terça-feira, setembro 20, 2005

A Tarde On Line - Salvador-BA, 20/09/2005


Bloqueio parcial na Paralela

Estudantes dos colégios Davi Mendes Pereira, Boulevard e Anísio Teixeira invadiram a pista da Avenida Paralela, sentido Aeroporto/Centro, por volta das 10 horas, impedindo o tráfego de ônibus. Eles caminharam sete quilômetros em três horas até chegar à Estação Iguatemi.

O funcionário público Celso Lima Santiago, 52, estava em um dos ônibus, na Paralela. Mesmo atrasado para o trabalho, ele considera que a mobilização é necessária: “Se não fossem os aumentos irregulares, a gente não estaria vivendo este caos de hoje”.

Apoiada por cinco viaturas da Polícia Militar, mais 20 policiais, a mobilização foi tranqüila. “As providências que tomamos são para proteger a integridade física dos estudantes”, disse o capitão José Luís, da 47ªCompanhia Independente da Polícia Militar. Os estudantes deixaram apenas uma pista da via livre para o tráfego. Durante o trajeto, alguns motoristas ficaram impacientes e tentaram furar a passagem, mas a cada tentativa os jovens se jogavam no chão e obrigavam os motoristas a pisar no freio.

O estudante universitário Igor Santana, 25, que acompanhava o movimento, apoiou a manifestação, mas foi radical no argumento: “Não é o povo quem deve pagar, é a burguesia. O povo tem que entrar é pela frente”, dispara.

Ao entardecer, os estudantes voltaram para casa depois de mais um dia de mobilização. Às 18 horas, Salvador não aparentava ter sido palco de manifestações que, ao longo do dia, paralisaram o trânsito pela cidade, a não ser pelos pontos de ônibus mais cheios que o normal.

Laudicéia Fernandes e Lane Aguiar saíram do trabalho uma hora mais tarde para não pegar mais congestionamento. “Sou a favor do movimento, por isso não me importo em sair mais tarde do trabalho” explica Laudicéia.

Mais tarde, às 20 horas, um novo foco de protesto surge na Avenida D. João VI, em Brotas. Estudantes param trânsito, mas são convencidos por PMs a liberar a passagem.



Transtornos na região do Iguatemi
Para serem liberados, motoristas dos ônibus tinham que deixar os passageiros entrar pela porta dianteira

A paralisação de ônibus na Estação Iguatemi, provocada pela manifestação dos estudantes, continuou durante toda a tarde de ontem. Por volta das 15 horas, depois que a faixa exclusiva foi liberada, os manifestantes fecharam a pista no sentido Avenida Paralela. Os coletivos estavam sendo liberados a cada cinco minutos, desde que o motorista abrisse a porta dianteira para que alunos e demais usuários fossem transportados gratuitamente.

Como alguns motoristas se opuseram a abrir a porta da frente, o Sindicato dos Rodoviários foi acionado. José Rodrigues, secretário do conselho fiscal da entidade, chegou ao local, onde permaneceu por algum tempo orientando os motoristas a atenderem ao pleito dos manifestantes, que saíram às ruas para protestar contra o aumento da passagem de ônibus e pela gratuidade estudantil. Os ônibus ficaram parados até o início da noite. Não houve incidentes, apesar do grande engarrafamento provocado na faixa exclusiva.

No início da tarde, Jarvel Gregório Filho, 82 anos, que se encontrava em um ônibus que faz a linha Pau Miúdo, sentiu-se mal e foi levado por dois estudantes para a Hemoba, onde foi atendido. Ele sofre de diabetes e, diante da grande espera dentro do coletivo, acabou ficando com o batimento cardíaco alterado. “Meu problema é ir para casa. Chegando lá, fico tranqüilo”, disse o aposentado.

Os passageiros que aguardavam no ponto começaram se mostravam impacientes já na primeira hora de paralisação. A professora de dança Leili Ahmed e tentava chegar a Lauro de Freitas. “Acho ridículo o que eles estão fazendo porque só atrapalha a vida da gente”, desabafou Leili.

“Os estudantes gostam de criar tumulto. Nem definiram o aumento e já estão criando baderna”, declarou a dona-de-casa Domingas Cardoso dos santos, 71 anos, enquanto esperava um ônibus para Mussurunga. O pré-vestibulando Jorge Luiz dos Reis Santos, 24 anos, que já foi líder estudantil e um dos fundadores do Movimento Secundarista do Subúrbio, avaliou a paralisação como equivocada, já que o aumento da passagem ainda não é um fato. “Acredito que o movimento seja apenas uma estratégia política e que os estudantes estejam caindo de pára-quedas na situação, sendo insuflados por uma articulação do Setps com outros objetivos”, definiu.

DESINFORMAÇÃO – Ao paralisar os transportes ontem, decisão articulada na última sexta-feira pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Associação Baiana Estudantil Secundarista (Abes), União Nacional dos Estudantes (UNE) e União dos Estudantes da Bahia (UEB), os estudantes esqueceram de acompanhar o andamento das negociações no final de semana, quando o aumento das passagens foi parar na Justiça, e foi amplamente divulgado pela imprensa.

O diretor da Abes, Abel Santana, estudante do Colégio Modelo, disse que não houve tempo hábil para informar todas as lideranças sobre o resultado da reunião e o conseqüente cancelamento da paralisação até segunda ordem. Diante disso, a diretora da UEB, Jamile de Almeida, estudante de pedagogia da Ucsal, esteve na Estação Iguatemi para colocar os manifestantes a par dos últimos informes, de nada adiantando. “R$ 2,20 não é mais real! A prefeitura se posicionou em favor da população”, tentava explicar aos estudantes.

“O conflito foi não ter como passar essas informações para eles no fim de semana”, disse Jamile. Abel reconheceu que, se os estudantes tivessem se inteirado do assunto por meio da mídia, seria mais fácil a comunicação. “Foi prematuro, mas contribui para que nós, estudantes, tenhamos mais representatividade na Comissão Municipal dos Transportes”, justificou-se. Durante a tarde, o que se viu foi divergência nas decisões tomadas por algumas lideranças, que mandavam o ônibus passar, enquanto outras se posicionavam na frente do coletivo, impedindo o tráfego.



Estudantes protestam na Liberdade e Paralela

O trânsito está bastante congestionado na avenida Paralela sentido Centro no trecho entre a Estação Mussurunga e o viaduto do CAB, devido ao protesto realizado pelos estudantes contra o aumento da tarifa de ônibus.

Outras duas barreiras foram montadas na avenida Lima e Silva, em frente ao Colégio Estadual Duque de Caxias, no bairro da Liberdade, e na avenida San Martin, próximo ao Colégio Luis Eduardo Magalhães. As informações são do Disque Táxi.