quinta-feira, outubro 27, 2005

Folha do Estado - Cuiabá-MT, 27/10/2005


Comitê realiza mais uma manifestação pelo passe

O Comitê de Luta Pelo Transporte Público (CLTP) realizou quarta-feira (26) um ato público no antigo terminal de integração, Estação Bispo Dom José. A manifestação teve como foco principal o dia nacional de luta pelo passe livre.

Os estudantes de Cuiabá querem a ampliação do benefício (poder usar o transporte coletivo a qualquer hora dia, não só para ir a escola), além da diminuição da tarifa do transporte de R$ 1,60 para R$ 1,20.

O secretário municipal de Transito e Transportes Urbanos, Emanuel Pinheiro, disse que respeita a manifestação do CLTP, mas afirma que no dia nacional de luta pelo passe livre, Cuiabá só tem a comemorar, já que juntamente a Campo Grande (MS) são as únicas capitais do país a custear 100% do passe livre para os estudantes.

“Em todo o Brasil, o passe livre custeia apenas 50% do valor da passagem para os estudantes, Cuiabá é uma exceção. Aqui os estudantes podem ir para escola sem desenbolsar 1 real. O passe livre aqui trouxe um grande aumento na freqüência escolar, já que muitos alunos deixavam de ir a escola porque não tinham dinheiro para pegar ônibus”, disse.

Em relação à ampliação do benefício, o secretário foi enfático e disse que a natureza da lei não deve ser distorcida, e que o passe livre nasceu para que os alunos possam freqüentar as aulas, não passear. “Estaríamos sendo incoerentes se concordássemos com essa ampliação. Quem custeia metade do valor do passe livre é a população, é ela quem paga por isso. Não podemos fazer um festival de doações. Para toda e qualquer gratuidade tem que haver uma fonte de manutenção e custeio”, diz.

Atualmente cerca de 60 mil pessoas fazem uso do passe livre. Para a prefeitura municipal isso significa anualmente um gasto aproximado de 800 mil reais. O secretário disse que a administração anterior deixou uma dívida de 28 milhões de reais junto à Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (MTU), relacionada ao benefício. “Foi uma herança ingrata. O antigo prefeito nunca pagou a MTU, que nos mandou um ofício sobre a dívida relacionada ao passe livre. Mas já foi colocado que a administração atual só reconhece os compromissos que foram assumidos durante a gestão Wilson Santos”, disse.