A Tarde - Salvador-BA, 21/09/2005
Jovens querem conselho já
Os estudantes voltam hoje às ruas em um só movimento, que começa às 9 horas na Praça da Piedade, de onde saem em passeata pelo Campo Grande e depois à Praça Municipal.
Um ato será realizado como forma de pressão para a prefeitura instalar logo o Conselho Municipal de Transportes. Além de não permitir o aumento, as entidades estudantis vão defender a desoneração da tarifa, a ampliação e a renovação da frota e a redução dos preços cobrados pelo smart-card.
“A prefeitura quer dar três lugares para os estudantes, que são representados por quatro entidades”, explicou Juliana Cunha, presidente da Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas (Abes).
Ela participou ontem da plenária realizada no campus da Universidade Católica de Salvador (Ucsal), juntamente com representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), União dos Estudantes da Bahia (Ueb) e de diretórios acadêmicos.
“Foi uma conquista da sociedade civil”, comemorou Juremar de Oliveira, presidente da UEB. Para ele, o conselho ganha uma dimensão maior: “Será o fórum onde os diversos setores da sociedade vão debater o percentual de reajuste”.
Devem também passar pelo conselhoz a discussão sobre a desoneração da tarifa e a retirada da gratuidade para policiais militares e funcionários dos Correios. Além disso, o conselho pode até discutir a proposta de passe livre para estudantes que comprovadamente não tenham condições de pagar a meia-passagem.
Estudantes mantêm estratégia de pressão
Mesmo com cassação de liminar que autorizava aumento da tarifa de ônibus em Salvador, protestos continuam
Às 9 horas de ontem, quando os primeiros protestos estudantis começaram na entrada da Estação da Lapa, três outras manifestações, em Itapuã, Costa Azul e Periperi, também aconteciam, interditando o trânsito de veículos nesses locais.
Ontem, muitos passageiros se irritaram quando foram obrigados a descer dos ônibus parados pelos estudantes. Um aluno do Colégio Salesiano teve a perna atingida por um Celta, ao tentar interditar o viaduto do Dique do Tororó. O incidente gerou protestos dos demais estudantes, mas o trânsito não chegou a ser interrompido no local.
De longe, a PM se limitou a acompanhar os estudantes e auxiliar os fiscais da SET (Superintendência de Engenharia de Tráfego de Salvador). Com os rostos pintados de verde e amarelo, os estudantes, adolescentes em sua maioria, inventavam novas formas de protestos.
“Não ganho mensalão. R$ 2,20, não”, escreveu na capa do caderno a estudante Míriam de Souza, 17 anos, sentada no asfalto da pista reservada aos ônibus na entrada da Estação da Lapa, onde cerca de 300 protestavam.
O principal palco dos protestos dos estudantes ontem foi o entorno da Estação da Lapa. Bloqueando a saída dos ônibus da estação e impedindo que outros tentassem furar o bloqueio pelo Vale dos Barris, os estudantes conseguiram parar o trânsito não apenas no Dique do Tororó, mas na Vasco da Gama e Vale dos Barris.
Os estudantes do Colégio Estadual Thales de Azevedo iniciaram uma passeata no Costa Azul, ontem à tarde, conseguindo pelo caminho a adesão de alunos dos colégios Portinari, Serravalle, Integral, Montaigne, entre outros.
Chegaram a barrar a passagem de alguns coletivos que se destinavam rumo à Avenida Manoel Dias da Silva. Uma hora depois, os representantes dos grêmios reuniram os manifestantes para um recuo tático no aguardo da deliberação da plenária que estava acontecendo no campus da Universidade Católica, na Lapa, onde estavam reunidas as entidades estudantis.
Empresários vão recorrer
Reunidos ontem à noite os empresários que operam as concessionárias dos transportes urbanos decidiram recorrer da decisão do TJ que cassou a liminar até as últimas instâncias. Segundo o superintendente do Setps, Horácio Brasil, as empresas estão no limite, em situação tão grave que já cogitam parcelar o pagamento de salários e benefícios como o vale transporte.
Mesmo com a cassação da liminar pelo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Gilberto Caribé, que possibilitaria ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps) aumentar a tarifa de ônibus de R$ 1,50 para R$ 2,20, prossegue a ação ordinária que corre na 4ª Vara da Fazenda Pública. A Procuradoria Geral do Município espera agora que a prefeitura seja citada no processo possa apresentar contestação.
O procurador do município, João Carlos Cavalcanti, informou que, a partir da citação, terá 15 dias para contestar os argumentos do sindicato. Caberá ao juiz julgar o mérito da ação. A legislação não determina um prazo específico para uma decisão e por isso pode pode demorar de 20 dias a até um ano. O procurador explica que a discussão passa pelo entendimento entre as secretarias do Transporte e de Infra-Estrutura e os empresários do setor.
Em sua decisão para cassar a liminar, o presidente do TJB, Gilberto Caribé, afirma que a decisão do juiz representa grave lesão à ordem e à segurança públicas pelas seguintes razões: a antecipação da tutela foi concedida de forma definitiva, sem ouvir o representante da prefeitura, ao arrepio da lei e da Constituição, uma vez que não observou o devido processo legal; ao fixar o preço da tarifa, o juiz “usurpou atribuições do chefe do Poder Executivo, violando o princípio de independência e harmonia entre os poderes da República”.
Estudantes fazem novos protestos nas ruas
Estudantes de escolas públicas e particulares de Salvador voltam às ruas da capital baiana para protestar contra o possível aumento da tarifa do transporte coletivo, de R$ 1,50 para R$2,20. Segundo informações da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), existe apenas um foco de manifestação neste momento. Na avenida Afrânio Peixoto, a Suburbana, aproximadamente 50 jovens atrapalham o trânsito próximo ao Posto BR, bairro de Plataforma.
Um grupo que obstruía a entrada de ônibus na Estação da Lapa e causou engarrafamento nas vias da região já saiu do local em direção aos Barris, onde se dispersou. Os adolescentes e jovens vieram do Terminal da França e passaram pelo túnel Américo Simas, Aquidabã e Nazaré.
Um ato público com cerca de três mil pessoas, segundo os líderes do Movimento Estudantil, aconteceu no centro da cidade na manhã desta quarta-feira (21). Eles passaram pelas avenidas Joana Angélica e Sete de Setembro e se concentraram na Praça Municipal.
Os manifestantes afirmam que a intenção dos protestos é garantir uma tarifa justa para os usuários do sistema de transporte coletivo na cidade. Sobre a acusação de que prejudicam a população por conta dos engarrafamentos, ouvida de algumas pessoas nas ruas e de motoristas, os estudantes se defendem.
“Orientamos todos a não fazer grandes focos de mobilização para não atrapalhar tanto o trânsito e não penalizar a sociedade, porque queremos a sociedade ao nosso lado”, afirma o presidente da União dos Estudantes Baianos (UEB), Juremar Oliveira.
A SET informou também que os estudantes tentaram fechar a via exclusiva de coletivos na Estação Transbordo do Iguatemi, por volta das 10h30 de hoje, mas a polícia já retirou os manifestantes do local.
Reajuste - Os estudantes estão nas ruas de Salvador desde a quinta-feira passada, quando a justiça autorizou o aumento da tarifa a pedido do Sindicato das Empresas de Transporte Público de Salvador (Setps). Apesar da prefeitura ter conseguido derrubar a liminar, o Setps já anunciou que vai recorrer e continuar brigando na justiça para aumentar a passagem. A ação ordinária movida pelo Setps continua em trâmite na Justiça.
Sobre a possibilidade de reajuste, os estudantes são contra qualquer alta: “Achamos que qualquer aumento é prejudicial para os usuários, temos amigos que vão a pé para a escola porque não tem como pagar a tarifa atual”, destaca o presidente da Ueb.
Por outro lado, as empresas de ônibus garantem que não podem operar com o valor atual da tarifa, não reajustada há cerca de dois anos. Além disso, os funcionários das empresas de transporte coletivo - cobradores e motoristas - tiveram os seus salários reajustados, o que já pesa no orçamento dos empresários, segundo dados divulgados pelo Setps.
Em nota oficial, o sindicato das empresas informa que vai recorrer a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia, que cassou no início dessa semana a liminar da 4° Vara da Fazenda Pública autorizando o reajuste.
O superintendente da Setps, Horácio Brasil, informa que os empresários continuam defendendo o reajuste. O Sindicato pretende, caso seja necessário, recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Jovens querem conselho já
Os estudantes voltam hoje às ruas em um só movimento, que começa às 9 horas na Praça da Piedade, de onde saem em passeata pelo Campo Grande e depois à Praça Municipal.
Um ato será realizado como forma de pressão para a prefeitura instalar logo o Conselho Municipal de Transportes. Além de não permitir o aumento, as entidades estudantis vão defender a desoneração da tarifa, a ampliação e a renovação da frota e a redução dos preços cobrados pelo smart-card.
“A prefeitura quer dar três lugares para os estudantes, que são representados por quatro entidades”, explicou Juliana Cunha, presidente da Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas (Abes).
Ela participou ontem da plenária realizada no campus da Universidade Católica de Salvador (Ucsal), juntamente com representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), União dos Estudantes da Bahia (Ueb) e de diretórios acadêmicos.
“Foi uma conquista da sociedade civil”, comemorou Juremar de Oliveira, presidente da UEB. Para ele, o conselho ganha uma dimensão maior: “Será o fórum onde os diversos setores da sociedade vão debater o percentual de reajuste”.
Devem também passar pelo conselhoz a discussão sobre a desoneração da tarifa e a retirada da gratuidade para policiais militares e funcionários dos Correios. Além disso, o conselho pode até discutir a proposta de passe livre para estudantes que comprovadamente não tenham condições de pagar a meia-passagem.
Estudantes mantêm estratégia de pressão
Mesmo com cassação de liminar que autorizava aumento da tarifa de ônibus em Salvador, protestos continuam
Às 9 horas de ontem, quando os primeiros protestos estudantis começaram na entrada da Estação da Lapa, três outras manifestações, em Itapuã, Costa Azul e Periperi, também aconteciam, interditando o trânsito de veículos nesses locais.
Ontem, muitos passageiros se irritaram quando foram obrigados a descer dos ônibus parados pelos estudantes. Um aluno do Colégio Salesiano teve a perna atingida por um Celta, ao tentar interditar o viaduto do Dique do Tororó. O incidente gerou protestos dos demais estudantes, mas o trânsito não chegou a ser interrompido no local.
De longe, a PM se limitou a acompanhar os estudantes e auxiliar os fiscais da SET (Superintendência de Engenharia de Tráfego de Salvador). Com os rostos pintados de verde e amarelo, os estudantes, adolescentes em sua maioria, inventavam novas formas de protestos.
“Não ganho mensalão. R$ 2,20, não”, escreveu na capa do caderno a estudante Míriam de Souza, 17 anos, sentada no asfalto da pista reservada aos ônibus na entrada da Estação da Lapa, onde cerca de 300 protestavam.
O principal palco dos protestos dos estudantes ontem foi o entorno da Estação da Lapa. Bloqueando a saída dos ônibus da estação e impedindo que outros tentassem furar o bloqueio pelo Vale dos Barris, os estudantes conseguiram parar o trânsito não apenas no Dique do Tororó, mas na Vasco da Gama e Vale dos Barris.
Os estudantes do Colégio Estadual Thales de Azevedo iniciaram uma passeata no Costa Azul, ontem à tarde, conseguindo pelo caminho a adesão de alunos dos colégios Portinari, Serravalle, Integral, Montaigne, entre outros.
Chegaram a barrar a passagem de alguns coletivos que se destinavam rumo à Avenida Manoel Dias da Silva. Uma hora depois, os representantes dos grêmios reuniram os manifestantes para um recuo tático no aguardo da deliberação da plenária que estava acontecendo no campus da Universidade Católica, na Lapa, onde estavam reunidas as entidades estudantis.
Empresários vão recorrer
Reunidos ontem à noite os empresários que operam as concessionárias dos transportes urbanos decidiram recorrer da decisão do TJ que cassou a liminar até as últimas instâncias. Segundo o superintendente do Setps, Horácio Brasil, as empresas estão no limite, em situação tão grave que já cogitam parcelar o pagamento de salários e benefícios como o vale transporte.
Mesmo com a cassação da liminar pelo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Gilberto Caribé, que possibilitaria ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps) aumentar a tarifa de ônibus de R$ 1,50 para R$ 2,20, prossegue a ação ordinária que corre na 4ª Vara da Fazenda Pública. A Procuradoria Geral do Município espera agora que a prefeitura seja citada no processo possa apresentar contestação.
O procurador do município, João Carlos Cavalcanti, informou que, a partir da citação, terá 15 dias para contestar os argumentos do sindicato. Caberá ao juiz julgar o mérito da ação. A legislação não determina um prazo específico para uma decisão e por isso pode pode demorar de 20 dias a até um ano. O procurador explica que a discussão passa pelo entendimento entre as secretarias do Transporte e de Infra-Estrutura e os empresários do setor.
Em sua decisão para cassar a liminar, o presidente do TJB, Gilberto Caribé, afirma que a decisão do juiz representa grave lesão à ordem e à segurança públicas pelas seguintes razões: a antecipação da tutela foi concedida de forma definitiva, sem ouvir o representante da prefeitura, ao arrepio da lei e da Constituição, uma vez que não observou o devido processo legal; ao fixar o preço da tarifa, o juiz “usurpou atribuições do chefe do Poder Executivo, violando o princípio de independência e harmonia entre os poderes da República”.
Estudantes fazem novos protestos nas ruas
Estudantes de escolas públicas e particulares de Salvador voltam às ruas da capital baiana para protestar contra o possível aumento da tarifa do transporte coletivo, de R$ 1,50 para R$2,20. Segundo informações da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), existe apenas um foco de manifestação neste momento. Na avenida Afrânio Peixoto, a Suburbana, aproximadamente 50 jovens atrapalham o trânsito próximo ao Posto BR, bairro de Plataforma.
Um grupo que obstruía a entrada de ônibus na Estação da Lapa e causou engarrafamento nas vias da região já saiu do local em direção aos Barris, onde se dispersou. Os adolescentes e jovens vieram do Terminal da França e passaram pelo túnel Américo Simas, Aquidabã e Nazaré.
Um ato público com cerca de três mil pessoas, segundo os líderes do Movimento Estudantil, aconteceu no centro da cidade na manhã desta quarta-feira (21). Eles passaram pelas avenidas Joana Angélica e Sete de Setembro e se concentraram na Praça Municipal.
Os manifestantes afirmam que a intenção dos protestos é garantir uma tarifa justa para os usuários do sistema de transporte coletivo na cidade. Sobre a acusação de que prejudicam a população por conta dos engarrafamentos, ouvida de algumas pessoas nas ruas e de motoristas, os estudantes se defendem.
“Orientamos todos a não fazer grandes focos de mobilização para não atrapalhar tanto o trânsito e não penalizar a sociedade, porque queremos a sociedade ao nosso lado”, afirma o presidente da União dos Estudantes Baianos (UEB), Juremar Oliveira.
A SET informou também que os estudantes tentaram fechar a via exclusiva de coletivos na Estação Transbordo do Iguatemi, por volta das 10h30 de hoje, mas a polícia já retirou os manifestantes do local.
Reajuste - Os estudantes estão nas ruas de Salvador desde a quinta-feira passada, quando a justiça autorizou o aumento da tarifa a pedido do Sindicato das Empresas de Transporte Público de Salvador (Setps). Apesar da prefeitura ter conseguido derrubar a liminar, o Setps já anunciou que vai recorrer e continuar brigando na justiça para aumentar a passagem. A ação ordinária movida pelo Setps continua em trâmite na Justiça.
Sobre a possibilidade de reajuste, os estudantes são contra qualquer alta: “Achamos que qualquer aumento é prejudicial para os usuários, temos amigos que vão a pé para a escola porque não tem como pagar a tarifa atual”, destaca o presidente da Ueb.
Por outro lado, as empresas de ônibus garantem que não podem operar com o valor atual da tarifa, não reajustada há cerca de dois anos. Além disso, os funcionários das empresas de transporte coletivo - cobradores e motoristas - tiveram os seus salários reajustados, o que já pesa no orçamento dos empresários, segundo dados divulgados pelo Setps.
Em nota oficial, o sindicato das empresas informa que vai recorrer a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia, que cassou no início dessa semana a liminar da 4° Vara da Fazenda Pública autorizando o reajuste.
O superintendente da Setps, Horácio Brasil, informa que os empresários continuam defendendo o reajuste. O Sindicato pretende, caso seja necessário, recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

<< Home