quarta-feira, março 08, 2006

O Estado de São Paulo - São Paulo-SP, 08/03/2006


Suspeita: greve é pró-patrões
Ministério Público vai investigar se, de novo, sindicato defende empresários

O Ministério Público Estadual vai investigar se a greve de ontem foi mais um caso em que o sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus organizou paralisações para defender interesses de empresários do setor. A suspeita foi levantada ontem pela promotora Maria da Glória Borin Gavião de Almeida, diretora do Centro de Apoio da Promotoria do Consumidor, que acompanha 30 investigações sobre o assunto, abertas após manifestação em novembro passado. "Já suscitamos a semelhança desta nova paralisação com aquela. Vamos apurar", afirmou a promotora. "Como já existem investigações nesse sentido, os fatos serão apurados nos procedimentos existentes."

Há quatro meses, 400 ônibus foram retirados das ruas em protesto contra ameaça de não pagamento do 13º salário, o que fez o MPE abrir procedimento para apurar possível conluio entre sindicalistas e empresários de ônibus. O procedimento foi dividido e hoje há uma investigação para cada empresa. Até agora, não houve acordo, nem proposta de ação em nenhum dos 30 casos.

Por várias vezes na gestão passada, motoristas e cobradores cruzaram os braços após a Prefeitura tomar medidas que contrariaram interesses dos empresários. O sindicato trabalhista sempre negou conluio com empresários - locaute -, mas investigação dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, em 2003, na gestão Marta Suplicy, constatou que sindicalistas recebiam até R$ 1,5 milhão para organizar greves. Mas é provável que a prática seja anterior à gestão petista.

Ao todo, 17 dirigentes do sindicato foram presos e hoje respondem ao processo em liberdade. Oficialmente, eles estão afastados do sindicato, mas muitos exercem grande influência nos bastidores. O atual presidente, Isao Hosogi, é um dos melhores amigos de Edivaldo Santiago, que presidia a entidade quando surgiram os escândalos e é acusado de liderar o locaute.

Em março de 2002, o sindicato organizou uma greve dias antes de vencer o prazo da Prefeitura para que empresários renovassem parte da frota com mais de dez anos. O não-cumprimento acarretaria multa às empresas. O sindicato alegou que o protesto era contra possíveis demissões, já que, para investir na compra de veículo, as empresas cortariam pessoal.

A tarifa de ônibus tinha sido reajustada havia menos de um ano e o então secretário de Transportes, Carlos Zarattini, acusou os sindicalistas de locaute. Em fevereiro de 2003, nova greve foi organizada um dia depois de o Ministério Público do Trabalho pedir à Justiça o bloqueio de bens de empresários de ônibus inadimplentes com o INSS. Foram dois dias de paralisação com 3,1 milhões de pessoas prejudicadas. O sindicato alegava que pagamentos estavam atrasados. Mas, nos bastidores, a maior preocupação dos empresários era reduzir as exigências de investimento previstas na licitação.

Nos três primeiros anos da gestão Marta - no último não houve greve - , foram nove grandes paralisações. Os empresários saíram ganhando muitas vezes. Foi assim que conseguiram dois reajustes de tarifa em um ano e meio de governo - de R$ 1,15 para R$ 1,70 - e o fim da cobrança pela Prefeitura de uma taxa de administração, que custava aos empresários R$ 2 milhões por ano.

A falta de entendimento entre governo e empresários também levou à demissão de Zarattini, no fim de 2002.



Prefeitura e empresários chegam, enfim, a um acordo
As negociações sobre valores e ajustes contratuais serão feitas nos próximos dois dias, anuncia SPTrans

Representantes de seis consórcios de ônibus participaram ontem à noite de uma reunião com o secretário municipal de Transportes, Frederico Bussinger, para reivindicar reajustes contratuais nos serviços de transporte coletivo. Ao final do encontro, às 23h50, o presidente da São Paulo Transportes (SPTrans), Ulrich Hoffmann, disse que a Prefeitura e as empresas entraram em acordo. As negociações sobre valores e ajustes contratuais serão feitas nos próximos dois dias.

Antes da reunião, o advogado do sindicato que representa os donos de empresas de ônibus, o SPUrbanus, Carlos Alberto Fernandes Rodrigues de Souza, havia dito que os consórcios estão trabalhando no vermelho, com prejuízos mensais que ultrapassam R$ 46 milhões. Os custos da operação do sistema de transporte, segundo o sindicato, é de R$ 200 milhões mensais, mas a Prefeitura repassa R$ 156 milhões mensais.

Durante a reunião, a expectativa dos empresários era que houvesse um reequilíbrio financeiro no contrato, mas em uma reunião anterior, com vereadores da Comissão de Transportes da Câmara, Bussinger afirmou que a Prefeitura não iria ceder. A secretaria oferecia um reajuste de 9,45% no valor da remuneração por passageiro transportado nos ônibus, o que era considerado insuficiente pelas transportadoras.

O sindicato reivindicava um reajuste de 12,66%, que, segundo os empresários, estava previsto no contrato. Caso o reequilíbrio não fosse acordado entre Prefeitura e SPUrbanus, a decisão poderia parar na Justiça. Mas o sindicato garantia que o serviço de transporte coletivo não iria parar, por conta da obrigação legal de prestar o serviço. O advogado da SPUrbanus afirmava que haveria dificuldades para pagar os salários dos funcionários dessas empresas caso não houvesse o equilíbrio.



Greve de ônibus afeta 727 mil em SP
Número é da SPTrans, mas sindicato fala em 1 milhão; paralisação fica suspensa após promessa de pagamento até amanhã

Terminais e pontos de ônibus lotados. Surpresos, paulistanos descobriram ontem que 70% das garagens de empresas de ônibus ficariam fechadas até as 6 horas, numa paralisação organizada pelo Sindicato dos Motoristas. O motivo alegado foi o não-pagamento do salário de fevereiro, mas a greve reforçou a posição das empresas: seis dos oito consórcios da cidade encostaram a Prefeitura na parede, ameaçando romper o contrato. A promessa das viações de pagar até amanhã os salários fez o sindicato recuar da ameaça de manter a paralisação. Empresários e Prefeitura acenaram à noite com um acordo para o impasse. Antes, a administração obteve liminar exigindo a circulação de toda a frota, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

Conforme o sindicato, pouco mais de 1 milhão de pessoas foram afetadas ontem, nas zonas norte, sul e leste - a São Paulo Transportes (SPTrans) estima que tenham sido 727 mil. Segundo o presidente do sindicato, Isao Hosogi, 4.384 ônibus não circularam na madrugada - 52% da frota. A situação só se normalizou às 9 horas.

À tarde, Hosogi tinha dito que paralisaria hoje até 17 garagens, onde trabalham 23 mil pessoas que não receberam o salário de fevereiro, na sexta-feira. "Se as empresas não estipularem uma data para pagamento do salário, já pensamos em fazer paralisação geral a partir da meia-noite", ameaçou Hosogi, referindo-se à possibilidade de greve por tempo indeterminado nas 17 garagens.

A ofensiva das empresas começou anteontem, quando elas protocolaram documento pedindo rescisão amigável do contrato com a Prefeitura. Elas alegam que a administração acumula dívidas de R$ 50 milhões com o setor e tem deixado de cumprir cláusulas contratuais. O secretário dos Transportes, Frederico Bussinger, disse que não cederia ao que classificou de "chantagem".

Às 4h15, quando os primeiros veículos costumam deixar as garagens rumo ao centro, os pontos de ônibus da Estrada do M'Boi Mirim, zona sul, estavam lotados. "Fiquei sabendo da greve agora, ao ligar o rádio", queixou-se a empregada doméstica Maria Helena dos Reis, de 45 anos. A SPTrans manteve o Terminal Jardim Ângela fechado até as 5h30. Centenas de passageiros tentavam embarcar nos ônibus e microônibus operados pelas cooperativas do sistema local, que não aderiram à paralisação. Muitos lotações circularam com as portas abertas, colocando em risco os passageiros. No Terminal Santo Amaro, a polícia foi chamada para organizar filas. Quando os ônibus voltaram a circular, às 6 horas, passageiros tiveram de brigar por uma vaga.

"Não é justo. Vou perder o dia de serviço", disse o vidraceiro Marcos José Bezerra. Ele deveria ter chegado a Higienópolis às 7 horas, mas naquele horário ainda estava no Terminal A.E. Carvalho, zona leste.

Para evitar novas paralisações, a Prefeitura pediu e obteve uma liminar, assinada pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 3ª Vara da Fazenda Pública, impedindo a interrupção do serviço. "É inegável que o transporte urbano rodoviário de passageiros constitui, indiscutivelmente, serviço essencial. Deve, pois, ser prestado de forma regular e contínua", afirmou a juíza na decisão.

REUNIÃO

Também poderia parar na Justiça a negociação entre os concessionários do transporte coletivo e a Prefeitura. O diálogo entre as partes era difícil. Mas a reunião ontem entre empresários e o secretário Bussinger terminou com a promessa de solução para os problemas em 48 horas. As empresas alegam que o sistema é deficitário em pelo menos R$ 46 milhões. Por isso, pediam um reajuste de 12,66% no valor de remuneração por passageiro. A Prefeitura oferecia 9,45%.



Dois consórcios e quatro viações não pararam

Motivos distintos levaram dois dos oito consórcios que operam o sistema de ônibus da cidade a não participarem da mobilização dos empresários do setor para pressionar a Prefeitura. A Viação Himalaia Transportes, que forma sozinha o Consórcio Himalaia, da zona leste, está trabalhando graças a um contrato emergencial. Já as empresas do Consórcio Sudoeste, responsáveis por linhas nas zonas oeste e sul, tinham dinheiro para pagar o salário dos funcionários em dia e optaram por aguardar o desenrolar das negociações.

Segundo o sindicato dos empresários (SPUrbanus), trabalhadores de 11 empresas participaram da paralisação. Além das garagens dos dois consórcios, não houve paralisação nas das Viações Tupi, Paratodos, Gatusa e Transcuba. Elas fazem parte dos seis consórcios "rebeldes", mas não costumam participar de greves.

A Himalaia tem linhas em Aricanduva, Itaquera, Cidade Tiradentes e São Mateus. O Sudoeste, do qual fazem parte a Gato Preto, Transpass e Oak Tree, opera no Butantã e no Campo Limpo. Fontes ouvidas pelo Estado informaram que as empresas do Sudoeste acumulam prejuízos há meses porque têm de bancar déficits operacionais.



Folha de S. Paulo - São Paulo-SP, 08/03/2006


Greve dos ônibus acaba, mas crise não
Paralisação de três horas pela manhã prejudicou mais de 700 mil; prefeitura e empresários ainda não chegam a acordo

Motoristas de ônibus de São Paulo fizeram uma paralisação em mais de metade das garagens na madrugada de ontem, ameaçaram radicalizar com greve total, mas voltaram atrás depois que as viações prometeram pagar os salários atrasados até amanhã.

Os serviços devem ser mantidos hoje sem interrupção, embora a situação do transporte seguisse sob impasse. Até a meia-noite, empresários continuavam reunidos com integrantes da prefeitura para discutir reajustes ao setor.

A mobilização dos condutores prejudicou 727 mil passageiros até as 6h -de um total superior a 5 milhões por dia. Por conta da determinação do sindicato dos condutores de liberar a partida dos veículos nesse horário, houve superlotação. Os serviços voltaram ao normal só após as 8h.

A paralisação teve impacto no comércio -lojas abriram mais tarde em vários pontos.
Segundo a Secretaria dos Transportes, das 29 garagens do sistema, 16 atrasaram a saída dos ônibus. Elas são ligadas a dois empresários que dominam há décadas os ônibus em São Paulo: José Ruas Vaz e Belarmino Marta.

Os trabalhadores reivindicavam os depósitos dos salários, que deveriam ter sido feitos na última sexta-feira, e ameaçavam ontem à tarde iniciar greve por tempo indeterminado a partir de hoje.

Mas Isao Hosogi, presidente do sindicato da categoria, disse que recebeu a promessa das empresas de pagar os salários até amanhã -colocando fim ao movimento.

A oferta dos patrões ocorreu às 19h30, quando eles já estavam reunidos com a gestão José Serra (PSDB), que obteve liminar na Justiça contra uma nova greve.

A mobilização dos condutores se deu em meio à pressão das viações por reajuste da remuneração e pagamento de dívidas antigas, incluindo R$ 17 milhões de 2004.

Anteontem, numa ação inédita, seis dos oito consórcios protocolaram um pedido para a rescisão dos contratos firmados em 2003, que foi negada pela prefeitura.

As viações alegavam não ter mais condições financeiras. A decisão colocou Serra em situação delicada às vésperas da definição sobre a sua candidatura à Presidência. Ontem ele cancelou viagem a Goiás devido ao impasse.

A ação articulada -reivindicação das viações seguida por greve- reabriu as acusações sobre a existência de locaute. Muitos motoristas nem sabiam que deveriam parar ontem. "Isso não tem nada a ver com a gente. É problema político", afirmou Oswaldo Ferreira Borges, que trabalha em uma viação do Consórcio Plus.



Mesmo após final da paralisação, usuários tiveram de enfrentar ônibus lotados e atrasos; comércio reclama prejuízos
Passageiro espera duas horas no ponto

Uma espera por ônibus seis vezes maior do que a usual foi o que a paralisação durante a madrugada de ontem causou ao programador Wagner Luiz da Costa.

Acostumado a aguardar no terminal João Dias (zona sul) por até 20 minutos, Costa levou mais de duas horas para conseguir pegar um ônibus até o terminal Parque Dom Pedro, onde chegou depois das 10h. O resultado da demora foi o atraso fora do normal para chegar ao trabalho, no bairro Anália Franco (zona leste), onde deveria estar às 9h.

O caso do programador, no entanto, não faz parte dos números da SPTrans (empresa municipal responsável pelos transportes), já que o órgão não contabiliza o total de pessoas que foram atingidas pelo atrasos que ocorreram mesmo após o fim da paralisação. Segundo a entidade, 727 mil passageiros deixaram de pegar ônibus até as 6h.

A auxiliar de limpeza Giovana da Silva, 32, também sofreu com os problemas nos transportes mesmo após o movimento ter sido encerrado. Ela disse ter esperado 40 minutos por um ônibus no terminal São Mateus que a levaria ao centro. O intervalo normal, diz, é de dez minutos.

Jaqueline Rezende, 22, foi outra prejudicada. Ela chegou ao trabalho, em uma loja na rua 25 de Março, apenas às 9h30 -seu horário de entrada é às 7h30. "Só consegui pegar o terceiro ônibus que passou no ponto depois que eles voltaram a funcionar. Todos vinham cheios, com gente presa na porta", conta.

Menos consumidores

Proprietário de duas lojas na região da 25 de Março, Ivo Peixoto, 55, reclamou que, além do atraso dos funcionários, a falta de ônibus afetou o movimento de consumidores. "Quem viria para comprar nem saiu de casa. O movimento caiu cerca de 40%."

Agda Salles, supervisora de outra loja na região, aponta que até os ambulantes tiveram dificuldades para chegar. "A rua ficou vazia. Isso aqui estava o paraíso", brinca, já que não teve as vendas prejudicadas, pois seus clientes fazem compras por telefone.

Na região comercial da rua Teodoro Sampaio (em Pinheiros, zona oeste), o movimento de compradores também diminuiu. "Dá pra ver pela quantidade de pedestres. A rua está mais calma do que o normal", disse Pedro Cerqueira da Silva, 23, assistente de vendas de uma loja de roupas.

Com o pé enfaixado, sem poder andar direito, a digitadora desempregada Valdelice Nascimento, 45, teve que caminhar do terminal Parque Dom Pedro -onde chegou às 5h10 e não havia ônibus- até o bairro da Liberdade para garantir lugar na fila do Centro de Solidariedade ao Trabalhador. "Fiquei mais de uma hora andando", afirmou.



Comissão quer reunir secretário e empresários

Vereadores da Comissão de Transportes e Trânsito da Câmara querem uma acareação amanhã entre Frederico Bussinger, secretário dos Transportes, e os empresários de ônibus para ouvir os dois lados.

"Mesmo que haja um acerto nesta semana, a questão dos contratos é uma bomba que está para explodir", diz Adilson Amadeu (PTB), presidente da comissão. Ele diz que Bussinger já aceitou.

Amadeu faz parte de um grupo de vereadores para quem os contratos deveriam ser rompidos para que começassem outros, com regras diferentes -idéia defendida pelas viações.

Alguns querem investigação da Promotoria sobre a falta de ação da prefeitura.

terça-feira, março 07, 2006

Portal Estadão - 07/03/06


Metroviários ameaçam deixar população sem trens a partir de 6ª feira
Categoria protesta contra instalação de cabines para recarga do Bilhete Único

São Paulo - Mais de 2 milhões de paulistanos poderão ser prejudicados a partir de sexta-feira, dia 10, caso os metroviários da capital paulista decidam entrar em greve. A categoria protesta contra o início da instalação, nas estações da linha 2 (Ana Rosa - Vila Madalena), cabines de um metro de largura por três de comprimento, onde irão funcionar os postos de recarga do Bilhete Único. Posteriormente, segundo os metroviários, essa cabines seriam usadas inclusive para a venda de bilhetes.

Em nota, a direção do Sindicato dos Metroviários afirma que "além de estarem submetidos a péssimas condições de trabalho, as pessoas que irão trabalhar ali, a partir de sexta-feira, serão terceirizadas, sendo privadas de receber os direitos que lhes seriam garantidos se fossem concursados". Na segunda-feira, sindicalistas estiveram no Ministério Público do Trabalho e protocolaram uma representação contra a Companhia do Metropolitano (Metrô) de São Paulo, com o objetivo de barrar "este processo de privatização predatória", assim chamadas as mudanças que vêm sendo implementadas pelo governo do Estado.

Está marcada para esta terça-feira, às 18h30, na sede do sindicato, no Tatuapé, zona leste da cidade, uma assembléia para se organizar a greve da categoria. Segundo os metroviários, a direção do Metrô e o governo estadual aproveitaram a integração dos transportes por ônibus, metrô e trem, via Bilhete Único, para retomar o projeto de terceirização dos serviços públicos. "A necessidade de os bilhetes serem recarregados foi o gancho para se instalar ´guichês-cubículo´ nas estações", afirma o sindicato.
Globo Online, 07/03/2006


Empresas de ônibus falam em romper contrato e Prefeitura diz que é chantagem

A queda de braço entre a Prefeitura de São Paulo e os empresários de ônibus ameaça o transporte público. Nesta segunda-feira, representantes de seis dos oito consórcios de empresas de ônibus em operação na capital pediram a ruptura dos contratos de prestação de serviços, reclamando o pagamento de dívidas da administração com o setor e reivindicando o reajuste da remuneração feita pela Prefeitura aos empresários.

O secretário municipal dos Transportes, Frederico Bussinger, rejeitou o pedido de rompimento dos contratos e acusou os empresários de tentar chantagear a administração para obter vantagens. Ele também disse que donos de empresas atrasaram o pagamento dos salários de motoristas e cobradores com a finalidade de dar o pretexto para a paralisação da categoria.

O pedido de "ruptura amigável" dos contratos com a Prefeitura só não teve a adesão dos consórcios Himalaia (área 4) e Sudoeste (área 8). O Himalaia atua na zona leste, nas regiões de Aricanduva, Itaquera, Cidade Tiradentes e São Mateus. O Sudoeste opera linhas no Butantã e no Campo Limpo, nas zonas oeste e sul, respectivamente. Todos os demais grupos de empresas aderiram ao pedido, reivindicando reajuste de 12,66% do valor de remuneração por passageiro e cobrando uma dívida de R$ 17,5 milhões de dezembro de 2004.

Os empresários ainda argumentaram que o setor acumula perdas de R$ 40 milhões em razão de integrações não pagas no sistema e deram 48 horas para a resposta da Prefeitura. O secretário Bussinger disse que a administração não aceita o pedido.

- A resposta é 'não'. Não há rescisão amigável e eles são obrigados a cumprir o contrato. São prestadores de serviço público e têm obrigação diante da população. Não há nada de amigável na proposta, é um truque - disse.

Bussinger disse que os pagamentos da Prefeitura ao setor estão em dia e argumentou que a dívida de R$ 17,5 milhões, herdada da gestão anterior, foi parcelada da mesma forma que outros débitos antigos. Segundo ele, o pedido o surpreendeu, já que o SPUrbanuss, o sindicato das empresas, vinha negociando o reajuste da remuneração e estudava a proposta de 9,5% feita pela Prefeitura.

- Esse tipo de chantagem era uma prática corriqueira antes. Não vamos aceitar - afirmou.



O Estado de São Paulo - São Paulo-SP, 07/03/2006


Consórcios querem rescisão de contrato e sindicato pára ônibus hoje
Crise com Prefeitura chega ao auge e pode afetar 5 milhões de passageiros; secretário nega que haja dívida

A crise entre a Secretaria Municipal de Transportes (SMT) e as empresas de ônibus chegou ao auge ontem e pode, nos próximos dias, prejudicar cerca de 5 milhões de passageiros, com a retirada de mais de 6 mil ônibus das ruas. Pela manhã, seis dos oito consórcios que prestam serviços em São Paulo entregaram à SMT um pedido de "rescisão amigável" do contrato, alegando atrasos de R$ 50 milhões em pagamentos e descumprimento de cláusulas.

Não bastasse isso, motoristas e cobradores prometeram bloquear, da zero hora às 6 horas de hoje, a saída dos ônibus em 70% das garagens. O protesto deve afetar 1,1 milhão de passageiros. Os trabalhadores alegam que não receberam o salário do mês por causa da situação econômica das empresas. "É a primeira vez que isso ocorre", disse Isao Hosogi, o Jorginho, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores.

Apesar das ameaças, o secretário de Transportes, Frederico Bussinger, disse que a Prefeitura não vai ceder. "A resposta é não. Eles assinaram os contratos porque quiseram e devem respeitá-los", disse, referindo-se aos consórcios. "Eles devem prestar o serviço à população e assim será exigido. Os pagamentos estão rigorosamente em dia e todos os atrasados foram pagos. As empresas estão acostumadas a (fazer) esse tipo de chantagem."

O pedido de "rescisão amigável", na verdade um ultimato, foi feito em nome do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (SPUrbanuss). A entidade exige que a gestão José Serra (PSDB) dê uma resposta em até 48 horas, senão pretende romper o contrato. Assinam o documento os Consórcios Sete, Unisul, Via Sul, Plus, Sambaíba e Bandeirantes, que comandam 75% da frota de 8.417 veículos da cidade e atendem 5 milhões de passageiros por dia. O Consórcio Himalaia não participou por prestar serviços por meio de contrato emergencial. O presidente do Consórcio Sudoeste, Antônio dos Santos, mora em Portugal, não participou das reuniões e, por isso, não encampou a decisão.

Segundo o documento, as pendências começaram na transição de governo, quando Serra não pagou R$ 17,6 milhões da dívida deixada pela antecessora, Marta Suplicy (PT) - verba que reembolsaria gratuidades do sistema relativas a dezembro de 2004. Em 2005, a Prefeitura deixou de aplicar o reajuste na remuneração de 12,66% previsto no contrato. Em janeiro e fevereiro do ano passado, segundo o documento, houve redução unilateral da gratuidade paga às empresas, de R$ 5,5 milhões mensais. Os consórcios alegam que tentaram, sem sucesso, negociar com a SMT.

Cópia do pedido de rescisão foi entregue à Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara. Segundo seu presidente, Adílson Amadeu (PTB), que acompanha a disputa desde o ano passado, os empresários alegam que têm deixado de receber R$ 20 milhões por mês. "Mas as coisas esquentaram e o prefeito se recusou a recebê-los."



Sindicatos e empresários, sempre do mesmo lado

Não é de hoje que a Prefeitura se vê pressionada por empresários e sindicalistas do sistema de transporte público. Em pouco mais de dois anos de mandato, por exemplo, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) enfrentou 23 paralisações, a maioria delas pelo mesmo motivo: falta de pagamento de salários, vales e tíquetes-refeição. A época, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo era o polêmico Edivaldo Santiago.

Em 2003, após sucessivos enfrentamentos, ele e outros 18 sindicalistas - entre eles Isao Hosogi, o Jorginho, atual presidente do sindicato - acabaram presos, acusados de organizar, em combinação com os empresários, um esquema de greves que ficou conhecido como Máfia dos Transportes. Com a maioria dos líderes da entidade atrás das grades, a administração petista conseguiu implementar o bilhete único sem resistências.

Após conseguirem o direito de responder ao processo criminal em liberdade, Hosogi e Santiago começaram a articular o retorno ao sindicato. E, em agosto de 2004, o "braço direito" de Santiago retomou o comando do sindicato, com a missão de tomar as reivindicações da categoria mais "agressivas". Os trabalhadores temiam que a entrada em vigor do bilhete único gerasse a demissão em massa dos cobradores.

Hosogi sempre se mostrou avesso às greves gerais, tão comuns nos tempos em que Santiago estava à frente sindicato. "A população já sofre com superlotação dentro dos ônibus, com os atrasos. Não acho justo que também sejam penalizados com greve", diz. Há duas semanas, porém, o presidente da entidade deu sinais de que poderia mudar sua postura. Para protestar contra a falta de pagamento do adiantamento salarial de fevereiro, Hosogi deu aval aos trabalhadores para que suspendessem as partidas na garagem da Viação Villa-Lobos, empresa responsável por 14 linhas na Zona Oeste da Capital.



Perueiros se oferecem para assumir serviço

A queda-de-braço entre Prefeitura e consórcios vai ganhar um terceiro personagem. As cooperativas de microônibus não querem ficar de fora da briga e ontem se ofereceram para assumir as operações do transporte coletivo, em substituição aos consórcios de ônibus.

O advogado Bension Coslovsky, que representa a Transcooper, o maior grupo do sistema, com 1.200 microônibus, disse que as oito cooperativas que operam na cidade têm condições de assumir os serviços caso os consórcios rompam o contrato. "O prefeito José Serra não pode ceder a essa chantagem e, caso haja rompimento, temos condições de operar os serviços."

Segundo Bension, o prefeito deveria intervir nas garagens. "Basta marcar uma reunião na São Paulo Transportes (SPTrans) que as cooperativas comparecem e se colocam hoje mesmo a disposição para os trabalhos", garantiu.



Folha de S. Paulo - São Paulo-SP, 07/03/2006


Empresas de ônibus ameaçam largar serviço
Para pressionar prefeitura a aumentar remuneração, viações formalizam pedido para rescindir contrato bilionário

Os principais empresários de ônibus de São Paulo protocolaram ontem uma solicitação formal à prefeitura para rescindir os contratos bilionários de concessão firmados em julho de 2003, com validade por dez anos.

A medida -a mais drástica desde a assinatura contratual- é uma forma de pressionar a gestão José Serra (PSDB) a conceder reajustes na remuneração e a pagar supostos débitos. Ela antecipa momentos de turbulências no setor num ano de eleições e a dois meses do dissídio dos condutores.

O secretário dos Transportes, Frederico Bussinger, classificou de "chantagem" a posição das empresas, que receberam pagamentos de R$ 1,83 bilhão em 2005.

A iniciativa partiu de seis dos oito consórcios, que controlam mais de 80% da frota das viações. Eles manifestaram desinteresse em seguir prestando os serviços, sob a alegação de que não têm mais condições financeiras, e deram 48 horas para terem a resposta para um acerto "amigável".

Na carta que protocolaram pela manhã na prefeitura, na Câmara Municipal e no TCM (Tribunal de Contas do Município), as empresas não explicaram que atitude tomariam se houvesse recusa, como anunciou Bussinger à noite.

Extra-oficialmente, pessoas ligadas às empresas dizem que esse pedido "amigável" seria um passo antes de uma medida de rescisão unilateral, embora elas tivessem interesse de continuar operando desde que sem as exigências dos contratos de concessão -como a renovação periódica da frota.

Advogados, no entanto, afirmam que a possibilidade de colapso nos serviços é um forte argumento contra as viações nos tribunais. Caso os empresários desejem romper unilateralmente os contratos, teriam de fazer esse pedido à Justiça.

A decisão das viações é reflexo de um conflito com a gestão tucana desde 2005, quando algumas tiraram parte dos ônibus das ruas, e coloca Serra em situação delicada, às vésperas da decisão sobre a sua candidatura à Presidência.

Ontem mesmo, ao ser notificada da possibilidade de interrupção dos contratos, a direção do sindicato dos motoristas e cobradores incluiu essa pendência entre os motivos para protestos a partir de hoje, alegando que os empregos ficariam em xeque.

"Não sei se estão blefando, mas é uma ameaça muito séria. Acho quase impossível não ter uma manifestação amanhã [hoje]", afirmou Isao Hosogi, presidente da entidade, acrescentando que haveria reuniões durante a madrugada para definir possíveis paralisações até as 6h nas garagens cujos pagamentos estão atrasados -até ontem, mais de metade.

Os empresários de ônibus dizem que a atual remuneração é insuficiente, que a prefeitura tem dívidas em atraso e que fez alterações unilaterais nos contratos. Entre os débitos, citam R$ 17,6 milhões de subsídios de dezembro de 2004 que não teriam sido pagos até hoje. Também alegam que não tiveram atendidos seus pedidos de reequilíbrio financeiro e que a gestão Serra fez mudanças contratuais sem consultá-los.

O governo tucano diz que já ofereceu às empresas em janeiro a antecipação do reajuste contratual previsto para março, mas que ela só foi aceita pelos perueiros -num montante de 7,88%.

"A prefeitura, em vez de ficar com a faca na garganta, poderia passar as linhas para os perueiros. A gente aceita", afirmou Guilherme Corrêa, presidente da cooperativa de perueiros Transcooper.

A pressão das viações também se dá numa época delicada para a gestão Serra por questões orçamentárias. Para bancar qualquer reajuste na remuneração, as alternativas seriam aumentar a tarifa de R$ 2 -com reflexos eleitorais- ou elevar as subvenções, que já tiveram alta significativa em 2006 por conta da integração do bilhete único no metrô e trens.

A ação dos empresários também visa desgastar Bussinger. Para tanto, contam com aval de alguns vereadores do chamado "centrão", grupo que se diz independente, e até do PSDB.



Folha Online, 07/03/2006


Motoristas de ônibus voltam ao trabalho após greve parcial em SP

Motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo realizaram uma greve parcial na madrugada desta terça-feira para protestar contra o atraso nos pagamentos. Segundo a SPTrans (empresa que administra o transporte coletivo na cidade), os veículos começaram a sair das garagens às 6h --normalmente, os ônibus deixam as empresas a partir das 3h30.

A prefeitura afirma que oito empresas paralisaram as atividades, em parte das zonas norte, leste e sul da cidade. Cerca de 1 milhão de pessoas teriam sido prejudicadas.

Por causa da greve, os pontos de ônibus e terminais ficaram lotados. Para justificar a falta de pagamento, o sindicato patronal alega falta de repasse por parte da prefeitura.

O sindicato dos motoristas e cobradores afirma que, na segunda-feira (6), recebeu do sindicato patronal a informação de que seis dos oito consórcios que operam na cidade solicitaram à Secretaria Municipal do Transporte a "rescisão amigável" do contrato de concessão do serviço, sob a justificativa de inadimplência.
O Estado de São Paulo - São Paulo-SP 07/03/2006


Com bilhete único, conta do sistema tem déficit

A conta para operar o sistema de transporte na cidade não fecha. Desde a adoção do bilhete único, em maio de 2004, o total de passageiros que viaja sem pagar aumentou, enquanto os valores que a Prefeitura dá em subsídios diminui ano a ano.

Antes do bilhete único, a média mensal de gratuidades pagas pela São Paulo Transporte (SPTrans) era de 80 mil pessoas por mês. Com o cartão, que permite várias viagens pelo preço de uma, durante duas horas, as gratuidades subiram para 50 milhões mensais. Em 2005, atingiram 54 milhões.

Para dar conta desse aumento, os custos do sistema passaram a ser estimados em R$ 300 milhões. Em 2004, contudo, foram liberados R$ 255,8 milhões. Ainda hoje, os empresários reivindicam receber R$ 17,6 milhões referentes às gratuidades daquele ano.

No ano passado, início da gestão José Serra, foram reservados no orçamento R$ 340 milhões para subsídios, mas foram pagos R$ 224 milhões, segundo dados do Sistema de Execução Orçamentária (SEO).

Neste ano, as verbas para pagar as gratuidades sofreram redução ainda mais brusca. A Câmara Municipal aprovou orçamento de R$ 140 milhões para as gratuidades. Em janeiro e fevereiro, foram pagos em subsídios R$ 25 milhões. "Queremos ter acesso aos dados da conta sistema da SPTrans para saber que lado está com a razão", disse o presidente da Comissão de Trânsito e Transportes, Adílson Amadeu (PTB).
O Estado de São Paulo - São Paulo-SP, 07/03/2006


EMTU cassa linhas de empresário e as repassa para empresa dos filhos

Entre ambulantes que vendem de pinga a passe de ônibus, trabalhadores esperam pela condução no Largo da Batata, zona oeste. Os ônibus azuis seguem para 13 pontos do Embu, Grande São Paulo. Seria uma cena corriqueira, se não fosse escandalosa. A Viação Campo Limpo, operadora desses itinerários, está com todas as linhas cassadas desde 5 de janeiro por uma portaria da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).

Só no ano passado, a companhia recebeu mais de 900 multas. A EMTU cobrou da Campo Limpo R$ 130 mil por falhas na prestação do serviço. "O grosso do problema estava na parte mecânica. Os ônibus deixavam a garagem, mas não terminavam o dia rodando", disse Pedro Luiz Machado, diretor de Gestão Operacional da EMTU.

Apesar dos problemas, a Campo Limpo segue operando. Logo depois de cassar a concessão da empresa, o governo convidou viações do Embu para assumirem o trabalho, a partir da primeira quinzena de fevereiro. Todas alegaram não ter condições de realizar o serviço.

Sem opção, a EMTU estendeu o convite a qualquer empresa. Depois de algum silêncio, surgiu uma proposta. Era da Empresa Urbana Santo André (Eusa), comandada pelos filhos do dono da Campo Limpo. Apesar de polêmica, a sucessão familiar deve ser concretizada e a Eusa assumirá itinerários e funcionários em 8 de maio.

Na Câmara do Embu, teme-se que a transferência de pai para filho apenas perpetue a precária situação do transporte intermunicipal. "Nosso medo é que a administração do negócio seja feita da mesma maneira irresponsável", disse a presidente da Casa, vereadora Maria das Graças (PT).

O proprietário da Campo Limpo, Baltazar José de Souza, é um dos grandes sonegadores de impostos do País. Segundo dados colhidos ontem no site do Ministério da Previdência Social, sua dívida ativa com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é de R$ 30 milhões.

"Estamos com um pé atrás. Mas nossa punição foi contra a empresa, e não contra Baltazar", admitiu Machado. Ele disse não acreditar que os problemas nos itinerários se repitam. "Estamos mudando a cara do transporte intermunicipal. Não vamos mais operar por linhas, mas por regiões. As concessões serão refeitas em breve."

Procurados, nem Baltazar nem seus filhos ou funcionários responsáveis pelas empresas citadas responderam aos pedidos de entrevista da reportagem.
Jornal do Estado - Curitiba-PR, 07/03/2006


Greve de ônibus tumultua Centro da cidade

Os piquetes nas portas das empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana conseguiram parar praticamente todos os ônibus, pelo menos durante a manhã. A paralisação dos motoristas e cobradores fez com que o centro da cidade se tornasse um caos, principalmente nas proximidades dos terminais da Rui Barbosa e do Guadalupe. A recomendação do Bptran é que o curitibanos evite andar de carro nas regiões centrais da cidade.

Em entrevista à Rádio Banda B, na manhã desta Terça-feira, o diretor-presidente da Urbs, Paulo Afonso Schmidt, informou que o órgão já havia exigido que as empresas garantissem 50% dos ônibus em circulação, já que se trata de um serviço essencial. Representantes do Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores em Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana) informaram também na Rádio Banda B que não conseguiram garantir os 50% de ônibus em circulação, porque os donos das empresas não entregaram o esquema de circulação, com número de linhas e carros.

Schmidt também questionou as intenções da greve, já que segundo ele, o reajuste oferecido pelas empresas de ônibus aos funcionários está acima do valor da inflação e dentro da planilha de custos. Durante toda a tarde de Segunda-feira a categoria esteve reunida com os representantes do sindicato patronal negociando a reposição salarial. O Sindimoc pedia 3% de aumento real, mais a inflação medida pelo INPC bateu nos 2,71% nos últimos nove meses, além de aumento na cesta básica e outros benefícios.

Essa negociação já acontece há dois meses, sem que as partes tenham chegado a um acordo.



Há denúncias de “assembléia” comprada

Desde a semana passada o movimento do Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores em Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana) acenava para a possibilidade de deflagração de greve caso o aumento não fosse concedido. Apesar da decisão da assembléia, que não foi unânime, na Segunda-feira à noite, as informações ainda estavam atravessadas. Alguns motoristas presentes à assembléia alegavam que boa parte dos sindicalizados não estava presente, e portanto não saberiam do resultado da assembléia. Por isso contestavam a decisão de deflagrar a greve de imediato. A Rádio Banda B recebeu denúncia de que o Sindimoc teria pago R$ 10 por cada representante com direito a voto na assembléia de Segunda-feira. A informação foi prontamente negada pelo presidente do sindicato, Denílson Pires. Ele ainda afirma ter avisado à população sobre a paralisação com as 72 horas de antecedência, conforma manda a legislação.



Sindicato patronal tenta interdito proibitório na Justiça

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informou agora há pouco que para reforçar a determinação de que 50% da frota de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba retorne às ruas, vai à Justiça pedir interdito proibitório à paralisação. A alegação se fundamente na necessidade de manter o mínimo da frota em funcionamento, por se tratar de serviço essencial público. De acordo com o sindicato, a entidade tentou entrar com a mesma ação na madrugada de hoje, por volta das três horas, mas o juiz não aceitou alegando não haver prova suficiente que a greve realmente aconteceria.



Motoristas de linhas da RMC tentam furar greve

Alguns ônibus metropolitanos, que ligam Curitiba a cidades da região metropolitana, tentam circular, mas quando se aproximam do Centro da Cidade são interceptados pelos piquetes dos grevistas. De acordo com informações da BandNews FM, entre Pinhais e Curitiba, um ônibus metropolitano foi interceptado e todos os passageiros foram obrigados a descer e os os manifestantes ainda esvaziaram todos os pneus do veículo.

Segundo a rádio Banda B, os ônibus que circulam na Borda do Campo, em São José dos Pinhais, estão circulando.



Patrões, empregados e Prefeitura se reúnem às 14h

Às 14 horas, na Justiça do Trabalho, está marcada uma reunião entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc), o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) e a Urbs, numa tentativa de acordo para o impasse que gerou a paralisação do sistema. O sindicato patronal espera que a Procuradoria do Trabalho peça dissídio coletivo e a nulidade da greve pelo não cumprimento da lei que obriga metade da frota a circular.



Urbs inicia cadastramento de veículos para transporte alternativo

Veículos particulares de passageiros já estão deixando a Urbs e circulando pela cidade com o adesivo de “lotação”. Para conseguir a autorização, basta comparecer à sede do órgão, no prédio central da estação rodoferroviária, com documentação do veículo e carteira de habilitação adequada. Uma equipe de atendimento faz o cadastro e a vistoria na hora e orienta o motorista sobre o itinerário que deverá seguir. O preço máximo é de R$ 4,00.

Enquanto isso, a Urbs e a Procuradoria Geral do Município estudam meios judiciais de garantir que as empresas de ônibus disponibilizem a circulação de 50% da frota. “Vários motoristas tentaram sair, mas foram impedidos por piquetes ou tiveram os pneus esvaziados”, falou o presidente da Urbs, Paulo Schmidt.

De acordo com a Diretran, a avenida Visconde de Guarapuava e as ruas próximas às praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Tiradentes e Santos Andrade, todas no Centro da cidade, além das saídas para cidades da região metropolitana, são as regiões mais tumultuadas.

Conseguir um táxi também está difícil. Os telefones só dão ocupados e, segundo informações de atendentes, não há carros suficientes para suprir a demanda.

A recomendação da Diretran é que os vizinhos procurem carona com conhecidos para evitar mais congestionamento.