacientes, se formava ao longo da avenida, sentido Paripe. A Polícia Militar, desta vez com diplomacia, convenceu os estudantes a liberarem a pista.
“Acho isso uma presepada. Por que eles não vão protestar em frente à prefeitura”, reclamava Zenaide Maria Brito, 62 anos, parada no carro com o marido, Manoel Araújo, 61. “É um absurdo isso. A gente está há mais de duas horas nesse engarrafamento”, completou Manoel.
O autônomo Valter Lírio dos Santos, preso no engarrafamento durante uma hora, apoiava a manifestação. “A gente tem que contestar. Se fizesse isso com outros problemas, mudaria muita coisa”, assinalou.
Em frente à garagem da Empresa Praia Grande, o grupo se concentrou, agora com a intenção de não deixar nenhum coletivo sair da garagem. “Estamos protestando contra o aumento da passagem.
Queremos um documento assinado pelo prefeito João Henrique com o compromisso de que a passagem não vai aumentar”, destacou Gleidson Passos Rosa, 24 anos, presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Bertholdo Cirilo. Sem liderança, por volta do meio-dia, os manifestantes não se entendiam.
Enquanto uma parte se mantinha sentada nas calçadas, um grupo menor tentava impedir a passagem dos coletivos.
“Estamos demarcando território. Não vamos esperar para protestar depois que a passagem aumentar”, explicava Fábio Andrade, 25 anos, aluno do Bertholdo Cirilo.
Adailton Santos, 20 anos, aproveitou para falar das condições dos ônibus que rodam para o subúrbio. “São velhos, sem conforto. Eles botam os novos para rodar em bairros melhores. Queremos direitos iguais”, reclamou, enquanto orientava os colegas a desobstruírem a avenida.
As manifestações de grupos isolados, que não são apoiadas pela direção do movimento estudantil, continuaram na noite de ontem. Um grupo de 20 alunos das escolas Thales de Azevedo (estadual) e Cândido Portinari (particular) desfilou ontem pelas avenidas Octávio Mangabeira e Manoel Dias da Silva em protesto contra o aumento da tarifa de ônibus. A manifestação causou lentidão no tráfego de veículos da região entre as 18 e as 19 horas.

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