terça-feira, outubro 11, 2005

Diário da Manhã - Goiânia-GO, 11/10/2005


Governo descarta tarifa a R$ 2,14
Valor da passagem deve ficar entre R$ 1,65 e R$ 2

O governo estadual não vai aceitar o reajuste da passagem do transporte coletivo na Grande Goiânia para R$ 2,14. O secretário estadual de Cidades e presidente da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC), Ademir Menezes, se reuniu ontem à noite com o governador Marconi Perillo para discutir o assunto. “Esse valor (R$ 2,14) está descartado. Agora vamos analisar amanhã (hoje) o que for preciso. Talvez seja marcada uma segunda reunião para decidir sobre o assunto”, disse.

A CDTC se reúne hoje, às 17 horas, para decidir sobre o reajuste. O valor de R$ 2,14 foi estabelecido em parecer técnico da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), mas pressões políticas e a má-repercussão que a notícia teve na mídia devem fazer a nova tarifa ficar mais baixa, entre R$ 1,65 e R$ 2, de acordo com os representantes da Câmara entrevistados pelo DM. O governo estadual, inclusive, deve montar um bloco contra o reajuste proposto pela Companhia.

A CDTC é dividida entre representantes da Prefeitura de Goiânia (4), entre eles o prefeito Iris Rezende, Governo do Estado (2), Assembléia Legislativa (1), Prefeitura de Aparecida (1), e demais prefeituras da região metropolitana (1). Apesar de ter a maioria, a Prefeitura de Goiânia deve encontrar dificuldades em aprovar um valor acima de R$ 2, se forem verídicas as declarações dos entrevistados. Aparentemente, todos se dizem contra reajuste que eleve a tarifa para esse valor ou acima. De acordo com os representantes da Câmara, é preciso encontrar um “consenso” entre as necessidades dos empresários e as possibilidades dos passageiros de ônibus.

O prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Vieira, que representa as prefeituras do Entorno de Goiânia, disse que existe uma discussão em torno do valor de R$ 1,80 e que todos os colegas com quem tem conversado se mostraram contrários ao valor de R$ 2. Inclusive o prefeito Iris Rezende. “Acho que R$ 1,65 seria um valor mais aceitável”, disse Vanderlan, para quem a decisão da nova tarifa sai hoje.

Contrário – Os quatro representantes da Prefeitura de Goiânia devem formar bloco e seguir a orientação de Iris. O superintendente da Superintendência Municipal de Trânsito, Paulo Sanches, por exemplo, disse que se reuniria hoje com o prefeito para saber o que votar.

O secretário municipal de Planejamento, Francisco Rodrigues, disse que R$ 2,14 é um valor “exagerado” e, apesar de ser favorável ao reajuste, acredita que “não se deve repor tanto tempo sem reajuste de uma vez só”. Ele se refere ao fato de a passagem ter ficado 30 meses sem aumento. A última vez foi em março de 2003, quando passou de R$ 1,25 para R$ 1,50.

O relatório da Companhia Metropolitana cede às pressões dos empresários do setor, que alegam defasagem por causa do aumento dos custos com combustível, manutenção dos veículos, investimentos na frota, e folha de pagamento. O presidente da CMTC, Marcos Massad, afirmou que o relatório sugeriu um valor “técnico” e que os representantes da Câmara podem decidir por preço menor.

IMPEDIMENTO – Algo que pode emperrar a votação é a falta do parecer técnico da Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR), cujo presidente, Wanderlino Teixeira de Carvalho, também participa da reunião. “Nós não recebemos até hoje os dados necessários da CMTC para fazer uma avaliação, então nos recusamos a informar o parecer. Pode até haver a votação, mas não sei o que pode acontecer depois”, disse, indicando um possível questionamento da Justiça.

A deputada Isaura Lemos (PDT), que representa a Assembléia na Câmara, declarou ser contra R$ 2,14, mas acredita que a votação não acontecerá neste encontro. “Vamos pedir um tempo para analisar a proposta”, disse. Ela afirmou que vai questionar a forma como o valor da tarifa é calculado.