Diário de Natal - Natal-RN, 10/10/2005
Motoristas de ônibus entram em greve nesta terça
Foi confirmada em assembléia no final da tarde desta sexta (07/10) a paralisação dos motoristas de ônibus urbanos a partir da zero hora desta terça-feira (11/10). A decisão da categoria foi unânime. Pela manhã, o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro RN) promoveu uma paralisação de uma hora no largo do viaduto do Baldo, com a intenção da anunciar a greve para sociedade. Durante as 10h e 11h da manhã de ontem, todos os ônibus que passavam pelo largo foram parados, e a fila de veículos na ladeira do Baldo fechava toda a extensão da rua.
Segundo o presidente do Sintro, o vereador Júnior Rodoviário, o motivo da greve é o cancelamento do passe livre, que possibilita motoristas e cobradores das linhas urbanas viajarem de graça nas intermunicipais, e vice e versa. Para o vereador, a atitude do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos (Seturn) em não permitir a gratuidade é uma retaliação pessoal ao seu mandato. ‘‘Eles estão com raiva porque eu votei a favor da diminuição do passe do idoso (de 65 para 60 anos). É a mesma coisa que já fizeram antes. Eles precisam entender que eu sou vereador da cidade, e que não podem interferir nos meus votos’’, bradou Júnior Rodoviário.
O diretor de comunicação do Seturn, Augusto Maranhão, afirmou que a paralisação dos rodoviários foi ‘‘estranha e descabida’’. Para ele, não há legitimidade na reivindicação, já que o passe livre dos trabalhadores de transporte em ônibus urbanos não é convencionado. ‘‘Estamos em audiência permanente para resolver os problemas alegados. O passe livre era uma benevolência das empresas urbanas, e com o agravamento da situação delas, estamos cortando todos os gastos extras’’, declarou o diretor.
Já Rodoviário afirma que a gratuidade dos motoristas, tanto urbanos como intermunicipais, é garantido pelo acordo coletivo feito entre o Sintro, Seturn e o Setrans, com validade até 30 de abril de 2006. ‘‘Não estamos pedindo esmola. é um direito nosso que deve ser garantido’’, reforçou Rodoviário.
Para Augusto Maranhão, o vereador foi ‘‘irresponsável’’ com a paralisação. Ele informa que, se a greve for mesmo decretada, o Seturn entrará com pedido na Procuradoria do Trabalho para pedir a ilegalidade do movimento. ‘‘Não há descumprimento de cláusula convencional’’, disse. Quanto à acusação de Júnior Rodoviário de que o Seturn estaria querendo prejudicar o seu mandato, Augusto Maranhão respondeu: ‘‘Do seu mandato parlamentar, ele deve satisfação aos seus eleitores. Não temos nada a ver com isso e não fazemos intervenção. Isso é conversa fiada do parlamentar Júnior Rodoviário’’.
A greve dos ônibus urbanos está programada para a próxima terça-feira, e apenas os 30% de frota emergencial estará funcionado. Mas antes, na segunda-feira, os dois sindicatos (Seturn e Sintro) vão se reunir com a procuradoria do trabalho para tentar chegar a um acordo.
Tumulto
A assembléia de ontem à tarde no Sintro foi marcada pelo tumulto. Alguns sócios do sindicato, que são contrários à gestão de Júnior Rodoviário, aproveitaram para protestar contra a votação do vereador a favor da taxação dos funcionários público em 11%. Em determinado momento o clima esquentou e teve início um empurra-empurra generalizado. Dois sócios mais exaltados tiveram que ser retirados para evitar maiores problemas. ‘‘O pessoal não pode confundir o meu mandato com a presidência do sindicato’’, concluiu o verea
Jornal de hoje - Natal-RN, 10/10/2005
Vereador penaliza população
Júnior Rodoviário, depois de votar a favor da taxação dos inativos e ser bastante criticado pelos servidores, anuncia greve para protestar fim da gratuidade concedida aos rodoviários
Os motoristas e cobradores de ônibus urbanos ameaçam fazer nova greve na próxima terça-feira, 11 de outubro, em virtude da possível suspensão da gratuidade concedida à categoria nas viagens intermunicipais. O fim do benefício foi sugerido pelo Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Passageiros de Natal (Seturn), mas a categoria diz que isso significa descumprir a convenção coletiva.
Hoje de manhã ocorreu uma paralisação de advertência de uma hora (entre 10h e 11h) em frente ao Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários do Estado (Sintro), causando um grande congestionamento na avenida Rio Branco, na altura do viaduto do Baldo, mas que repercutiu em todas as vias adjacentes.
O presidente do Sintro, Júnior Rodoviário, acredita que a medida imposta pelo sindicato patronal é uma represália a ele, que na condição de vereador da cidade votou a favor da manutenção da gratuidade na passagem para idosos e portadores de deficiência física, ainda esta semana, na Câmara Municipal.
"O protesto é uma advertência, pois já aprovamos em assembléia o indicativo de greve para terça-feira, por tempo indeterminado. Vou continuar votando a favor dos idosos. Os empresários querem jogar os rodoviários contra mim", criticou o vereador e presidente do sindicato. Júnior Rodoviário lembra que a gratuidade para os rodoviários urbanos que precisam viajar em ônibus intermunicipais existe há mais de sete anos.
Outro motivo para o ato público de hoje é a cobrança de medidas para minimizar os índices de assaltos nos ônibus. O vice-presidente do Sintro, Rosendo Ferreira da Costa, disse que este ano um motorista foi baleado durante o trabalho e que os casos de assalto à mão armada não se restringem mais ao horário noturno. "Se nada for feito vamos pressionar para que os ônibus transitem apenas até às 22h", disse.
Os trechos mais perigosos para as viagens de ônibus são o Km 6, entre o viaduto das Quintas e a empresa São Geraldo, por onde passam linhas como a 20 e 41; Bairro Nordeste e Vale Dourado. Na divisa de Cidade Nova com bairro Pitimbu (zona sul) também são comuns os assaltos. O problema está refletindo na decisão dos rodoviários, em votar a favor do desarmamento no referendo de 23 de outubro.
A mesma parada de advertência se repetirá no final da tarde, entre 17h e 18h. Os usuários foram pegos de surpresa com o ato e tiveram de esperar o fim do movimento para retomar a viagem. Paula Erimar Almeida, dona de casa, estava no ônibus 44, indo para o Alecrim, mas não reclamou da paralisação. "Moro no Planalto e cortaram da gente o circular, precisamos andar a pé muitos metros. Dentro do ônibus, principalmente do 38, acontece muito assalto. Esta semana levaram até a sandália do meu filho", reclamou.
Maria Eunice de Melo, aposentada, acha legítima a parada, principalmente porque preza pela segurança dos usuários, mas reclama que foi pega de surpresa. "Eles tinham de avisar a gente. A gente demora pra chegar em casa e deixa a família preocupada", ressalta.
A STTU e a PM davam apoio ao movimento para evitar transtornos aos usuários. O supervisor de campo da STTU, Fernando Marcelo, informou que na parada desta tarde, a partir das 16h30, a secretaria providenciará um desvio para os ônibus a caminho da zona norte, que passarão pela Metropolitana, pela avenida Rio Bahia em direção ao Alecrim. Os ônibus que vêm do Alecrim poderão passar pela avenida Alexandrino de Alencar. A tentativa será diminuir o número de ônibus no congestionamento.
IRRESPONSÁVEL
O diretor de comunicação do Seturn, Augusto Maranhão, considerou irresponsável o ato de hoje. "O fórum correto para discutirmos qualquer impasse de ordem trabalhista é a Procuradoria do Trabalho e não o meio da rua. Essa parada trouxe prejuízo a milhares de usuários e causou transtornos irresponsáveis à cidade", disse.
Ele afirma que quanto à gratuidade dos rodoviários nos ônibus urbanos, os empresários estão cumprindo rigorosamente a cláusula 5ª da convenção coletiva, que estabelece o benefício aos rodoviários nas empresas metropolitanas, mas não às empresas como Jardinense, Cabral e Nordeste. Segundo Maranhão, esse benefício era concedido por benevolência empresarial, mas agora as empresas estão reordenando o sistema para proibir qualquer gratuidade desnecessária. "Não tem consistência a alegação de represália. A atuação parlamentar é livre, não trabalhamos com isso", garante o diretor do Seturn.
Sobre a ameaça de greve, Augusto Maranhão afirma que os empresários vão aguardar qualquer chamamento da Procuradoria do Trabalho para buscar a conciliação. "São eles que resolvem se vão entrar em greve, não nós", concluiu.
Motoristas de ônibus entram em greve nesta terça
Foi confirmada em assembléia no final da tarde desta sexta (07/10) a paralisação dos motoristas de ônibus urbanos a partir da zero hora desta terça-feira (11/10). A decisão da categoria foi unânime. Pela manhã, o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro RN) promoveu uma paralisação de uma hora no largo do viaduto do Baldo, com a intenção da anunciar a greve para sociedade. Durante as 10h e 11h da manhã de ontem, todos os ônibus que passavam pelo largo foram parados, e a fila de veículos na ladeira do Baldo fechava toda a extensão da rua.
Segundo o presidente do Sintro, o vereador Júnior Rodoviário, o motivo da greve é o cancelamento do passe livre, que possibilita motoristas e cobradores das linhas urbanas viajarem de graça nas intermunicipais, e vice e versa. Para o vereador, a atitude do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos (Seturn) em não permitir a gratuidade é uma retaliação pessoal ao seu mandato. ‘‘Eles estão com raiva porque eu votei a favor da diminuição do passe do idoso (de 65 para 60 anos). É a mesma coisa que já fizeram antes. Eles precisam entender que eu sou vereador da cidade, e que não podem interferir nos meus votos’’, bradou Júnior Rodoviário.
O diretor de comunicação do Seturn, Augusto Maranhão, afirmou que a paralisação dos rodoviários foi ‘‘estranha e descabida’’. Para ele, não há legitimidade na reivindicação, já que o passe livre dos trabalhadores de transporte em ônibus urbanos não é convencionado. ‘‘Estamos em audiência permanente para resolver os problemas alegados. O passe livre era uma benevolência das empresas urbanas, e com o agravamento da situação delas, estamos cortando todos os gastos extras’’, declarou o diretor.
Já Rodoviário afirma que a gratuidade dos motoristas, tanto urbanos como intermunicipais, é garantido pelo acordo coletivo feito entre o Sintro, Seturn e o Setrans, com validade até 30 de abril de 2006. ‘‘Não estamos pedindo esmola. é um direito nosso que deve ser garantido’’, reforçou Rodoviário.
Para Augusto Maranhão, o vereador foi ‘‘irresponsável’’ com a paralisação. Ele informa que, se a greve for mesmo decretada, o Seturn entrará com pedido na Procuradoria do Trabalho para pedir a ilegalidade do movimento. ‘‘Não há descumprimento de cláusula convencional’’, disse. Quanto à acusação de Júnior Rodoviário de que o Seturn estaria querendo prejudicar o seu mandato, Augusto Maranhão respondeu: ‘‘Do seu mandato parlamentar, ele deve satisfação aos seus eleitores. Não temos nada a ver com isso e não fazemos intervenção. Isso é conversa fiada do parlamentar Júnior Rodoviário’’.
A greve dos ônibus urbanos está programada para a próxima terça-feira, e apenas os 30% de frota emergencial estará funcionado. Mas antes, na segunda-feira, os dois sindicatos (Seturn e Sintro) vão se reunir com a procuradoria do trabalho para tentar chegar a um acordo.
Tumulto
A assembléia de ontem à tarde no Sintro foi marcada pelo tumulto. Alguns sócios do sindicato, que são contrários à gestão de Júnior Rodoviário, aproveitaram para protestar contra a votação do vereador a favor da taxação dos funcionários público em 11%. Em determinado momento o clima esquentou e teve início um empurra-empurra generalizado. Dois sócios mais exaltados tiveram que ser retirados para evitar maiores problemas. ‘‘O pessoal não pode confundir o meu mandato com a presidência do sindicato’’, concluiu o verea
Jornal de hoje - Natal-RN, 10/10/2005
Vereador penaliza população
Júnior Rodoviário, depois de votar a favor da taxação dos inativos e ser bastante criticado pelos servidores, anuncia greve para protestar fim da gratuidade concedida aos rodoviários
Os motoristas e cobradores de ônibus urbanos ameaçam fazer nova greve na próxima terça-feira, 11 de outubro, em virtude da possível suspensão da gratuidade concedida à categoria nas viagens intermunicipais. O fim do benefício foi sugerido pelo Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Passageiros de Natal (Seturn), mas a categoria diz que isso significa descumprir a convenção coletiva.
Hoje de manhã ocorreu uma paralisação de advertência de uma hora (entre 10h e 11h) em frente ao Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários do Estado (Sintro), causando um grande congestionamento na avenida Rio Branco, na altura do viaduto do Baldo, mas que repercutiu em todas as vias adjacentes.
O presidente do Sintro, Júnior Rodoviário, acredita que a medida imposta pelo sindicato patronal é uma represália a ele, que na condição de vereador da cidade votou a favor da manutenção da gratuidade na passagem para idosos e portadores de deficiência física, ainda esta semana, na Câmara Municipal.
"O protesto é uma advertência, pois já aprovamos em assembléia o indicativo de greve para terça-feira, por tempo indeterminado. Vou continuar votando a favor dos idosos. Os empresários querem jogar os rodoviários contra mim", criticou o vereador e presidente do sindicato. Júnior Rodoviário lembra que a gratuidade para os rodoviários urbanos que precisam viajar em ônibus intermunicipais existe há mais de sete anos.
Outro motivo para o ato público de hoje é a cobrança de medidas para minimizar os índices de assaltos nos ônibus. O vice-presidente do Sintro, Rosendo Ferreira da Costa, disse que este ano um motorista foi baleado durante o trabalho e que os casos de assalto à mão armada não se restringem mais ao horário noturno. "Se nada for feito vamos pressionar para que os ônibus transitem apenas até às 22h", disse.
Os trechos mais perigosos para as viagens de ônibus são o Km 6, entre o viaduto das Quintas e a empresa São Geraldo, por onde passam linhas como a 20 e 41; Bairro Nordeste e Vale Dourado. Na divisa de Cidade Nova com bairro Pitimbu (zona sul) também são comuns os assaltos. O problema está refletindo na decisão dos rodoviários, em votar a favor do desarmamento no referendo de 23 de outubro.
A mesma parada de advertência se repetirá no final da tarde, entre 17h e 18h. Os usuários foram pegos de surpresa com o ato e tiveram de esperar o fim do movimento para retomar a viagem. Paula Erimar Almeida, dona de casa, estava no ônibus 44, indo para o Alecrim, mas não reclamou da paralisação. "Moro no Planalto e cortaram da gente o circular, precisamos andar a pé muitos metros. Dentro do ônibus, principalmente do 38, acontece muito assalto. Esta semana levaram até a sandália do meu filho", reclamou.
Maria Eunice de Melo, aposentada, acha legítima a parada, principalmente porque preza pela segurança dos usuários, mas reclama que foi pega de surpresa. "Eles tinham de avisar a gente. A gente demora pra chegar em casa e deixa a família preocupada", ressalta.
A STTU e a PM davam apoio ao movimento para evitar transtornos aos usuários. O supervisor de campo da STTU, Fernando Marcelo, informou que na parada desta tarde, a partir das 16h30, a secretaria providenciará um desvio para os ônibus a caminho da zona norte, que passarão pela Metropolitana, pela avenida Rio Bahia em direção ao Alecrim. Os ônibus que vêm do Alecrim poderão passar pela avenida Alexandrino de Alencar. A tentativa será diminuir o número de ônibus no congestionamento.
IRRESPONSÁVEL
O diretor de comunicação do Seturn, Augusto Maranhão, considerou irresponsável o ato de hoje. "O fórum correto para discutirmos qualquer impasse de ordem trabalhista é a Procuradoria do Trabalho e não o meio da rua. Essa parada trouxe prejuízo a milhares de usuários e causou transtornos irresponsáveis à cidade", disse.
Ele afirma que quanto à gratuidade dos rodoviários nos ônibus urbanos, os empresários estão cumprindo rigorosamente a cláusula 5ª da convenção coletiva, que estabelece o benefício aos rodoviários nas empresas metropolitanas, mas não às empresas como Jardinense, Cabral e Nordeste. Segundo Maranhão, esse benefício era concedido por benevolência empresarial, mas agora as empresas estão reordenando o sistema para proibir qualquer gratuidade desnecessária. "Não tem consistência a alegação de represália. A atuação parlamentar é livre, não trabalhamos com isso", garante o diretor do Seturn.
Sobre a ameaça de greve, Augusto Maranhão afirma que os empresários vão aguardar qualquer chamamento da Procuradoria do Trabalho para buscar a conciliação. "São eles que resolvem se vão entrar em greve, não nós", concluiu.

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