quinta-feira, outubro 13, 2005

Diário da Manhã - Goiânia-GO, 13/10/2005


Qualidade do sistema não vale reajuste de 20%, diz usuário

O novo preço da passagem de ônibus, R$ 1,80, que passa a ser cobrado a partir de hoje, segundo decisão tomada na última quarta-feira à noite pela Câmara Deliberativa de Transporte Coletivo (CDTC), causou descontentamento até mesmo entre os usuários mais otimistas. O comentário mais comum nos pontos de coletivos é que aumento de R$ 0,30 na tarifa não é justa frente à qualidade oferecida pelo sistema. Na ponta do lápis, um trabalhador que utiliza coletivo, pelo menos, duas vezes ao dia – para ir e voltar do emprego –, seis dias por semana, vai desembolsar um total de R$ 14,40 a mais por mês ou 4% do salário mínimo.

“Acho um absurdo, porque aumentam a passagem, mas não melhoram o transporte. A gente que vem massacrada dentro dos ônibus todo dia é que sabe o quanto isso vai custar”, afirma a auxiliar de cozinha Vilma Rocha da Silva, 36, que mora no Conjunto Alphaville e utiliza a linha Parque Oeste Industrial – Universitário.

Os serventes de obra Alex Rodrigues de Melo, 24, e Rogério da Silva Aquino, 20, moram em Aparecida de Goiânia e vão juntos para o trabalho no Setor Universitário. Desde o ponto perto de suas casas até o destino final passam por três terminais (Garavelo, Bandeiras e Praça da Bíblia) e utilizam quatro ônibus nas baldeações. A superlotação, segundo eles, é uma constante nos horários em que usam o transporte (às 5h15 e 19 horas). Com todo este sacrifício, o reajuste é visto como um desrespeito.

“Nesse emprego, a gente ainda recebe o sitpass, mas daqui a pouco, quando acabar esta obra, vai pesar no orçamento. Tem gente que vai ter que escolher entre o leite ou a carne em casa para pagar a passagem”, critica Alex.

Garantia – O presidente da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), Marcos Massad, garante que os recursos adquiridos pelas empresas de ônibus com o reajuste da tarifa serão revertidos em benefícios aos usuários.

Conforme ele, existe compromisso das mantenedoras do transporte com a CMTC de que, no máximo, em 90 dias, 200 novos veículos sejam acrescidos à frota total, que hoje é de aproximadamente 1.400 ônibus, fora os da reserva. Para ele, esse número vai resolver o problema do sistema em Goiânia. “Em março que vem vence a licitação de todas as linhas. Quem não tiver competência para oferecer transporte de forma adequada não vai continuar”, afirma o presidente.

Massad descarta novos aumentos até o final do ano e diz que somente quando o sistema estiver totalmente solucionado é que poderão surgir discussões sobre novos valores. O reajuste que chegou a ser proposto era de 42,6%, com tarifa de R$ 2,14. O recuo para R$ 1,80, diz Massad, foi forma de atender tanto às empresas quanto à população.