O Norte online - João Pessoa-PB, 13/10/2005
Quebradeira e protestos
Estudantes que acompanhavam reunião do Conselho Tarifário são acusados de quebrar porta de vidro, teto e danificar os banheiros da STTrans
Opessoense pode começar a pagar R$ 1,50 pela tarifa de ônibus nos próximos dias. Tudo vai depender agora da homologação do prefeito, que deverá ser feita dentro de, no máximo, um mês. É que o novo preço, a ser apreciado e aprovado ainda pelo chefe da administração municipal, já foi votado pelo Conselho Deliberativo da Superintendência de Transportes e Trânsito de João Pessoa (STTrans) ontem pela manhã. Enquanto aguardavam a decisão sobre o índice de reajuste, secundaristas e universitários tomaram o primeiro andar da sede da superintendência, como forma de pressionar a comissão contra o aumento. Durante a ocupação, a porta de vidro da entrada do prédio foi estilhaçada, o teto quebrado, banheiros danificados e muitos papéis higiênicos espalhados pelos corredores.
O Conselho Deliberativo da STTrans começou a se reunir por volta das 10h30 para decidir sobre os novos preços das passagens de ônibus na Capital. A decisão sobre a nova tarifa só foi anunciada, aproximadamente, ao meio-dia, depois de muita discussão em torno do assunto.
A votação contou apenas com um voto contra o reajuste, por parte do dirigente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPB, Vicente Ximenes. A proposta inicial dos empresários era de um aumento de R$ 1,30 para R$ 1,56. Após longa explanação feita pelo assessor especial da STTrans, Nilton Pereira, o conselho acabou definindo a proposta de R$ 1,50, mesmo reafirmando que, com tal valor, todos os custos não estariam sendo cobertos.
Na planilha apresentada pela STTrans, os custos com pessoal gira em torno 35,09%, com combustíveis fica em cerca de 26,67%, com tributos aproximadamente 13,15% e com perdas referentes à implantação do terminal de integração, um percentual de 3,41%.
Com relação à proposta anunciada anteriormente pela Associação das Empresas de Transportes Coletivos de João Pessoa (AETC-JP), de R$ 1,56 para a tarifa, o diretor executivo da organização ressaltou que "mesmo tendo recuado e acatado a proposta da STTrans de R$ 1,50, o valor inicial de R$ 1,56 foi apresentado com base na planilha técnica, que é aprovada (modelo) pelo Ministério dos Transportes", ressaltou.
Sobre a votação do conselho, o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPB, Vinícius Ximenes, considerou o reajuste indevido e previu mais manifestações pelas ruas da cidade. "Iremos continuar mobilizados para que o prefeito não homologue o aumento, sugerindo que se tente a alternativa de verbas municipais (para financiar as passagens de estudante). Dois reajustes em um mesmo ano é inadmissível. Defendemos, inclusive, a reformulação do Conselho Deliberativo, que deveria ter seus membros escolhidos em plenárias", destacou.
Manifestação durante reunião
Bem antes do Conselho se reunir, por volta das 8h, dezenas de estudantes tentaram ocupar os corredores do primeiro andar do prédio onde fica a superintendência da STTrans. Na versão dos estudantes, funcionários e guardas municipais tentaram impedir a entrada dos manifestantes. No confronto, a porta de vidro da entrada do prédio foi atingida e estilhaçada. Parte do forro do teto, constituída por material frágil de isopor, foi quebrada. No final da manhã, vários pedaços de papel higiênico, retirados dos banheiros danificados, poderiam ser vistos espalhados pelo chão.
Apesar do cenário, o representante da Associação Pessoense dos Estudantes Secundaristas (Apes), garante que a categoria fez manifestações pacíficas, porém existiam pessoas infiltradas entre os estudantes que quiseram desorganizar o movimento. "Alguns pularam, agitaram e quebraram parte do teto. Com relação às portas de vidro, foram pessoas infiltradas no movimento que queriam anarquizar. Mas a classe estudantil não está diluída e vamos protestar contra o aumento", justifica.
Paralelamente, enquanto acontecia reunião, estudantes do Lyceu Paraibano e Sesc Centenário também fechavam a avenida Epitácio Pessoa, nas imediações da 3ª Delegacia Distrital. A iniciativa causou congestionamento na via e em ruas transversais.
INDICADORES INFLACIONÁRIOS
O reajuste de 2005 ao qual Ximenes se refere foi votado pelo Conselho Deliberativo do ano passado, ainda na gestão de Cícero Lucena. Porém, o prefeito anterior não homologou a nova tarifa até o término do mandato, deixando para a atual administração tal tarefa. Assim, só em março deste ano o preço passou de R$ 1,20 para R$ 1,30.
A superintendente da STTrans, Aracilba Rocha, explicou que a decisão de ontem foi baseada em indicadores inflacionários. "Levamos em conta os indicadores inflacionários, como combustível e o impacto do Sistema de Integração. Não consideramos os custos de manutenção que devem ser investimentos das próprias empresas. Agora encaminharemos a decisão ao prefeito. A homologação deve sair em um prazo de no máximo 30 dias. Assim que isso for feito o novo valor entra em vigor", esclareceu.
Quanto aos estragos na estrutura do prédio durante a ocupação por parte dos estudantes, a superintendente informou que as providências já foram tomadas. "Não havia motivo para tais atos, pois não impedimos os estudantes de entrar", garante. "Já fizemos o B.O. (Boletim de Ocorrência) policial. Filmamos e constatamos tudo para podermos recompor o que foi danificado do patrimônio público", disse.
Ato em frente ao Paço
Em protesto contra a aprovação da nova tarifa de ônibus da Capital, os estudantes pessoenses realizaram diversos movimentos durante o dia de ontem. Durante a manhã, eles quebraram as portas de vidro da STTrans, no bairro do Cristo, durante a reunião entre o órgão e o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito. No início da tarde, com a aprovação do aumento para R$ 1,50, os estudantes se reuniram em frente ao prédio do Paço municipal, no Centro da cidade e queimaram pneus, interditando o trânsito por mais de uma hora.
O protesto começou às 13h40, causando um imenso engarrafamento entre o Terminal de Integração e a Praça Antenor Navarro, no Varadouro. A STTrans enviou cerca de 10 fiscais e 20 agentes da STTrans para orientarem os motoristas que ficaram presos no congestionamento. Para evitar maiores transtornos e prejuízos para a população, a STTrans pediu reforço à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros.
Os diversos pneus queimados provocaram uma imensa nuvem de fumaça e fuligem, que causou irritação em dezenas de pessoas presentes. "Para evitar maiores problemas, enviamos mais de 30 agentes de trânsito, além dos policiais militares e bombeiros", informou uma funcionária da STTrans.
Segundo o presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (AETC-JP), Mário Tourinho, não houve nenhum caso de ônibus depredado durante o protesto. "Não tivemos conhecimento de nenhum carro que houvesse sido danificado. Acreditamos que o prefeito Ricardo Coutinho, que respeita muito os fóruns competentes como esse, que representa a sociedade, acate o nosso pedido e nos conceda o aumento", disse.
A decisão será apreciada pelo prefeito de João Pessoa, a quem cabe sancionar o reajuste. Caso seja concedido, este será o segundo aumento do ano. O primeiro ocorreu em março, quando a passagem passou de R$ 1,15 para R$ 1,30. A justificativa dada pelos empresários, para o segundo aumento do ano seria o fato de, no ano passado, não ter acontecido o aumento tradicional do mês de julho. De acordo com os empresários do setor, os itens que mais pesam na planilha de custos, em João Pessoa, são o óleo diesel e a folha de pagamento.
Quebradeira e protestos
Estudantes que acompanhavam reunião do Conselho Tarifário são acusados de quebrar porta de vidro, teto e danificar os banheiros da STTrans
Opessoense pode começar a pagar R$ 1,50 pela tarifa de ônibus nos próximos dias. Tudo vai depender agora da homologação do prefeito, que deverá ser feita dentro de, no máximo, um mês. É que o novo preço, a ser apreciado e aprovado ainda pelo chefe da administração municipal, já foi votado pelo Conselho Deliberativo da Superintendência de Transportes e Trânsito de João Pessoa (STTrans) ontem pela manhã. Enquanto aguardavam a decisão sobre o índice de reajuste, secundaristas e universitários tomaram o primeiro andar da sede da superintendência, como forma de pressionar a comissão contra o aumento. Durante a ocupação, a porta de vidro da entrada do prédio foi estilhaçada, o teto quebrado, banheiros danificados e muitos papéis higiênicos espalhados pelos corredores.
O Conselho Deliberativo da STTrans começou a se reunir por volta das 10h30 para decidir sobre os novos preços das passagens de ônibus na Capital. A decisão sobre a nova tarifa só foi anunciada, aproximadamente, ao meio-dia, depois de muita discussão em torno do assunto.
A votação contou apenas com um voto contra o reajuste, por parte do dirigente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPB, Vicente Ximenes. A proposta inicial dos empresários era de um aumento de R$ 1,30 para R$ 1,56. Após longa explanação feita pelo assessor especial da STTrans, Nilton Pereira, o conselho acabou definindo a proposta de R$ 1,50, mesmo reafirmando que, com tal valor, todos os custos não estariam sendo cobertos.
Na planilha apresentada pela STTrans, os custos com pessoal gira em torno 35,09%, com combustíveis fica em cerca de 26,67%, com tributos aproximadamente 13,15% e com perdas referentes à implantação do terminal de integração, um percentual de 3,41%.
Com relação à proposta anunciada anteriormente pela Associação das Empresas de Transportes Coletivos de João Pessoa (AETC-JP), de R$ 1,56 para a tarifa, o diretor executivo da organização ressaltou que "mesmo tendo recuado e acatado a proposta da STTrans de R$ 1,50, o valor inicial de R$ 1,56 foi apresentado com base na planilha técnica, que é aprovada (modelo) pelo Ministério dos Transportes", ressaltou.
Sobre a votação do conselho, o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPB, Vinícius Ximenes, considerou o reajuste indevido e previu mais manifestações pelas ruas da cidade. "Iremos continuar mobilizados para que o prefeito não homologue o aumento, sugerindo que se tente a alternativa de verbas municipais (para financiar as passagens de estudante). Dois reajustes em um mesmo ano é inadmissível. Defendemos, inclusive, a reformulação do Conselho Deliberativo, que deveria ter seus membros escolhidos em plenárias", destacou.
Manifestação durante reunião
Bem antes do Conselho se reunir, por volta das 8h, dezenas de estudantes tentaram ocupar os corredores do primeiro andar do prédio onde fica a superintendência da STTrans. Na versão dos estudantes, funcionários e guardas municipais tentaram impedir a entrada dos manifestantes. No confronto, a porta de vidro da entrada do prédio foi atingida e estilhaçada. Parte do forro do teto, constituída por material frágil de isopor, foi quebrada. No final da manhã, vários pedaços de papel higiênico, retirados dos banheiros danificados, poderiam ser vistos espalhados pelo chão.
Apesar do cenário, o representante da Associação Pessoense dos Estudantes Secundaristas (Apes), garante que a categoria fez manifestações pacíficas, porém existiam pessoas infiltradas entre os estudantes que quiseram desorganizar o movimento. "Alguns pularam, agitaram e quebraram parte do teto. Com relação às portas de vidro, foram pessoas infiltradas no movimento que queriam anarquizar. Mas a classe estudantil não está diluída e vamos protestar contra o aumento", justifica.
Paralelamente, enquanto acontecia reunião, estudantes do Lyceu Paraibano e Sesc Centenário também fechavam a avenida Epitácio Pessoa, nas imediações da 3ª Delegacia Distrital. A iniciativa causou congestionamento na via e em ruas transversais.
INDICADORES INFLACIONÁRIOS
O reajuste de 2005 ao qual Ximenes se refere foi votado pelo Conselho Deliberativo do ano passado, ainda na gestão de Cícero Lucena. Porém, o prefeito anterior não homologou a nova tarifa até o término do mandato, deixando para a atual administração tal tarefa. Assim, só em março deste ano o preço passou de R$ 1,20 para R$ 1,30.
A superintendente da STTrans, Aracilba Rocha, explicou que a decisão de ontem foi baseada em indicadores inflacionários. "Levamos em conta os indicadores inflacionários, como combustível e o impacto do Sistema de Integração. Não consideramos os custos de manutenção que devem ser investimentos das próprias empresas. Agora encaminharemos a decisão ao prefeito. A homologação deve sair em um prazo de no máximo 30 dias. Assim que isso for feito o novo valor entra em vigor", esclareceu.
Quanto aos estragos na estrutura do prédio durante a ocupação por parte dos estudantes, a superintendente informou que as providências já foram tomadas. "Não havia motivo para tais atos, pois não impedimos os estudantes de entrar", garante. "Já fizemos o B.O. (Boletim de Ocorrência) policial. Filmamos e constatamos tudo para podermos recompor o que foi danificado do patrimônio público", disse.
Ato em frente ao Paço
Em protesto contra a aprovação da nova tarifa de ônibus da Capital, os estudantes pessoenses realizaram diversos movimentos durante o dia de ontem. Durante a manhã, eles quebraram as portas de vidro da STTrans, no bairro do Cristo, durante a reunião entre o órgão e o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito. No início da tarde, com a aprovação do aumento para R$ 1,50, os estudantes se reuniram em frente ao prédio do Paço municipal, no Centro da cidade e queimaram pneus, interditando o trânsito por mais de uma hora.
O protesto começou às 13h40, causando um imenso engarrafamento entre o Terminal de Integração e a Praça Antenor Navarro, no Varadouro. A STTrans enviou cerca de 10 fiscais e 20 agentes da STTrans para orientarem os motoristas que ficaram presos no congestionamento. Para evitar maiores transtornos e prejuízos para a população, a STTrans pediu reforço à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros.
Os diversos pneus queimados provocaram uma imensa nuvem de fumaça e fuligem, que causou irritação em dezenas de pessoas presentes. "Para evitar maiores problemas, enviamos mais de 30 agentes de trânsito, além dos policiais militares e bombeiros", informou uma funcionária da STTrans.
Segundo o presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (AETC-JP), Mário Tourinho, não houve nenhum caso de ônibus depredado durante o protesto. "Não tivemos conhecimento de nenhum carro que houvesse sido danificado. Acreditamos que o prefeito Ricardo Coutinho, que respeita muito os fóruns competentes como esse, que representa a sociedade, acate o nosso pedido e nos conceda o aumento", disse.
A decisão será apreciada pelo prefeito de João Pessoa, a quem cabe sancionar o reajuste. Caso seja concedido, este será o segundo aumento do ano. O primeiro ocorreu em março, quando a passagem passou de R$ 1,15 para R$ 1,30. A justificativa dada pelos empresários, para o segundo aumento do ano seria o fato de, no ano passado, não ter acontecido o aumento tradicional do mês de julho. De acordo com os empresários do setor, os itens que mais pesam na planilha de custos, em João Pessoa, são o óleo diesel e a folha de pagamento.

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