Correio da Bahia - Salvador-BA, 30/08/2005
Desorganização prejudica o transporte alternativo
O problema do transporte público é antigo e as alternativas lançadas até agora pouco mudaram a situação. "Eu continuo esperando horas no ponto de ônibus para conseguir me deslocar em Salvador. No sábado, fiquei quase duas horas na chuva, esperando o ônibus para Itinga. Um horror", descreve a dona de casa Marineide Lopes Gonçalves, 57 anos, que mora num dos pontos que mais foram beneficiados com a implantação do Sistema Especial de Transporte Complementar de Salvador.
Depois de tentar resolver questões como a superlotação dos carros com a criação do serviço, a prefeitura anuncia que vai organizá-lo. Para isso, será iniciado um trabalho de mapeamento do transporte municipal e intermunicipal e avaliada as condições de funcionamento do transporte alternativo. A fiscalização será feita pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) através da Gerência de Taxi e Transportes Complementar (Stec).
Lugares já conhecidos pelo costumeiro tumulto provocado pela desorganização do serviço serão priorizados. Assim, Itapuã e Itinga já estão contando com postos de fiscalização a partir desta semana. Em São Joaquim, onde o problema continua numa proporção não muito diferente dos outros pontos, ainda não há previsão de início. "A falta de uma política que organize o setor é apontada como a maior responsável por isso, mas eu acredito que também há um pouco de má vontade dos empresários", afirma o estudante de direito André Machado Cerqueira, 24 anos.
Para o estudante, não adianta criar novos serviços sem que haja um monitoramento de como ele está funcionando. "Sei que é muita irregularidade para dizer que é tudo culpa do prefeito atual, até porque isso não deveria ser uma questão política. Mas que a prefeitura sempre se mostrou ineficiente, isso todos sabemos", concluiu.
Empresas - O serviço complementar da cidade possui 300 empresas já cadastradas para atuar. Todas estão preparadas para iniciar, a partir de setembro, o sistema de passagem unificada. No entanto, problemas com a rotina desses transportes preocupam os órgãos de fiscalização da prefeitura e do governo do estado.
Segundo o gerente da Stec, Moacir Brum, uma grande operação será realizada esta semana para que o órgão tenha um mapeamento completo do transporte público em Salvador e região metropolitana. O órgão é responsável pela fiscalização do transporte complementar. "Os focos serão as empresas que atuam na região limítrofe do município", explica. "Assim, poderemos saber como atuam essas empresas e identificar, inclusive, possíveis irregularidades", detalhou.
O trabalho será realizado em conjunto com a Agerba e contará com o apoio de duas equipes: uma de fiscais e outra de atendimento a comunidade. "Vamos fiscalizar o transporte para verificar as reclamações que têm sido registradas pelas nossas centrais e na imprensa", explicou. Os pontos de ônibus situados em São Cristóvão e Itapuã foram os escolhidos para começar o trabalho. "Ali sabemos que existe uma concorrência predatória, já que o município não conseguia fiscalizar o transporte da região metropolitana...Assim, queremos coibir ações como a de baixa do valor da passagem para R$1, R$1,40 e R$1,20 para ganhar o cliente", exemplificou.
***
Atendimento de qualidade
Apesar de admitir que os problemas existem, o presidente da Associação das Empresas de Transporte Especial Complementar de Salvador, Luiz Silveira Bispo, afirmou que o setor está evoluindo. "Além de já estarmos preparados para o sistema de bilhetagem única, estamos treinando os despachantes e motoristas para garantir que um atendimento de qualidade seja oferecido aos passageiros", explicou.
O curso de 40 horas inclui temas como relações humanas e direção defensiva. "Também queremos que haja um padrão de atendimento e isso já está sendo notado pelos passageiros", afirmou. Os cursos são ministrados no Sesc/Senac e já são exigidos pela prefeitura municipal. O transporte complementar de Salvador hoje é responsável pelo transporte de 12 mil passageiros por dia e atua no subúrbio ferroviário, Tancredo Neves, Narandiba, São Caetano, São Cristóvão, Cajazeiras e Itapuã.
Mas os empresários do setor querem maior abrangência nas áreas de atuação. "Pleiteamos, pela grande demanda de solicitações, ir até o Comércio. Assim, vamos poder oferecer um serviço completo aos passageiros do subúrbio. Já conseguimos ir até São Joaquim, mas queremos ir até o Comércio, pois muitas pessoas que circulam conosco precisam pegar apenas um transporte", explicou Silveira.
Desorganização prejudica o transporte alternativo
O problema do transporte público é antigo e as alternativas lançadas até agora pouco mudaram a situação. "Eu continuo esperando horas no ponto de ônibus para conseguir me deslocar em Salvador. No sábado, fiquei quase duas horas na chuva, esperando o ônibus para Itinga. Um horror", descreve a dona de casa Marineide Lopes Gonçalves, 57 anos, que mora num dos pontos que mais foram beneficiados com a implantação do Sistema Especial de Transporte Complementar de Salvador.
Depois de tentar resolver questões como a superlotação dos carros com a criação do serviço, a prefeitura anuncia que vai organizá-lo. Para isso, será iniciado um trabalho de mapeamento do transporte municipal e intermunicipal e avaliada as condições de funcionamento do transporte alternativo. A fiscalização será feita pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) através da Gerência de Taxi e Transportes Complementar (Stec).
Lugares já conhecidos pelo costumeiro tumulto provocado pela desorganização do serviço serão priorizados. Assim, Itapuã e Itinga já estão contando com postos de fiscalização a partir desta semana. Em São Joaquim, onde o problema continua numa proporção não muito diferente dos outros pontos, ainda não há previsão de início. "A falta de uma política que organize o setor é apontada como a maior responsável por isso, mas eu acredito que também há um pouco de má vontade dos empresários", afirma o estudante de direito André Machado Cerqueira, 24 anos.
Para o estudante, não adianta criar novos serviços sem que haja um monitoramento de como ele está funcionando. "Sei que é muita irregularidade para dizer que é tudo culpa do prefeito atual, até porque isso não deveria ser uma questão política. Mas que a prefeitura sempre se mostrou ineficiente, isso todos sabemos", concluiu.
Empresas - O serviço complementar da cidade possui 300 empresas já cadastradas para atuar. Todas estão preparadas para iniciar, a partir de setembro, o sistema de passagem unificada. No entanto, problemas com a rotina desses transportes preocupam os órgãos de fiscalização da prefeitura e do governo do estado.
Segundo o gerente da Stec, Moacir Brum, uma grande operação será realizada esta semana para que o órgão tenha um mapeamento completo do transporte público em Salvador e região metropolitana. O órgão é responsável pela fiscalização do transporte complementar. "Os focos serão as empresas que atuam na região limítrofe do município", explica. "Assim, poderemos saber como atuam essas empresas e identificar, inclusive, possíveis irregularidades", detalhou.
O trabalho será realizado em conjunto com a Agerba e contará com o apoio de duas equipes: uma de fiscais e outra de atendimento a comunidade. "Vamos fiscalizar o transporte para verificar as reclamações que têm sido registradas pelas nossas centrais e na imprensa", explicou. Os pontos de ônibus situados em São Cristóvão e Itapuã foram os escolhidos para começar o trabalho. "Ali sabemos que existe uma concorrência predatória, já que o município não conseguia fiscalizar o transporte da região metropolitana...Assim, queremos coibir ações como a de baixa do valor da passagem para R$1, R$1,40 e R$1,20 para ganhar o cliente", exemplificou.
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Atendimento de qualidade
Apesar de admitir que os problemas existem, o presidente da Associação das Empresas de Transporte Especial Complementar de Salvador, Luiz Silveira Bispo, afirmou que o setor está evoluindo. "Além de já estarmos preparados para o sistema de bilhetagem única, estamos treinando os despachantes e motoristas para garantir que um atendimento de qualidade seja oferecido aos passageiros", explicou.
O curso de 40 horas inclui temas como relações humanas e direção defensiva. "Também queremos que haja um padrão de atendimento e isso já está sendo notado pelos passageiros", afirmou. Os cursos são ministrados no Sesc/Senac e já são exigidos pela prefeitura municipal. O transporte complementar de Salvador hoje é responsável pelo transporte de 12 mil passageiros por dia e atua no subúrbio ferroviário, Tancredo Neves, Narandiba, São Caetano, São Cristóvão, Cajazeiras e Itapuã.
Mas os empresários do setor querem maior abrangência nas áreas de atuação. "Pleiteamos, pela grande demanda de solicitações, ir até o Comércio. Assim, vamos poder oferecer um serviço completo aos passageiros do subúrbio. Já conseguimos ir até São Joaquim, mas queremos ir até o Comércio, pois muitas pessoas que circulam conosco precisam pegar apenas um transporte", explicou Silveira.

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