Tribuna da Bahia - Salvador-BA, 21/09/2005
Pivetes saqueiam passageiros
Salvador viveu mais um dia de cão com os estudantes nas ruas
Salvador ficou à beira do caos após mais um dia de manifestações realizadas pelos estudantes das redes pública e privada. Tumultos, brigas, discussões e até saques a passageiros foram registrados durante as manifestações. O bairro de Itapuã virou uma praça de guerra: em frente a um dos pontos mais conhecidos do bairro, a estátua da sereia, flagrantes de roubos de cargas de caminhões e invasões de ônibus deixaram os moradores estarrecidos. Enquanto os estudantes faziam as manifestações, menores cometiam infrações. Um jovem aparentando 16 anos saqueou a carga de um caminhão que seguia pela Avenida Dorival Caymmi carregado de coco. Um policial militar da 15º CIPM interveio e conseguiu impedir o delito sob aplauso dos moradores. Mais adiante um grupo de menores aproveitou os tumultos para invadir um ônibus parado. Enquanto três do grupo entravam pela janela traseira, a porta de saída do coletivo foi forçada até que abrisse. Os demais membros do bando, ao todo quatro meninos com idades entre 12 e 17 anos, tomaram de assalto o ônibus que seguiu para Lauro de Freitas, deixando apreensivos os passageiros, muitos deles saqueados em seus pertences, entre eles idosos e crianças que saiam da escola. Do outro lado da pista, sentido Orla, outro bando praticava morcegagem, arriscando suas vidas e a de terceiros.
Os estudantes pareciam unânimes em criticar o aumento da tarifa, que iria para R$2,20. Mas eram contraditórios na hora de esclarecer os motivos para as atuais manifestações. Itapuã parou na manhã de ontem quando 300 alunos fecharam as avenidas Otávio Mangabeira e Dorival Caymmi. O estudante Claudio Pereira, 25 anos, do Colégio Lomanto Júnior, questionava o aumento. “Estudante não vai ter como pagar ônibus. É impossível andar num coletivo que tenha um valor tão caro”, criticava. Segundo o estudante e membro do grêmio do Colégio Estadual Lomanto Júnior, Paulo Rogério Machado, os protestos foram motivados pelo aumento das tarifas de ônibus anunciado na imprensa. “Sabemos que a cassação da liminar foi uma vitória de João Henrique, mas após 30 dias úteis, os ônibus irão aumentar. Entendemos que o aumento é necessário, mas queremos um valor justo, não os R$ 2,20 proposto pelos empresários”, frisa o estudante. Questionado se a postura adotada pelos manifestantes não estaria prejudicando as negociações ele foi categórico: “O nosso objetivo ao realizar as manifestações é mostrar nosso apoio a o prefeito João Henrique. É para assegurar que ele tenha êxito nas negociações. Estamos do lado dele e entendemos que não podemos amolecer”, destaca.
“O meu direito de ir e vir, assegurado pela Constituição Federal está sendo desrespeitado pelos estudantes. Eles não vêem que o prefeito está buscando a melhor solução e esta série de protestos foi desnecessária”. A declaração é da dona-de-casa Joelma de Santana, 46 anos. A cidade estava tomada. Costa Azul, Piatã, Itapuã, Rio Vermelho, Avenida Paralela, Iguatemi, Estação da Lapa, Dique do Tororó, Avenida Suburbana, Coutos e demais pontos da cidade viraram um inferno. Em Piatã, a dona-de-casa Maria Aparecida de Jesus, 35 anos, desceu do ônibus e levou seu filho Ian, 6 anos, portador de anencefalia nos braços até sua casa, em Itapuã. A dor e o sofrimento estavam marcados em seu rosto sob um calor de mais de 30º. “Fui obrigada a descer do ônibus por causa do calor. Meu filho é doente e não temos como ficar num veículo daquele sob o calor intenso. Prefiro carregá-lo sob este sol forte do que arriscar que ele fique doente no ônibus lotado e sem a mínima previsão de chegar em casa. Os estudantes não respeitam ninguém”, desabafa.
Durante todo o dia dezenas de viaturas da Polícia Militar se deslocaram para evitar maiores transtornos. No Costa Azul, estudantes do Colégio Estadual Pedro Calmon fecharam meia pista da Avenida Otávio Mangabeira, sentido Rio Vermelho. O tenente Andrade, da 39 CIPM, negociou com os estudantes para que eles paralisassem os ônibus por apenas três minutos e liberassem os carros. Alguns motoristas de coletivos preferiram realizar manobras arriscadas e colocar em risco a vida de terceiros.
Um motorista quase invadiu o passeio onde estavam alguns pedestres na altura do parque Costa Azul para tentar furar o bloqueio. Alguns estudantes do Colégio Pedro Calmon se jogaram na frente do coletivo e por pouco não aconteceu uma tragédia.
Vereador quer discutir os aspectos sociais
“Salvador é uma cidade pobre, a maior parte de sua população tem renda muito baixa, o índice de desemprego é muito alto e muito grande o número de pessoas que se deslocam a pé por falta de dinheiro para pagar a passagem de ônibus”, lembrou o vereador Virgílio Pacheco, líder do PDT na Câmara de Salvador, ao afirmar que a discussão do valor da tarifa dos ônibus urbanos tem que levar em consideração os componentes sociais. Pacheco destaca que o momento é de aprofundar as discussões, mas como muita
responsabilidade para não prejudicar a população.
“Um aumento de passagens não pode representar a oportunidade das empresas recuperar ou antecipar lucros”, disse. O vereador entende que além do custo e da transparência da administração das empresas, a eficiência tem que ser levada em consideração. “Se a empresa é deficitária por causa de gestão deficiente, não é justo nem devido que o ônus recaia sobre a população que paga passagens”, afirmou.
Pivetes saqueiam passageiros
Salvador viveu mais um dia de cão com os estudantes nas ruas
Salvador ficou à beira do caos após mais um dia de manifestações realizadas pelos estudantes das redes pública e privada. Tumultos, brigas, discussões e até saques a passageiros foram registrados durante as manifestações. O bairro de Itapuã virou uma praça de guerra: em frente a um dos pontos mais conhecidos do bairro, a estátua da sereia, flagrantes de roubos de cargas de caminhões e invasões de ônibus deixaram os moradores estarrecidos. Enquanto os estudantes faziam as manifestações, menores cometiam infrações. Um jovem aparentando 16 anos saqueou a carga de um caminhão que seguia pela Avenida Dorival Caymmi carregado de coco. Um policial militar da 15º CIPM interveio e conseguiu impedir o delito sob aplauso dos moradores. Mais adiante um grupo de menores aproveitou os tumultos para invadir um ônibus parado. Enquanto três do grupo entravam pela janela traseira, a porta de saída do coletivo foi forçada até que abrisse. Os demais membros do bando, ao todo quatro meninos com idades entre 12 e 17 anos, tomaram de assalto o ônibus que seguiu para Lauro de Freitas, deixando apreensivos os passageiros, muitos deles saqueados em seus pertences, entre eles idosos e crianças que saiam da escola. Do outro lado da pista, sentido Orla, outro bando praticava morcegagem, arriscando suas vidas e a de terceiros.
Os estudantes pareciam unânimes em criticar o aumento da tarifa, que iria para R$2,20. Mas eram contraditórios na hora de esclarecer os motivos para as atuais manifestações. Itapuã parou na manhã de ontem quando 300 alunos fecharam as avenidas Otávio Mangabeira e Dorival Caymmi. O estudante Claudio Pereira, 25 anos, do Colégio Lomanto Júnior, questionava o aumento. “Estudante não vai ter como pagar ônibus. É impossível andar num coletivo que tenha um valor tão caro”, criticava. Segundo o estudante e membro do grêmio do Colégio Estadual Lomanto Júnior, Paulo Rogério Machado, os protestos foram motivados pelo aumento das tarifas de ônibus anunciado na imprensa. “Sabemos que a cassação da liminar foi uma vitória de João Henrique, mas após 30 dias úteis, os ônibus irão aumentar. Entendemos que o aumento é necessário, mas queremos um valor justo, não os R$ 2,20 proposto pelos empresários”, frisa o estudante. Questionado se a postura adotada pelos manifestantes não estaria prejudicando as negociações ele foi categórico: “O nosso objetivo ao realizar as manifestações é mostrar nosso apoio a o prefeito João Henrique. É para assegurar que ele tenha êxito nas negociações. Estamos do lado dele e entendemos que não podemos amolecer”, destaca.
“O meu direito de ir e vir, assegurado pela Constituição Federal está sendo desrespeitado pelos estudantes. Eles não vêem que o prefeito está buscando a melhor solução e esta série de protestos foi desnecessária”. A declaração é da dona-de-casa Joelma de Santana, 46 anos. A cidade estava tomada. Costa Azul, Piatã, Itapuã, Rio Vermelho, Avenida Paralela, Iguatemi, Estação da Lapa, Dique do Tororó, Avenida Suburbana, Coutos e demais pontos da cidade viraram um inferno. Em Piatã, a dona-de-casa Maria Aparecida de Jesus, 35 anos, desceu do ônibus e levou seu filho Ian, 6 anos, portador de anencefalia nos braços até sua casa, em Itapuã. A dor e o sofrimento estavam marcados em seu rosto sob um calor de mais de 30º. “Fui obrigada a descer do ônibus por causa do calor. Meu filho é doente e não temos como ficar num veículo daquele sob o calor intenso. Prefiro carregá-lo sob este sol forte do que arriscar que ele fique doente no ônibus lotado e sem a mínima previsão de chegar em casa. Os estudantes não respeitam ninguém”, desabafa.
Durante todo o dia dezenas de viaturas da Polícia Militar se deslocaram para evitar maiores transtornos. No Costa Azul, estudantes do Colégio Estadual Pedro Calmon fecharam meia pista da Avenida Otávio Mangabeira, sentido Rio Vermelho. O tenente Andrade, da 39 CIPM, negociou com os estudantes para que eles paralisassem os ônibus por apenas três minutos e liberassem os carros. Alguns motoristas de coletivos preferiram realizar manobras arriscadas e colocar em risco a vida de terceiros.
Um motorista quase invadiu o passeio onde estavam alguns pedestres na altura do parque Costa Azul para tentar furar o bloqueio. Alguns estudantes do Colégio Pedro Calmon se jogaram na frente do coletivo e por pouco não aconteceu uma tragédia.
Vereador quer discutir os aspectos sociais
“Salvador é uma cidade pobre, a maior parte de sua população tem renda muito baixa, o índice de desemprego é muito alto e muito grande o número de pessoas que se deslocam a pé por falta de dinheiro para pagar a passagem de ônibus”, lembrou o vereador Virgílio Pacheco, líder do PDT na Câmara de Salvador, ao afirmar que a discussão do valor da tarifa dos ônibus urbanos tem que levar em consideração os componentes sociais. Pacheco destaca que o momento é de aprofundar as discussões, mas como muita
responsabilidade para não prejudicar a população.
“Um aumento de passagens não pode representar a oportunidade das empresas recuperar ou antecipar lucros”, disse. O vereador entende que além do custo e da transparência da administração das empresas, a eficiência tem que ser levada em consideração. “Se a empresa é deficitária por causa de gestão deficiente, não é justo nem devido que o ônus recaia sobre a população que paga passagens”, afirmou.

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