quarta-feira, agosto 31, 2005

O Globo - 31/08/2005


Passagem de ônibus fica mais cara em Petrópolis

O prefeito de Petrópolis, Rubens Bontempo, autorizou o reajuste das passagens dos ônibus urbanos da cidade, de R$ 1,50 para R$ 1,70. O aumento foi publicado no Diário Oficial do município e passará a valer a partir de sábado.

terça-feira, agosto 30, 2005

Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 30/08/2005


CAMINHO DA POLUIÇÃO

Ciclovia na marginal custará R$ 11,2 milhões
Governo procurará iniciativa privada para fazer passagem ao lado do rio Pinheiros e passeio para pedestres

A ciclovia que a administração Geraldo Alckmin (PSDB) pretende construir na marginal Pinheiros terá um custo total estimado em R$ 11,2 milhões.

De acordo com a Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento, o Estado irá procurar a iniciativa privada para pagar uma parte das despesas. Caso essa possibilidade não se concretize, no entanto, os custos sairão exclusivamente dos cofres públicos.

Com uma extensão prevista de 14,5 quilômetros -conectará a usina elevatória de Traição, no acesso à avenida dos Bandeirantes, ao autódromo de Interlagos-, a ciclovia também terá um passeio para os pedestres ao longo do percurso pela zona sul.

A construção ficará no espaço entre as pistas da marginal e o leito do rio. De acordo com o secretário de Recursos Hídricos, Mauro Arce, "a determinação do governador [Alckmin] é que esteja pronta até janeiro". Segundo Arce, uma segunda fase da construção, ainda sem prazo e projeto definidos, deverá ligar a usina de Traição ao parque Villa-Lobos -acompanhando grande parte do rio Pinheiros.

Entre os pontos previstos no projeto estão a construção de cinco bases de apoio para os ciclistas, que contarão com bicicletários, sanitários e unidades da Polícia Militar. Nas reuniões de discussão sobre o projeto, representantes da Secretaria da Segurança Pública demonstraram preocupação com a possibilidade de haver tráfico e uso de drogas nas pistas da ciclovia. Uma ponte metálica precisará ser feita para a travessia do canal da represa de Guarapiranga.

Melhor do que nada

Apesar de reconhecerem o desconforto e os problemas de se exercitarem ao lado do intenso tráfego de veículos da marginal e do mau cheiro do rio Pinheiros, eventuais usuários da prometida ciclovia ouvidos pela reportagem consideraram positiva a instalação do percurso para bicicletas.

De acordo com Paulo Saldiva, pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP (Universidade de São Paulo), quem faz exercícios em um ambiente como esse respira aproximadamente 10% a mais de poluição do que quem não faz.

Segundo o pesquisador, porém, a "prática regular do esporte" compensa esse malefício. Para Saldiva, "o ideal seria que se fizesse [a ciclovia] em uma região mais limpa" da capital.

Marcos Mazzaron, presidente da Federação Paulista de Ciclismo, afirmou que o projeto "é melhor do que nada". "Não é o ideal, porque fica ao lado de um esgoto, um canal a céu aberto, e da marginal. Mas quando se fala em ciclovia, mesmo em um lugar como esse, nós vamos apoiar", afirmou.

Opinião semelhante tem o triatleta Roberto Nitrini, que costuma praticar ciclismo na USP. "Para quem não tem nada, qualquer coisa é bom. Poderia ser em um lugar mais agradável, mas, diante do que existe hoje, estaria de bom tamanho", afirmou.
Correio da Bahia - Salvador-BA, 30/08/2005


Desorganização prejudica o transporte alternativo

O problema do transporte público é antigo e as alternativas lançadas até agora pouco mudaram a situação. "Eu continuo esperando horas no ponto de ônibus para conseguir me deslocar em Salvador. No sábado, fiquei quase duas horas na chuva, esperando o ônibus para Itinga. Um horror", descreve a dona de casa Marineide Lopes Gonçalves, 57 anos, que mora num dos pontos que mais foram beneficiados com a implantação do Sistema Especial de Transporte Complementar de Salvador.

Depois de tentar resolver questões como a superlotação dos carros com a criação do serviço, a prefeitura anuncia que vai organizá-lo. Para isso, será iniciado um trabalho de mapeamento do transporte municipal e intermunicipal e avaliada as condições de funcionamento do transporte alternativo. A fiscalização será feita pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) através da Gerência de Taxi e Transportes Complementar (Stec).

Lugares já conhecidos pelo costumeiro tumulto provocado pela desorganização do serviço serão priorizados. Assim, Itapuã e Itinga já estão contando com postos de fiscalização a partir desta semana. Em São Joaquim, onde o problema continua numa proporção não muito diferente dos outros pontos, ainda não há previsão de início. "A falta de uma política que organize o setor é apontada como a maior responsável por isso, mas eu acredito que também há um pouco de má vontade dos empresários", afirma o estudante de direito André Machado Cerqueira, 24 anos.

Para o estudante, não adianta criar novos serviços sem que haja um monitoramento de como ele está funcionando. "Sei que é muita irregularidade para dizer que é tudo culpa do prefeito atual, até porque isso não deveria ser uma questão política. Mas que a prefeitura sempre se mostrou ineficiente, isso todos sabemos", concluiu.

Empresas - O serviço complementar da cidade possui 300 empresas já cadastradas para atuar. Todas estão preparadas para iniciar, a partir de setembro, o sistema de passagem unificada. No entanto, problemas com a rotina desses transportes preocupam os órgãos de fiscalização da prefeitura e do governo do estado.

Segundo o gerente da Stec, Moacir Brum, uma grande operação será realizada esta semana para que o órgão tenha um mapeamento completo do transporte público em Salvador e região metropolitana. O órgão é responsável pela fiscalização do transporte complementar. "Os focos serão as empresas que atuam na região limítrofe do município", explica. "Assim, poderemos saber como atuam essas empresas e identificar, inclusive, possíveis irregularidades", detalhou.

O trabalho será realizado em conjunto com a Agerba e contará com o apoio de duas equipes: uma de fiscais e outra de atendimento a comunidade. "Vamos fiscalizar o transporte para verificar as reclamações que têm sido registradas pelas nossas centrais e na imprensa", explicou. Os pontos de ônibus situados em São Cristóvão e Itapuã foram os escolhidos para começar o trabalho. "Ali sabemos que existe uma concorrência predatória, já que o município não conseguia fiscalizar o transporte da região metropolitana...Assim, queremos coibir ações como a de baixa do valor da passagem para R$1, R$1,40 e R$1,20 para ganhar o cliente", exemplificou.


***

Atendimento de qualidade


Apesar de admitir que os problemas existem, o presidente da Associação das Empresas de Transporte Especial Complementar de Salvador, Luiz Silveira Bispo, afirmou que o setor está evoluindo. "Além de já estarmos preparados para o sistema de bilhetagem única, estamos treinando os despachantes e motoristas para garantir que um atendimento de qualidade seja oferecido aos passageiros", explicou.

O curso de 40 horas inclui temas como relações humanas e direção defensiva. "Também queremos que haja um padrão de atendimento e isso já está sendo notado pelos passageiros", afirmou. Os cursos são ministrados no Sesc/Senac e já são exigidos pela prefeitura municipal. O transporte complementar de Salvador hoje é responsável pelo transporte de 12 mil passageiros por dia e atua no subúrbio ferroviário, Tancredo Neves, Narandiba, São Caetano, São Cristóvão, Cajazeiras e Itapuã.

Mas os empresários do setor querem maior abrangência nas áreas de atuação. "Pleiteamos, pela grande demanda de solicitações, ir até o Comércio. Assim, vamos poder oferecer um serviço completo aos passageiros do subúrbio. Já conseguimos ir até São Joaquim, mas queremos ir até o Comércio, pois muitas pessoas que circulam conosco precisam pegar apenas um transporte", explicou Silveira.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 29/08/2005


CAMINHO DA POLUIÇÃO

Marginal pode abrigar ciclovia
Alckmin anuncia projeto na entrega da segunda parte do Villa-Lobos

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) entregou ontem a segunda parte do parque Villa-Lobos, zona oeste da capital, e anunciou o estudo de duas novas ciclovias para a cidade.

"Uma será na marginal do Pinheiros. De Traição [Usina Elevatória de Traição, próxima ao encontro com o Tietê] até Pedreira [Usina Elevatória de Pedreira, antes da represa Billings]. Dará uma ciclovia gigantesca até o autódromo de Interlagos", afirmou Alckmin.

A ciclovia deverá ser construída em paralelo à pista da marginal, entre o rio e a via. Ou seja, entre o mau cheiro do rio e o mau cheiro dos escapamentos. O projeto de arborização da área já começou a ser implementado.

A outra ciclovia deverá ser construída na zona leste da capital. Sairia de São Mateus em direção ao Tatuapé. Ainda não há custo estimado para os projetos.
Para o governador, as duas poderão minimizar o problema da falta de espaços para ciclistas. Em abril, o acesso de ciclistas ao campus da USP foi proibido. A reitoria disse que havia muitas queixas em relação aos atletas.

O anúncio foi feito sob o calor de 31 C, na entrega da ampliação do parque. A área tem tem 100 m2 e custou R$ 2,2 milhões, mas possui pouca arborização. Alckmin diz que houve "problema com o projeto original". Segundo ele, toda vez que uma mudança era planejada, medidas judiciais impediam a execução. Por isso, a maior parte é de gramados.
Correio Braziliense - Brasília-DF, 29/08/2005


O drama do transporte

Editorial:

O transporte público constitui o calcanhar-de-aquiles do Distrito Federal. Concebida na época do bum da indústria automobilística, a capital do Brasil projetou moradores formados de cabeça, tronco e rodas. Pistas largas e planas venceriam com facilidade as enormes distâncias que separam os diversos setores. O cenário é ideal para brasilienses com carro na garagem. Daí por que a população considera o veículo particular gênero de primeira necessidade. Lamentavelmente, porém, nem todos têm acesso ao bem. E aí reside o drama.

O transporte convencional é deficiente. Além de não responder à demanda de forma satisfatória, tem frota sucateada e cobra uma das tarifas mais elevadas do país. Sem ônibus à altura e com o alcance limitado do metrô, abriram-se caminhos para o transporte alternativo. De um lado, há os que têm permissão de circular. De outro, os piratas. No meio, os passageiros. Eles fazem as vezes do marisco que, na luta entre o rochedo e o mar, amarga a derrota.

Vans e carros clandestinos recolhem homens, mulheres e crianças nas paradas. Superlotados, andam em alta velocidade para disputar clientes, param em locais impróprios, mudam itinerários sem prévio aviso. Quem sai de casa não sabe se chegará ao trabalho a tempo nem se poderá voltar em horário civilizado. O ir e vir tornou-se sinônimo de martírio diário.

É um paradoxo. Os moradores da capital da República viraram reféns de aventureiros. Sem segurança e entregues a profissionais que atuam na ilegalidade, estão sujeitos a acidentes e perda da própria vida. O governo falha na fiscalização.

Pressionada, na semana passada a Secretaria de Transporte baixou portaria proibindo a circulação de vans na W3 e nas vias centrais de Taguatinga e Ceilândia. Divulgada a iniciativa, fiscais foram à rua. Mas horas antes de a medida entrar em vigor, uma liminar suspendeu-a. O mesmo ocorreu em setembro do ano passado. Incorrer no mesmo erro dá a impressão de despreparo e desorganização. Sobretudo, retarda possíveis soluções.

O xis da questão é a oferta de transporte público de qualidade. Em outras palavras: cobertura adequada, frota nova, manutenção sistemática, motoristas qualificados, pontualidade, horários que atendam a necessidade dos usuários. Ter condições de ir e vir constitui uma das principais preocupações da população. Os moradores do Plano Piloto, dos condomínios ou das cidades do Distrito Federal têm direito de usufruir de sistema de ônibus ou metrô capaz de lhes satisfazer a demanda. O governo tem obrigação de atendê-los. Essa é uma de suas funções.
Correio Braziliense - Brasília-DF, 27/08/2005


Invasão na ANTT

Estudantes ligados ao Movimento pelo Passe Livre Estudantil protestaram novamente contra o aumento das tarifas do transporte coletivo para o Entorno e reivindicaram o passe livre nos ônibus urbanos e semi-urbanos. Depois de se concentrar na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto, os 200 estudantes seguiram em passeata até o edifício da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e invadiram o saguão. O diretor da ANTT no DF, Gregório Rabelo Neto, conversou com os estudantes. Disse que o aumento de 11,9% nas tarifas dos ônibus semi-urbanos se baseou nos custos dos serviços e nos gastos com manutenção e que o reajuste é inevitável. Depois os manifestantes seguiram rumo ao Conjunto Nacional, tumultuando o trânsito. Não se registraram ocorrências graves.

sábado, agosto 27, 2005

Jornal de Brasília - Brasília-DF, 27/08/2005


PELO PASSE LIVRE



Cerca de 250 estudantes do Movimento do Passe Livre fizeram uma passeata no centro da cidade, ontem à tarde.

Cerca de 250 estudantes do Movimento do Passe Livre fizeram uma passeata no centro da cidade, ontem à tarde. Além da reivindicação, que deu nome ao movimento, eles pediram o fim do aumento dos preços das passagens. O hall do prédio da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) foi bloqueado por 40 minutos. Diretor do órgão, Gregório Rabêlo, entregou uma planilha aos estudantes para justificar o aumento das passagens do Entorno.

A concentração começou na Rodoviária, às 15h. Muitos estudantes pularam roletas dos ônibus, para chegar ao local, como protesto, seguindo o lema "Eu pulo, eu pulo, eu pulo a catraca, sim". Uma hora e meia depois, deram uma volta protestando nas plataformas. Em assembléia, decidiram fazer passeata até a ANTT para exigir o fim dos aumentos.

O grupo caminhou por duas faixas da via que liga a Rodoviária ao Setor Comercial Norte, onde fica o órgão. Eles foram seguidos por dois carros da PM e oito policiais.

Na ANTT, Gregório disse que o órgão cumpre as leis do Poder Executivo. "O aumento de 11,9% foi definido por lei e era para vigorar em 1º de agosto. Seguramos o preço até o dia 14", alegou. Em coro, os jovens disseram que aquela era apenas a primeira manifestação na agência. Os estudantes saíram do prédio e, às 18h, voltaram para a Rodoviária. A PM parou o trânsito para evitar acidentes.

Na Rodoviária, tentaram mobilizar as pessoas. Mas o grupo foi cauteloso e lembrou do último manifesto que gerou conflitos com a polícia e que resultou em feridos. Segundo o capitão da PM Antônio Carlos, a ação foi pacífica e não causou transtornos.
O Povo - Fortaleza-CE, 26/08/2005


QUEM PAGA AS GRATUIDADES

As festejadas gratuidades que nascem de projetos nos parlamentos e acabam por ganhar a aprovação dos Executivos, no mais das vezes, nunca apontam quem vai pagar a conta. Tais projetos valem-se do forte apelo popular que carregam e no final caem no colo e no cofre das empresas: seja nos cinemas, nos shows, nos estádios ou nas empresas de transporte de passageiros. Mas agora um anteprojeto de lei busca estabelecer um marco legal para o transporte coletivo no País. A proposta é encontrar formas de baixar os custos das tarifas, rever as gratuidades e definir regras quanto aos direitos e deveres no setor. No âmbito do Ministério das Cidades, o anteprojeto ainda está na chamada fase de discussão pelo Governo e sociedade. O Planalto garante que a idéia não é acabar com as gratuidades, mas propor opções de financiamento das passagens ditas gratuitas, conforme cada área de interesse.

A gratuidade para estudantes, por exemplo, sairia do orçamento da educação. A gratuidade dos PMs sairia do orçamento da segurança. Isso por razão muito clara: não é tarefa do setor de transporte e, tampouco do usuário, arcar com o custo. Afinal, de graça não fica. Cada passageiro que viaja de graça tem o bilhete pago pelo vizinho de assento. Um dos empecilhos para propostas do gênero é a pecha que carregam de serem lobby das empresas. Isso acaba estacando uma discussão fundamental também para os usuários.

O diretor de Regulação e Gestão da Secretaria de Transportes Urbanos do Ministério das Cidades, Alexandre Gomide, afirma que a revisão das gratuidades seria uma forma de reduzir as tarifas. Mas ele sabe que a questão não é fácil. Passa pela má gestão dos sistemas. Ele lembra que em alguns estados, para atender o mesmo número de usuários há mais de uma rede fazendo o mesmo serviço o que aumenta o custo. Somem-se a isso a regulação do setor, que não incentiva a eficiência pelas empresas, e a carga tributária. "Como é um setor essencial, defendemos que, como alguns produtos da cesta básica têm tributação especial para serem mais baratos, o transporte coletivo, um bem de consumo popular, também tenha uma tributação diferenciada".

Jocélio Leal

sexta-feira, agosto 26, 2005

A Notícia - Joinville-SC, 26/08/2005


Transporte coletivo pode parar

Sintraturb não aceita ordem judicial de indenizar empresa. Dia 30 assembléia decide greve.

Os motoristas e cobradores de ônibus da Capital podem entrar em greve no início de setembro. A decisão será tomada em assembléia na próxima terça-feira. A categoria não aceita a decisão da Justiça do Trabalho de indenizar a empresa Transol em R$ 36 mil pelos ganhos que a empresa deixou de obter e pelas multas que ela recebeu da Prefeitura ao não oferecer os serviços de transporte no dia 4 junho, quando motoristas e cobradores cruzaram os braços por cinco horas.

"Foi uma paralisação pacífica e democrática, além de legítima e justa. Já havia passado mais de 30 dias de nossa data-base e ainda não existia proposta alguma por parte dos empresários. A condenação também é injusta porque os custos para recorrer são altíssimos", disse o assessor do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana da Grande Florianópolis (Sintraturb), Ricardo Freitas. Segundo o sindicalista serão necessários cerca de R$ 6 mil para questionar a decisão. Eles exigem ainda a assinatura da convenção que pôs fim às manifestações e a não demissão de funcionários em decorrência das alterações no Sistema Integrado de Transporte (SIT).

O juiz Roberto Masami Nakajo constatou abusividade do movimento na paralisação, uma vez que as empresas deveriam ter sido avisadas com 72 horas de antecedência. O magistrado também argumentou que não poderiam ser usados métodos de persuasão para fazer os funcionários aderirem ao movimento e que a utilização de veículos do sindicato para impedir a saída dos ônibus dos terminais não seria permitido. "Logo, a paralisação foi abusiva, constituindo ato ilícito praticado pela categoria", afirmou o juiz.

"Tudo que a Justiça fez foi considerar válida uma reivindicação das empresas. Com esta decisão abriu-se um precedente", disse o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Florianópolis (Setuf), Valdir Gomes da Silva. Segundo ele, a Justiça entendeu que os prejuízos causados por manifestações terão de ser ressarcidos por quem as provoca.

A possibilidade de greve não está sendo considerada pela Prefeitura. Nos pontos questionados pelos trabalhadores que dizem respeito a demissões e adequações do sistema integrado, o secretário dos Transportes, Norberto Stroisch declarou que as alterações estão sendo realizadas desde o início do ano e que elas são conseqüências naturais para a melhoria dos serviços.
Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 26/08/2005


TARIFA ZERO

Estudantes protestam em 3 cidades
Confrontos por passe livre nos ônibus aconteceram em Minas e SP


Policial contém manifestante em protesto por passe livre nos ônibus em Belo Horizonte


Estudantes de três cidades fizeram protestos ontem pedindo passe livre e desconto no transporte público. Em Belo Horizonte, os manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar. Três estudantes e um policial tiveram ferimentos leves. Outros dois estudantes foram parar na delegacia.

Segundo a Polícia Militar, o choque ocorreu porque alguns estudantes jogaram objetos como ovos e pilhas nos policiais. Por volta das 10h30, a PM usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os cerca de 400 jovens. Dois estudantes de 15 anos e uma de 21 foram atingidos por estilhaços de bombas.

Segundo o tenente-coronel Evandro Elias, um policial teve escoriações após levar uma rasteira de um manifestante que carregava pilhas.

Os estudantes negaram a agressão. Dois foram levados para a Delegacia da Infância e da Juventude.

A Prefeitura de Belo Horizonte alega que o passe livre estudantil aumentaria a tarifa para os demais usuários.

Em Contagem (MG), estudantes também fizeram ontem manifestação por desconto nas passagens. Eles reivindicavam meio passe e saíram em passeata pelo centro da cidade.

Em Campinas (SP), alunos do ensino médio protestaram em frente à prefeitura pedindo passe livre nos ônibus da cidade. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, eles atiraram pedras, ovos e bombas juninas na direção dos policiais militares e guardas municipais. Não houve prisões ou feridos.

Segundo a prefeitura, a passagem de ônibus na cidade é de R$ 2, e o estudante que detém o passe estudantil paga R$ 0,80.
Correio Popular - Campinas-SP, 26/08/2005


Baderna de estudantes tumultua o Centro
Pela quarta vez, estudantes secundaristas levaram confusão à região por quase cinco horas a pretexto de reivindicar o passe livre

Organizado por militantes petistas ligados à vereadora Marcela Moreira (PT), o quarto protesto pelo passe livre promovido este ano em Campinas por estudantes secundaristas causou, mais uma vez, tumulto e confusão nas principais vias da região central. Durante quase cinco horas, cerca de 800 jovens, a maioria adolescentes com idades entre 14 e 16 anos, fizeram arruaças em avenidas e em ruas movimentadas antes de cercar, às 9h30, o Paço Municipal, alvo de pedras, ovos e de uma bomba junina lançada contra guardas municipais que faziam a segurança da sede da Administração.

Apesar de os estudantes conclamarem ontem Campinas como a “capital nacional do movimento pelo passe livre”, a bandeira, pelo menos até agora, só encontrou apoio político entre os correligionários da vereadora Marcela, que poderá ser alvo de um processo de cassação na Corregedoria da Câmara. Com uma postura hostil e de ameaças contra a imprensa, os jovens também se negaram a apresentar qualquer reivindicação à Prefeitura.

O uso de maconha e de bebidas entre jovens também evidenciou a falta de lideranças entre os estudantes. Desde as 7h, os jovens, com gritos de “pelego” contra o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), se reuniram no Largo do Rosário. Poucos, porém, sabiam qual seria a direção da passeata, que parou o trânsito nas avenidas Francisco Glicério e Moraes Salles, entre outras vias do Centro. No total, foram oito pontos de lentidão que geraram, por volta das 9h, 4,5 quilômetros de congestionamento.

Quando chegaram em frente ao Paço, os manifestantes começaram a atirar ovos e pedras contra a GM. Houve tumulto e correria nas escadarias do prédio da Prefeitura e dois jovens, não-identificados, um deles com um taco de beisebol, foram detidos e liberados em seguida. Palco de uma roda de capoeira feita pelos estudantes, a Avenida Anchieta ficou interditada por quase duas horas. O protesto só terminou às 11h20, após a dispersão parcial dos manifestantes.

Referência

“O movimento é pacífico, a imprensa que deturpa os fatos. Os estudantes estão em paz, eu não vi uso de drogas ou de bebidas, não existe violência”, afirmou a vereadora Marcela, mesmo observando as inúmeras ameaças que a reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) sofreu durante o protesto e muito próxima de jovens que fumavam maconha sem constrangimentos nas ruas do Centro. Ao lado de assessores lotados em seu gabinete, a parlamentar, única referência política dos estudantes, participou da passeata e confirmou ter tido o conhecimento prévio do ato de ontem.

“As empresas de ônibus mandam no prefeito e os vereadores só querem ficar apresentando projetos para nomes de ruas. Por isso, o passe livre é um movimento legítimo de resistência”, disse a petista, que distribuiu adesivos verdes de apoio ao passe livre em que há a citação a projeto de lei de sua autoria em trâmite no Legislativo pelo transporte gratuito aos estudantes.

Até quando os manifestantes atiraram pedras contra a GM, a vereadora tentou legitimar a ação e acusou a corporação de agir de forma truculenta, o que gerou indignação entre outros vereadores e lideranças do governo. “Cabe agora à sociedade repudiar um movimento que não apresenta suas reivindicações e que gera baderna na cidade”, afirmou Francisco de Lagos, coordenador de Comunicação da Prefeitura.

O líder da bancada do PT, Paulo Bufalo, afirmou que a passeata é um direito legítimo dos estudantes, mas condenou atos de violência e de baderna. “Não acho certo, por exemplo, trazer um taco de beisebol para o protesto”, disse o vereador. “Mas o passe livre não é um movimento do PT, é uma articulação nacional do movimento estudantil.”

População e comerciantes criticam confusão

A movimentação dos estudantes nas ruas centrais de Campinas causou transtornos para motoristas, trabalhadores e lojistas e foi criticada por quem transitou nas vias públicas bloqueadas. Uma parte do Paço Municipal foi fechada e contribuintes reclamaram da forma como os estudantes reivindicavam o benefício.

A proprietária do Auto Posto Anchieta, Fernanda Valdivia, além de se preocupar com a queda nas vendas de combustível devido ao protesto, ainda teve que evitar que os jovens comprassem bebidas alcóolicas na loja de conveniência do estabelecimento. “Hoje (ontem), quatro estudantes vieram comprar bebida alcóolica. A comercialização desse tipo de produto é proibida para menores. Mas é difícil fazer com que os estudantes entendam essa proibição”, disse. Ela completou que teme também pela segurança. “As atendentes da loja são mulheres e temo que um estudante possa se exaltar e ser grosseiro com alguma funcionária”, afirmou.

A comerciante reclamou que o bloqueio da Anchieta e da Benjamin Constant impede que os veículos tenham acesso ao posto. “Há queda no volume de combustível comercializado quando há esse tipo de manifestação”, afirmou.

O mesmo problema enfrentou o Estacionamento 3 Irmãs, na Avenida Anchieta. O fluxo de carros caiu entre 15% e 30% na manhã de ontem. O manobrista Alan Rocha de Souza afirmou que os protestos no Centro sempre prejudicam os comerciantes. O vendedor Júlio César Araldi, da Look Modas, na mesma avenida, também lamentou prejuízo nas vendas no dia de ontem.

O advogado Marcelo Ronaldo de Souza afirmou que os estudantes não podem extrapolar nos protestos que realizam no Centro. “Não é legítimo que os estudantes usem o fato de estarem reivindicando um benefício para prejudicar a vida dos cidadãos que passam pelo Centro”, criticou. Para ele, o fato denota falta de autoridade do Poder Público em coibir com mais veemência os atos de baderna dos estudantes. (Adriana Leite/AAN)

Entre insultos e vaias, mãe tira aluna do ato

A dona de casa Cleusa Martins, de 38 anos, roubou a cena durante o protesto dos estudantes pelo passe livre. Sem se preocupar com as hostilidades bradadas pelos manifestantes contra sua atitude, ela retirou sua filha Isabelle, de 15 anos, do meio dos manifestantantes, quando o ato ainda estava na fase de concentração, no Largo do Rosário, e pediu para a Polícia Militar levá-la de volta à escola.

“Eu estava desconfiada que ela não iria para a escola. Quando eu ouvi de manhã no rádio que estava tendo protesto, liguei na escola e descobri que ela não estava lá. Aí, eu vim aqui correndo; ela não pode ficar na passeata, tem que ir pra escola”, disse a mãe, vaiada pelos demais manifestantes. “Não sou contra o movimento dos estudantes, mas o ensino tem que estar em primeiro lugar.”

Cleusa registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) pelas ameaças dos estudantes contra ela. “Estou separada do meu marido e tenho que zelar pela minha filha”, completou. (DZ/AAN)

A MANIFESTAÇÃO PASSO A PASSO

Os estudantes começam a descer pelas ruas do Centro vindos, por exemplo, da região da Avenida das Amoreiras e da Rua Delfino Cintra, rumo ao Largo do Rosário.

Começa a concentração no Largo do Rosário. Os manifestantes começam a bradar gritos contra o prefeito Hélio de Oliveira (PDT) e contra a imprensa.

Em passeata, os estudantes tomam as principais vias do Centro, como as avenidas Francisco Glicério e Moraes Salles. O congestionamento em oito pontos de lentidão soma 4,5 quilômetros. Na Rua Conceição, protestam em frente à sede da RAC, usando até mesmo fezes.

Os estudantes chegam em frente ao Paço Municipal, onde jogam ovos e pedras, descendo pela Rua Irmâ Serafina, e interditam a Avenida Anchieta.

Uma bomba junina lançada pelos estudantes contra a Guarda Municipal causa um princípio de tumulto nas escadarias do Paço.

A dispersão parcial dos estudantes encerra o ato.

OS NÚMEROS

45.220 estudantes matriculados no Ensino Médio regular em Campinas em 2004

15.345 pessoas Ensino Médio de Educação de Jovens e Adultos (supletivo)

800 estudantes secundaristas participaram do protesto de ontem, o que representa 1,77% é do total dos 45.220 alunos do Ensino Médio em 2004

R$ 0,80
É o valor que os estudantes pagam atualmente pela passagem de ônibus em Campinas com o subsídio oferecido pela Prefeitura, de 60%. Sem o desconto, a passagem custa R$ 2,00. Os estudantes querem a gratuidade.

OUTROS PROTESTOS

31 de março - Uma manifestação pacífica pelo passe livre transformou-se em seis horas de caos, vandalismo e violência no Centro de Campinas. Liderados pela vereadora Marcela Moreira (PT), cerca de 2 mil estudantes secundaristas protestaram no Paço. O ato resultou em três prisões de manifestantes e na agressão contra um aposentado de 75 anos. Um policial militar e um cobrador de ônibus também foram agredidos.

13 de abril - Quinze dias após o primeiro protesto, cerca de 2 mil estudantes secundaristas, mais uma vez insuflados pela vereadora Marcela Moreira (PT), voltam às ruas do Centro de Campinas para reivindicar a gratuidade. O protesto causou quatro quilômetros de congestionamento e paralisou por cinco horas o atendimento dos contribuintes em todos os setores de arrecadação do Paço Municipal.

22 de junho - Um protesto de secundaristas no Paço Municipal, cuja articulação foi atribuída nos bastidores aos vereadores Sérgio Benassi (PCdoB) e Marcela Moreira (PT) impediu a votação do projeto do Executivo que prevê a reformulação no transporte público de Campinas. GMs cercaram o Palácio dos Jequitibás.
Diário do Povo - Campinas-SP, 26/08/2005


É baderna, sim senhor!
Mais uma vez, estudantes mostram que bagunça e desrespeito são as únicas línguas que eles sabem falar

Organizado por militantes petistas ligados à vereadora Marcela Moreira (PT), o quarto protesto pelo passe livre promovido este ano em Campinas por estudantes secundaristas causou, mais uma vez, tumulto e confusão nas principais vias da região central.

Durante quase cinco horas, cerca de 800 jovens, a maioria adolescentes com idades entre 14 e 16 anos, fizeram arruaça por ruas e avenidas antes de cercar, às 9h30, o Paço Municipal - alvo de pedras, ovos e até de uma bomba lançada contra guardas municipais.

Apesar dos estudantes conclamarem ontem Campinas como a "capital nacional do movimento pelo passe livre", a bandeira, pelo menos até agora, só encontrou apoio político entre os correligionários da vereadora Marcela. Com uma postura hostil e ameaçando a imprensa, os jovens se negaram a apresentar qualquer reivindicação à Prefeitura.

O uso de maconha e de bebidas alcoólicas entre jovens que participaram do ato também evidenciou a falta de liderança entre os estudantes. Desde as 7h, os jovens, com gritos de "pelego" contra o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), se reuniram no Largo do Rosário. Poucos, porém, sabiam qual seria a direção da passeata, que parou o trânsito nas avenidas Francisco Glicério e Moraes Sales, entre outras vias do Centro, provocando 4,5 quilômetros de congestionamento por volta das 9h45.

Quando chegaram ao Paço, os manifestantes começaram a atirar ovos e pedras contra a GM. Houve tumulto e correria nas escadarias e dois jovens, não identificados, um deles com um taco de beisebol, foram detidos e liberados em seguida. A Avenida Anchieta ficou interditada por quase duas horas. O protesto só terminou às 11h20.

"O movimento é pacífico, é a imprensa que deturpa os fatos. Os estudantes estão em paz, eu não vi uso de drogas ou de bebidas, não existe violência", tentou argumentar a vereadora Marcela, mesmo tendo presenciado as ameaças que a reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) sofreu durante o protesto e mesmo estando muito próxima de jovens que fumavam maconha em pleno Centro. Ao lado de assessores lotados em seu gabinete, a parlamentar participou da passeata e confirmou ter tido o conhecimento prévio do ato de ontem.

"As empresas de ônibus mandam no prefeito e os vereadores só querem ficar apresentando projetos para nomes de ruas. Por isso o passe livre é um movimento legítimo de resistência". Nem mesmo quando os manifestantes atiraram pedras contra a GM a vereadora alterou seu ponto de vista: segundo ela, foi a corporação que teria agido de forma truculenta, o que gerou indignação entre outros vereadores e lideranças do governo.

Marcela pode ser cassada

A Corregedoria da Câmara de Vereadores de Campinas estuda a possibilidade de cassar o mandato da vereadora Marcela Moreira (PT) por suposta quebra de decoro parlamentar que teria sido cometida ontem, durante o protesto dos estudantes secundaristas pelo passe livre promovido nas ruas do Centro de Campinas.

A própria União Campineira dos Estudantes Secundaristas (Uces) divulgou nota ontem repudiando a manifestação dos estudantes e afirmando que o movimento foi arquitetado pela vereadora petista Marcela Moreira e pelo vereador Petterson Prado (PPS).

O coordenador de grêmios da Uces, Carlos Henrique Gomes, ressaltou que a entidade lamenta o episódio e não deu apoio ao protesto dos estudantes.

"Esse é um movimento isolado que não tem nada a ver com a Uces. Esse é um movimento oportunista que está sendo arquitetado pela vereadora Marcela Moreira. A Uces não referenda o tumulto”, afirmou.

Passeata gerou muito transtorno

A movimentação dos estudantes nas ruas centrais de Campinas causou transtornos para motoristas, trabalhadores e lojistas. A confusão foi criticada por quem tinha de transitar pelas vias bloqueadas por eles. Parte do Paço teve de ser fechada.

A proprietária do Auto Posto Anchieta, Fernanda Valdivia, além de se preocupar com a queda nas vendas por causa do protesto, ainda teve que evitar que os jovens comprassem bebidas alcoólicas na loja de conveniência do estabelecimento. "Quatro estudantes vieram até a loja de conveniência para comprar bebida alcoólica, que é proibida para menores", disse.

Com toda a confusão, a dona de casa Cleusa Martins, 38 anos, chamou atenção ao retirar pessoalmente sua filha Isabelle, de 15 anos, do meio do protesto, no Largo do Rosário. Mais: pediu ajuda à Polícia Militar para levá-la de volta à escola.

"Quando eu soube que estava tendo um protesto, liguei na escola e descobri que ela não estava lá. Aí eu vim aqui para buscá-la. Minha filha não vai ficar em passeata. O lugar dela é na escola", afirmou, enquanto era vaiada pelos estudantes. "Podem vaiar, Eu não sou contra o movimento dos estudantes, mas acho que o ensino tem que estar em primeiro lugar".

Cleusa chegou a registrar um Boletim de Ocorrência por causa das ameaças que sofreu por parte dos jovens.

Sede da RAC é alvo de vandalismo

Um dos principais alvos do protesto dos estudantes secundaristas foi a Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), mais especificamente os jornais publicados pela empresa: Diário do Povo e Correio Popular.

Às 9h02, os manifestantes se concentraram em frente à sede da RAC, na Rua Conceição, onde um militante petista chegou a lançar fezes de cachorro contra os vitrais da empresa.

Para os estudantes, a RAC e os jornais que ela publica deturpam o movimento ao classificarem como baderna as passeatas pelo passe livre.

A hostilidade contra a reportagem culminou em uma agressão contra o fotógrafo Gustavo Magnusson, 29 anos, que foi derrubado pelos estudantes. Assessores da vereadora Marcela Moreira também tentaram impedir o trabalho do jornalista.

Os estudantes carregavam no ato faixas com inscrições acusando o Correio de mentir. A reportagem, que acompanhou toda a movimentação dos manifestantes desde às 6h30, sofreu inúmeras ameaças.

Outras equipes de rádio e de TV também foram xingadas pelos manifestantes.
Hoje em dia - Belo Horizonte-MG, 26/08/2005


Confronto entre PM e estudantes em BH

A manifestação de jovens que cobravam o passe livre no transporte coletivo para estudantes e desempregados, ontem na Avenida Afonso Pena, em frente à Prefeitura de Belo Horizonte, no Centro da capital, foi controlada com violência pela Polícia Militar. A equipe utilizou bombas de efeito moral, cacetetes e cães para dispersar os cerca de 300 manifestantes, que haviam jogado ovos na portaria da Prefeitura. Na ação, foram presos o estudante de Jornalismo da Universidade Fumec, Felipe Castanheira, 22 anos, e o menor P.L., 15 anos, estudante do 1º ano do curso Equipamentos para a Área da Saúde no Cefet-MG.

O menor foi encaminhado à Divisão de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad) e, Castanheira, à Seccional Sul. Os jovens foram liberados ontem, mas ficaram algemados até o momento em que foram ouvidos nas delegacias. “Houve truculência. Nós jogamos ovos e fomos respondidos com bomba de efeito moral", reclama Castanheira. O advogado do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG, Sebastião Carlos Pereira Filho, que acompanhou o caso, disse que haverá uma reunião hoje para decidir que medidas serão adotadas e que o uso de algemas em menores contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Com marcas da violência no tornozelo, a estudante de Ciência da Informação na UFMG, Kátia Gonçalves dos Santos, 22 anos, condenou a ação. “Foi repressiva, covarde e antidemocrática", afirma. Ela acredita que foi atingida por balas de borracha. Porém, a polícia nega ter utilizado esse recurso. A jovem paga aluguel, tem uma filha de 2 anos e meio e se mantém com uma bolsa mensal no valor de um salário mínimo que recebe da universidade. Seu gasto com passagem é de R$ 68 por mês.

A estudante de Letras da UFMG, Clarice Lage Gualber to, 19 anos, sofreu um ferimento no braço. “Não vi o que me atingiu, porque fiquei com medo e corri, mas acho que foi estilhaço da bomba de efeito moral", diz. Três jovens foram atendidos pelo Samu e outros foram para o Instituto Médico Legal (IML) fazer exame de corpo de delito. Os manifestantes caminharam da Praça Sete à Praça da Liberdade, onde continuaram o protesto em frente ao Palácio.

O comandante do Batalhão da Polícia de Eventos, o tenente-coronel Evandro Teófilo Elias, afirmou que a ação foi empregada porque os estudantes desacataram a polícia, jogando ovos e outros objetos. Ele disse também que os manifestantes não cumpriram a ordem de deixar duas pistas da Avenida Afonso Pena livres para o tráfego. “Os estudantes praticaram primeiro a hostilidade contra a polícia", afirma.

Segundo a estudante de Geografia da UFMG Fabiana Li ma, 24 anos, uma das coordenadoras do Movimento Passe Livre (MPL-BH), as manifestações serão intensificadas. “Queremos o passe livre e não existe negociação. A proposta é que as empresas de ônibus custeiem as despesas", afirma. Fabiana Lima diz que Belo Horizonte e Curitiba (PR) são as únicas capitais do país que não oferecem subsídios no transporte coletivo para os estudantes.

A Prefeitura enviou nota à imprensa informando que a Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) estuda a viabilidade de criação da Cesta da Mobilidade para excluídos do transporte urbano. Os critérios de inclusão seriam falta de renda, mobilidade física e características da região e dos estudantes. No último caso, a prioridade será para alunos do segundo grau das escolas públicas municipais, que já estejam cadastrados no programa Bolsa Escola. Ainda segundo a nota, de julho até agora foram realizadas cinco reuniões com membros do movimento estudantil para discutir o problema.
Estado de Minas - Belo Horizonte-MG, 25/08/2005


Protesto de estudantes termina em confusão no Centro de BH

Uma manifestação de estudantes secundaristas acabou em confusão na manhã desta quinta-feira em Belo Horizonte. O protesto, organizado pela Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande BH, tinha o objetivo de pressionar a Prefeitura de BH e o governo do Estado a conceder passe livre para alunos dos ensinos fundamental e médio.

Por volta das 9h, cerca de 200 estudantes se reuniram na Praça Sete, região central da capital mineira, e partiram em direção à porta da sede administrativa da PBH, na avenida Afonso Pena. Alguns manifestantes atiraram ovos contra os policiais militares que faziam a segurança do prédio, o que levou os PMs a jogarem bombas de efeito moral contra a multidão.

Dois adolescentes que estavam envolvidos no tumulto foram recolhidos e levados para a Divisão de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad). Apesar da confusão, os estudantes prosseguiram em passeata pela avenida João Pinheiro e voltaram a se concentrar na porta do Palácio da Liberdade, sede do governo do Estado.

Os manifestantes se dispersaram por volta de 12h. Um dos adolescentes recolhidos no Dopcad já foi liberado. O outro ainda permanece detido.
O Povo - Fortaleza-CE, 26/08/2005


132 mil pessoas já usam o vale eletrônico

Hoje, já existem em Fortaleza cerca de 132 mil usuários do vale-transporte eletrônico. A informação é do diretor de Tecnologia da Informação do Sindiônibus, Paulo César Barroso. Segundo ele, o cartão representa ‘‘confiabilidade e segurança’’ nos 1.608 veículos da frota do transporte coletivo, distribuídos nas 208 linhas de ônibus de Fortaleza.

Paulo César avisa que os créditos do PasseCard não têm validade. Em caso de assalto, é só solicitar o cancelamento do cartão e os créditos disponíveis serão repassados para o cartão novo. O diretor descarta a possibilidade de se fazer rastreamento quanto ao uso do cartão. ‘‘Isso não existe. Não é objetivo nosso fazer rastreamento, mapeamento de que ônibus as pessoas usam. Os aspectos legais não permitem que nós façamos isso. A garantia e o direito individuais devem ser preservados’’, afirmou.

Segundo o diretor presidente da Ettusa, Ademar Gondim, 70% dos vales-transporte já foram substituídos pelo cartão. ‘‘Queremos conhecer a real demanda para elaborarmos a formatação da tarifa mais justa. Há a possibilidade de a tarifa diminuir’’, declarou. Segundo Gondim, há projetos para estabelecer tarifas diferenciadas durante o dia, em horários de pico, e aos fins de semana. A população usuária dos transportes coletivo e alternativo é de 1 milhão e 100 mil pessoas por dia.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Agência Brasil - Radiobrás, 23/08/2005


Prefeitos discutem com Lula redução do preço do diesel para baratear transporte público

Mais de 10 prefeitos estão reunidos, neste momento, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da redução de 50% do preço do óleo diesel usado no transporte coletivo público. O objetivo é chegar à redução da tarifa em até 20%, afirma o presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, o prefeito de Recife, João Paulo. "São mais de 30 milhões de pessoas no Brasil que não têm condição de andar de ônibus porque o preço das tarifas é muito caro. Com a proposta, o preço pode reduzir, dependendo do lugar, uns 15% ou 20%", disse.

Os prefeitos vão pedir que o governo federal coordene um trabalho, junto às prefeituras e governos estaduais, para estudar a possibilidade de redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e do ISS (Imposto sobre Serviços) recolhidos pelas empresas de transporte coletivo. A frente dos prefeitos discutirá ainda a redução de impostos trabalhistas para estas empresas.

Segundo João Paulo, a proposta de desoneração de impostos se baseia no pleito, da população que vive nas capitais e nas cidades que formam regiões metropolitanas, por tarifas de transporte coletivo mais baratas. A Frente Nacional de Prefeitos analisou o tema em duas reuniões recentes, realizadas em Curitiba e em Salvador, que trataram da problemática dos transportes urbanos.

Os prefeitos estudam ainda um tipo de sistema gestor que colabore para a redução dos custos das empresas de transporte urbano. "É necessário um esforço dos gestores públicos municipais, para que haja um sistema gestor que possa reduzir e baratear os custos. Por exemplo, na região metropolitana do Recife, nós temos muitas sobreposição de linhas. Tudo isso tem que estar adequado a uma realidade para que se consiga este objetivo (o de baratear as tarifas)", observou João Paulo.

terça-feira, agosto 23, 2005

O Estado de São Paulo - São Paulo-SP, 23/08/2005

Serra libera propaganda nos ônibus
Metade da receita será usada para abater custo do sistema; norma proíbe que anúncios envelopem veículos

Ônibus e microônibus voltarão a exibir anúncios publicitários em São Paulo. Mas agora os empresários não serão os únicos a ganhar com isso. Um decreto do prefeito José Serra (PSDB), publicado sábado no Diário Oficial, determina que metade da receita obtida com a propaganda seja usada para abater o custo do transporte coletivo.

A Prefeitura não tem ainda estimativas de quanto será arrecadado. O custo mensal do sistema é de R$ 240 milhões - a maior parte coberta pela tarifa. Só o subsídios às empresas de ônibus e perueiros exige R$ 17,2 milhões todo mês.

O secretário municipal de Transportes, Frederico Bussinger, disse que, no curto prazo, os valores obtidos serão pouco representativos perto desses gastos. "Há algum tempo São Paulo não tem essa atividade, então hoje você não tem um mercado para isso (movimentar milhões)", afirmou Bussinger.

O auge da exploração de publicidade nos coletivos ocorreu no governo Celso Pitta, quando foi permitido envelopar ônibus com anúncios que tomavam toda a lataria e os vidros. Em 2001, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) proibiu a prática, alegando que ela contribuía para a poluição visual e dificultava a identificação dos ônibus pelos passageiros. Só em novembro, porém, a gestão petista regulamentou a atividade, num decreto revogado por Serra em fevereiro para estudos.

As novas regras são rigorosas quanto à localização da publicidade. Continua proibido o envelopamento. Só estão liberados o vidro traseiro e as costas dos bancos de passageiros. E 10% da frota de 15 mil veículos têm de ser reservada para publicidade in stitucional.

Durante seis meses, a Prefeitura vai testar um tamanho único de anúncio - com preço padrão - para sondar a receptividade do mercado. "Vamos definir nesta semana qual será esse valor e as dimensões da propaganda", explicou o secretário.

A meta é que os anúncios sejam oferecidos ao mercado em setembro. "Vamos aproveitar a época de festas no fim do ano para aferir o potencial." Um estudo feito pela secretaria em cidades paulistas que adotam a prática revelou que, em média, são cobrados R$ 300,00 por anúncio.
Jornal de Brasília - Brasília-DF, 23/08/2005


Lei abre espaço para estacionamento pago
Ministério das Cidades prepara o Estatuto da Mobilidade, que permite a cobrança por vagas nos grandes centros

Pouco mais de um ano depois de o sistema Vaga Fácil ter sido julgado inconstitucional, um anteprojeto de lei do Ministério das Cidades sinaliza a possível volta do pagamento pelo uso das vagas na zona central de Brasília. Desta vez, porém, o estacionamento rotativo só poderá ser adotado se comprovada sua necessidade e houver a oferta de alternativas.

O anteprojeto, conhecido como Estatuto da Mobilidade, tem como objetivo estabelecer diretrizes sobre o sistema viário e o transporte urbano no País, de forma que oriente os governos locais na gestão da mobilidade. Ainda está em fase de discussões técnicas no governo. O próximo passo é a realização de audiências públicas regionais para colher sugestões da sociedade, o que deve ocorrer a partir do mês que vem. A expectativa é de que, até o fim do ano, o projeto seja enviado ao Congresso Nacional. A partir da aprovação da lei, os governos locais terão três anos para instituir um plano de mobilidade.

RESPALDO

Com a lei federal em vigor, os governos locais terão respaldo para adotar medida de restrição da circulação de veículos – com a cobrança de pedágio urbano, por exemplo – ou do uso dos estacionamentos públicos. Em Brasília, segundo o diretor de Segurança de Trânsito do Detran, Antônio Bomfim, ainda não é necessária a restrição do trânsito. "No momento, não pensamos em uma medida drástica como essa. Mas não descarto a possibilidade futura, por causa do aumento da frota", diz. Hoje, o DF tem 802.615 veículos registrados. A cada ano, a frota cresce, em média, 6%.

Já a adoção do estacionamento rotativo é uma urgência, de acordo com Bomfim. "Esse dispositivo legal seria muito interessante. No momento, vejo a necessidade desse sistema", diz. O diretor argumenta que há apenas uma vaga para cada quatro carros na zona central. "Isso sugere que temos de fazer um controle da utilização dessas vagas", afirma.

Para Paulo César Marques, professor de Engenharia de Tráfego da Universidade de Brasília (UnB), a taxação dos estacionamentos públicos é a melhor maneira de democratizar esses espaços. Ele reconhece, porém, que seria difícil convencer o brasiliense a pagar novamente pelo uso de estacionamentos públicos, depois da experiência malsucedida do Vaga Fácil. "Esse sistema deu errado por causa do destino da renda e porque não houve alternativas para os motoristas", observa.

Marques ressalta que restringir a circulação de veículos ou o uso dos estacionamentos não restringe, necessariamente, a mobilidade da população. "Pelo contrário, permite a quem usa transporte coletivo ou é pedestre que também possa circular", esclarece. Essa é a mesma visão de Alexandre Gomide, diretor de Regulação de Gestão do Ministério das Cidades. "O espaço viário é um bem público. Mas está sendo ocupado pelos automóveis, o que eleva o custo do transporte público, por causa dos congestionamentos. No final, quem paga é toda a sociedade", avalia.

Crítica

O advogado Eduardo Leão Coelho, 53 anos, não quer nem ouvir falar em uma possível volta do estacionamento rotativo. "A gente já paga impostos demais e não recebemos de volta. A única coisa que funciona é o sistema de arrecadação", critica.

O empresário Marcelo Marino, 31 anos, é a favor da taxação do uso de estacionamentos públicos. "De forma indireta, já pagamos para estacionar", diz, referindo-se aos flanelinhas. "Acho que a cobrança pelo estacionamento incentivaria o uso do transporte público e diminuiria esse inchaço de carro no centro", opina.

O especialista em Engenharia de Tráfego Paulo César Marques afirma que a estruturação do transporte público deve ser prioridade, assim como o planejamento viário. Na opinião dele, se o estacionamento rotativo realmente for instituído, a sociedade terá de ser bem preparada. "Terão de esclarecer que o uso do carro também causa restrições às pessoas que não andam de carro. Se o sistema voltar, esperamos que seja com mais planejamento, esclarecimento e alternativas", explica.
Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 23/08/2005


Editorial

Pedágio nas cidades

Parece correta e oportuna a disposição do Ministério das Cidades de propor uma lei que permita aos municípios implantar o pedágio urbano. É uma questão de tempo até que grandes centros, liderados por São Paulo, tenham de adotar essa prática. Se o fizerem sem o amparo de uma legislação federal, a medida poderia ser facilmente derrubada pela via do Judiciário.

O pedágio urbano é uma proposta bastante polêmica. Todo prefeito tende a fazer o que estiver a seu alcance para não ter de adotá-la, mas é mais ou menos um consenso entre especialistas que, mais dia, menos dia, não haverá alternativa senão cobrar para que carros particulares circulem em determinadas áreas.

Alguns até acreditam que o efeito da restrição sobre a fluidez do trânsito será tão positivo que a população aplaudirá a medida. Citam o caso de Londres, onde o pedágio foi implantado em meio a muitas dúvidas, mas é hoje fortemente apoiado pelos munícipes. É bem verdade que não existe termo de comparação entre a qualidade do transporte público de Londres e o de São Paulo. As receitas do pedágio, contudo, poderiam ser direcionadas especificamente para melhorar o sistema de metrô e ônibus.

A objeção de que não seria justo impor uma nova taxa à população não procede. Ela já arca com esse custo, ainda que de forma não explícita. É o caso do rodízio municipal de veículos. Os endinheirados já dispõem de um segundo carro para contornar a proibição. Outros passam tempo extra no trabalho no dia em que estão impedidos de circular no horário de pico. Tudo isso são custos, ainda que não tenham clara expressão financeira.

Podemos continuar fingindo que as lentíssimas obras do metrô e a construção de mais alguns corredores de ônibus vão dar conta do problema, mas isso não é verdade. O que está faltando são prefeitos com coragem de falar francamente com a população para explicar a realidade e implementar o pedágio urbano.
Diário do Nordeste - Fortaleza-CE, 23/08/2005


Transporte para população de baixa renda

Passagem mais barata, viagem confortável, menos gasto com combustível. Com essas possibilidades, o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) Bi-Articulado Elétrico Híbrido, projeto apresentado ontem de manhã no Centro Cultural Oboé durante reunião do Pacto de Cooperação, mostrou-se alternativa viável e econômica para as linhas férreas já existentes na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

A população de baixa renda seria a mais beneficiada com a iniciativa, em especial nos portos do Mucuripe e do Pecém. Mas o Estado já adiantou que não há verba para isso.

O plano foi apresentado pelos engenheiros ferroviários Telmo Bessa e Aníbal Arruda. Segundo eles, o VLT em questão tem 50% de economia sobre o veículo semelhante importado, sendo que o daqui seria mais leve (o europeu tem 60 toneladas e o local teria metade).

Na Grande Fortaleza, 42% dos trabalhadores se deslocam a pé, enquanto 8% de automóvel ou moto e 8%, de bicicleta. Outros 42% andam de ônibus, o que explica a presença de congestionamentos e o aumento constante dos acidentes e das pessoas que andam a pé ou de bicicleta.

Diante dessa situação, Arruda afirma que o transporte coletivo atual não resolve o problema de quem paga passagens de ônibus com dificuldade. “O vale-transporte virou moeda, é caro e não diminuiu o custo operacional dos ônibus. Fora isso, o mototáxi é perigoso, os microônibus contribuem para os engarrafamentos e as ciclovias e terminais não resolvem o problema”, observa.

A idéia é que o VLT Bi-Articulado trafegue na linha férrea entre o Mucuripe e a Parangaba, eliminando aos poucos os terminais de ônibus e implantando a tarifa temporal.

Como informa Aníbal Arruda, os pontos teriam “bicicletários” onde as pessoas deixariam suas bicicletas e de lá pegariam o VLT, cujo projeto lembra dois ônibus interligados por um eixo, sobre truques, as plataformas onde se sustentam os vagões.

No lugar de trens, seriam usadas carcaças de ônibus. Segundo Telmo Bessa, há 150 ônibus da CTC parados, pertencentes à Prefeitura de Fortaleza, que poderiam ser adaptados.

“O ônibus híbrido tem metade da potência do original, mas, em velocidade constante e sobre trilhos, economiza energia e combustível porque reduz a queima de gases em 80%”, informa Arruda, acrescentando que, para manter a potência, seriam usados geradores.

“Como ele vai trafegar na mesma linha do trem de passageiros tradicional, o custo com o passageiro é 60% inferior. É silencioso, confortável, pode transportar bicicletas e pequenos volumes e sobra potência para o primeiro veículo ter ar-condicionado”, completa Aníbal.

Além disso, não seriam necessárias estações extras, já que o carro seria rebaixado.

Os autores do projeto estimam que o custo de um veículo seja de R$ 900 mil. Na Europa, um custa R$ 1,2 milhão. Para trazer para cá, seriam gastos mais R$ 500 mil, em média, com frete.

O projeto-piloto sugere duas linhas: uma no Centro, ao preço de R$ 0,50, e outra que ligaria Água Fria, Leste-Oeste e Antônio Bezerra e Messejana, ao preço de R$ 1,00. “Seria um transporte para a população de baixa renda, para os trabalhadores da Região Metropolitana, do Porto do Pecém, do Mucuripe”, analisa Telmo Bessa.
Correio Braziliense - Brasília-DF, 23/08/2005


Catraca eletrônica chega este ano
Cartão magnético possibilitará integração com o metrô e empresas fornecedoras do equipamento devem apresentar propostas até 30 de setembro. Cobradores temem que mudança lhes tome os empregos

Enfim, uma boa notícia para usuários de ônibus urbano no Distrito Federal. A integração do sistema de transporte público coletivo está perto de sair do papel. O Diário Oficial do DF publica hoje o termo de referência para que as empresas interessadas em fornecer os equipamentos para bilhetagem eletrônica possam se candidatar. As propostas podem ser enviadas até o dia 30 de setembro. O secretário de Transportes, Mauro Cateb, garante que a partir de dezembro todos os 2,3 mil ônibus estarão com as catracas iguais à do Metrô, para unificação do sistema.

Depois de encerrado o prazo para as empresas interessadas em fornecer as catracas apresentarem suas propostas, os técnicos da Secretaria de Transportes analisarão os documentos de todas elas. “Essa análise deve demorar entre 45 e 60 dias. Depois, vamos divulgar os nomes de três fornecedores oficiais”, explica Cateb. Os equipamentos serão alugados ou comprados diretamente pelas empresas de ônibus e pelo Metrô. Caberá aos fornecedores instalar e dar manutenção às catracas.

Mauro Cateb diz que não há estimativa do preço de cada máquina. Mas antecipa que as exigências técnicas serão parecidas com as usadas em ônibus metropolitanos de Recife (PE) e Belo Horizonte (MG). “Não podemos direcionar o modelo, para não ferir a legislação. Pelo nosso levantamento, pelo menos quatro fábricas brasileiras têm condições de fornecer o equipamento que consideramos ser o ideal”, observa o secretário.

O novo sistema deve pôr fim à venda ilegal de vales-transporte e à falsificação das carteiras de gratuidade fornecidas a alguns grupos de passageiros. Para os empresários que resistiam à inovação, a bilhetagem eletrônica pode representar mais lucro. “Com esse aumento de receita, a gente acredita que poderá, inclusive, cobrir os custos dos equipamentos”, espera Wagner Canhedo Filho, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo do Distrito Federal.

Sindicalista preocupado
Embora as catracas representem uma mudança positiva no sistema, há 4,5 mil trabalhadores preocupados. São os cobradores, que temem ser substituídos pela modernização da cobrança de passagens. O presidente do sindicato dos trabalhadores, João Osório, quer uma garantia do governo de que não haverá demissões. “Estamos tentando, via Câmara Legislativa, a aprovação de um projeto de lei garantindo a manutenção dos postos de trabalho”, afirma. “Existe um decreto do governador determinando prazo mínimo para haver demissões após a instalação das catracas. Mas essa é uma norma que pode ser modificada a qualquer momento. Queremos uma lei”, exige.

Canhedo diz que não há motivo para redução de empregos inicialmente, mas não descarta a hipótese de demissões futuras. “Sempre vai haver quem pague em dinheiro e será preciso manter uma pessoa para receber. Quando todo mundo estiver usando o cartão eletrônico, pode-se tirar o cobrador”, admite. Para José Augusto Alves Cabral, 31, disseram que o seu emprego não está ameaçado. Cobrador há mais de cinco anos do Grupo Amaral, ele não acredita que vá continuar na função quando as catracas eletrônicas chegarem. “Não vão querer manter essa despesa. Vou me preparar para quando não me quiserem mais. Isso vai acontecer quando todo mundo se adaptar”, lamenta.

Com o novo modelo, que leva de quatro a seis meses para ser instalado em toda a frota, o usuário usará um cartão magnético no lugar de dinheiro ou vale-transporte. Ao passar o cartão pela máquina, será debitada uma passagem do crédito total do mesmo. O sistema deverá permitir a integração entre ônibus e metrô. O passageiro terá um intervalo de duas horas entre o desembarque em um veículo e o embarque em outro, sem precisar pagar mais de um bilhete.

Atualmente, são realizadas 500 mil viagens por dia pelos ônibus coletivos e 200 mil pelo transporte alternativo. Cada ônibus leva cerca de uma hora para percorrer 30 quilômetros. Os dados, porém, são aproximados. As máquinas eletrônicas vão permitir o controle rigoroso do número de pessoas transportadas e a velocidade desenvolvida pelos veículos. “A bilhetagem eletrônica é a chave para uma série de mudanças”, define o secretário-adjunto de Transportes, Januário Lourenço. O governo negocia com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) um financiamento de US$ 246 milhões (R$ 602 milhões na cotação de ontem) para montar o sistema integrado.



Sempre vai haver quem pague em dinheiro e será preciso manter uma pessoa para receber. Quando todo mundo estiver usando o cartão eletrônico, pode-se tirar o cobrador.

Wagner Canhedo Filho, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo do DF

segunda-feira, agosto 22, 2005

Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 22/08/2005


União prepara regras para o pedágio urbano
Projeto dá respaldo jurídico para que prefeituras criem taxa sobre circulação; CET do Rio tem estudo sobre medida

A idéia de taxar pela utilização diária do carro se aproxima dos grandes centros urbanos do país.

O governo federal prepara uma legislação para dar respaldo aos municípios que quiserem adotar medidas de restrição veicular -como as de pedágio urbano.

O plano do Ministério das Cidades estabelece diretrizes da política de mobilidade e recomenda às prefeituras a adoção de diversos instrumentos de racionalização do espaço viário, incluindo a taxação pelo uso do automóvel.

A proposta surge num momento em que a defesa de ações desse tipo, tradicionalmente restrita ao reduto de especialistas, começa a chegar perto da classe política -apesar de sua impopularidade.

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) do Rio de Janeiro elaborou no primeiro semestre estudos e simulações para avaliar uma espécie de pedágio urbano nas grandes vias da capital fluminense, como a av. Brasil.

Jilmar Tatto, que comandou a Secretaria dos Transportes de São Paulo na gestão Marta Suplicy (PT), passou a se posicionar publicamente favorável à cobrança.

O atual presidente da CET paulistana, Roberto Scaringella, é um defensor histórico e enfático da taxação pelo uso do automóvel.

Apesar de ter descartado a medida como solução para o trânsito em seu mandato, a gestão José Serra (PSDB) analisa um projeto de ampliação das marginais Tietê e Pinheiros, cujas novas pistas seriam concedidas à iniciativa privada e poderiam ter pedágio.

Audiência pública

A regulamentação federal prevendo esse tipo de cobrança já está quase pronta para ser submetida a audiências públicas e ao Congresso Nacional neste semestre.

A posição técnica já foi fechada. Mas sua consolidação prática poderá ter atrasos devido à crise no governo Lula por conta das denúncias do suposto "mensalão".

O projeto de lei dá um respaldo tanto político como legal às prefeituras que quiserem adotar um pedágio urbano, diz Alexandre Gomide, diretor de regulação e gestão do Ministério das Cidades.

Isso porque, além de estar entre as recomendações do governo federal, ele é uma blindagem contra eventuais contestações jurídicas. Atualmente, afirma o diretor do ministério, quem adotar uma medida desse tipo estará sujeito a ações alegando que se trata de uma atribuição federal.

"O espaço viário é restrito. O acesso hoje é irrestrito. O resultado são os congestionamentos. Isso precisa ser racionalizado", afirma Gomide, para quem essa restrição será inevitável em municípios como São Paulo dentro de até dez anos.

A CET do Rio de Janeiro revelou ter começado a estudar a cobrança de taxa pelo uso do carro em vias urbanas nos horários de pico na semana retrasada, no 15º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, em Goiânia, promovido pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos).

Os técnicos do órgão de trânsito carioca fizeram simulações de valores diários entre R$ 0,30 e R$ 3 nas avenidas mais saturadas. Os resultados previam a retirada de 5% dos veículos em circulação.

A proposta é estudada em conjunto com um modelo de PPP (parceria público-privada), por meio do qual a iniciativa privada ficaria com a arrecadação em troca de investimentos no sistema viário, segundo Dalny Araujo Sucasas, chefe-de-gabinete da CET.

"A saturação do sistema viário é algo que a gente enxerga a curto prazo. Não há solução tecnológica, tipo "Jornada nas Estrelas", para a pessoa ser deslocada a outra parte. Essas medidas restritivas são uma alternativa para toda cidade média e grande num curto espaço de tempo", afirma Sucasas, que também analisa medidas semelhantes à do rodízio de veículos de São Paulo.

Ele ressalva, porém, não haver ainda nenhuma definição da Prefeitura do Rio. "Está na fase de concepção, de estudo."

Londres

A discussão sobre essa restrição drástica ao automóvel ganhou força no mundo inteiro depois da adoção de um pedágio urbano no centro de Londres, em 2003. Não se trata da implantação de cabines de cobrança nas vias urbanas, mas de um controle eletrônico.

O sistema londrino prevê um pagamento diário de 5 libras (quase R$ 25) para quem quiser entrar de carro no centro. O monitoramento se dá por câmeras.

Até as autoridades de trânsito dos EUA já cogitam a proposta. "Sou absolutamente favorável. O sistema de Londres é fantástico", afirmou à Folha na semana retrasada Andrew Bata, diretor do MTA de Nova York (órgão metropolitano de trânsito).

"Muitas pessoas estão se dando conta dos custos de poluição dos carros. Também foi difícil adotar em Londres, mas hoje as pessoas gostam", disse Bata.

Os principais críticos à proposta no Brasil justificam a posição devido à falta de um transporte coletivo de boa qualidade para quem quiser deixar seu carro em casa.
Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 22/08/2005


Dano político barra adoção da cobrança

São Paulo é um exemplo de como a defesa de medidas restritivas drásticas ao uso do automóvel é afetada por temores políticos.

O presidente da CET, Roberto Scaringella, era um defensor veemente desde os anos 90 da implantação de um pedágio urbano na capital paulista. Escolhido pelo prefeito José Serra (PSDB) para comandar a principal autoridade municipal de trânsito do país, hoje ele evita falar sobre a proposta, mas a descarta -dizendo inclusive que ela poderia "quebrar" algumas atividades econômicas.

Situação semelhante ocorreu no governo Marta Suplicy (PT). A gestão petista até incluiu a proposta de pedágio urbano entre as diretrizes do Plano Diretor, mas sempre descartou publicamente a possibilidade de fazer estudos.

Hoje, fora do governo, Jilmar Tatto, ex-secretário dos Transportes de Marta, defende abertamente a restrição. "Sou favorável. É preciso ter uma ação mais radical e usar os recursos arrecadados no transporte coletivo", afirma.

Dois especialistas em transporte ligados ao PT afirmaram à Folha na semana retrasada ter tomado conhecimento de um estudo feito pela gestão Marta, pronto para ser colocado em prática, prevendo a taxação pela utilização do carro.

"A gente conversava a respeito de saídas. Esse tema surgia, mas não de forma oficial. A Marta não queria pedágio", afirma Tatto, negando a existência do estudo.

O petista admite os obstáculos políticos. "A cidade de São Paulo, mais cedo ou mais tarde, vai ter que ter. Mas politicamente é um desastre. É perda de votos", diz.

Precedente

Embora descarte adotar pedágio urbano para reduzir congestionamentos e investir os recursos no transporte coletivo, a gestão Serra estuda um projeto que, para técnicos, ao menos abre margem para a discussão da medida.

Trata-se da ampliação das marginais Pinheiros e Tietê, com uma nova pista concedida à iniciativa privada e com pedágio. As faixas atuais seguiriam sem cobrança.

A prefeitura já criou uma equipe ao lado do governo do Estado para discutir a viabilidade.

A idéia, que também foi debatida na gestão Celso Pitta, é bem diferente de uma restrição veicular -já que, na prática, oferece mais opções ao motorista. O fato de a cobrança ser em via urbana, porém, é visto por especialistas como a abertura de um precedente.

O governo tucano também fez estudos para mudar as regras do rodízio de veículos, mas desistiu da discussão por enquanto. A proposta é estender a restrição a corredores fora do centro expandido e em intervalo maior de tempo. No entanto o projeto também prevê a permissão na circulação de veículos em algumas vias em que hoje o tráfego é limitado.

Em entrevista à Folha em março, Scaringella citou as avenidas Rebouças, Eusébio Matoso, Brasil, Faria Lima e a Prof. Francisco Morato, que hoje está fora da restrição veicular, como os principais alvos do estudo (por não estarem no centro expandido, delimitado pelas marginais).
Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 22/08/2005


Carro é favorecido por subsídios, diz estudo

A proposta de cobrar uma taxa pelo uso do carro parece absurda para motoristas que já reclamam do preço para adquirir e manter um automóvel, com gasolina, estacionamento, seguro, IPVA.

O corretor de imóveis João Gilberto Silva Fonseca, que gasta 40% de seu salário com seu carro, vê uma restrição ao seu "direito de ir e vir". Morador de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, hoje ele deixa de visitar a família no interior por causa do pedágio nas rodovias.

"Já pagamos impostos relativos a automóveis todos os anos. O governo ainda acha que deve cobrar mais por uma obrigação que ele tem de nos dar condições de transitar", avalia Daniel Benini, 31, administrador de empresas.

O sentimento dos condutores se contrapõe à conclusão de um estudo que vê no carro um modelo atraente a seus usuários e aponta a prioridade dada a ele pelo governo brasileiro -apesar de ser responsável por uma minoria das viagens no país, 28% do total.

O levantamento de Eduardo Alcântara Vasconcellos, engenheiro e sociólogo com pós-doutorado na Universidade de Cornell (EUA), indica que as subvenções dadas por ano para a aquisição e operação de automóveis variam de R$ 8,5 bilhões a R$ 14,1 bilhões, no mínimo sete vezes superiores às do transporte público, responsável por 32% dos deslocamentos.

O cálculo abrange, por exemplo, os descontos em impostos para a compra de veículos populares e a ocupação gratuita com estacionamento nas vias públicas.

O trabalho diz que os custos sociais do transporte privado apenas com manutenção da via e sinalização são quatro vezes maiores que os do transporte público.

Isso sem contar com a poluição (a emissão de CO2 é duas vezes superior) e os acidentes de trânsito -R$ 2,4 bilhões de prejuízo causado pelos automóveis, contra R$ 550 milhões pelos ônibus.

O estudo de Vasconcellos reconhece que os usuários de carro também pagam mais para se deslocar -média de R$ 1,80 a cada 7 km, contra R$ 1,40 em ônibus e R$ 0,45 em motos. Ou seja, não gastam pouco -mas isso porque esse modo de transporte é mais caro para toda a sociedade.

"Algumas facilidades estão tão estranhadas na nossa cultura que as pessoas nem percebem", diz Vasconcellos, sobre a sensação dos motoristas de carro de que só são punidos, e não favorecidos.

O trabalho de Vasconcellos foi apresentado no 15º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, na semana retrasada.

O engenheiro Claudio Senna Frederico, ex-secretário dos Transportes Metropolitanos, afirma que "não dá para ter visão maniqueísta" e que "nem haveria condições de existir só transporte público". Mas ele vê a necessidade de restringir a utilização dos automóveis, sob pena de agravar a deterioração do espaço urbano.

"O motorista acha que andar de carro é um direito humano, como educação, saúde. Acha que se for barrado está comprometido seu direito de ir e vir. Mas não é um pedaço do corpo dele."

sexta-feira, agosto 19, 2005

Gazeta do Sul - Santa Cruz do Sul-RS, 19/08/2005


Transporte coletivo pode custar mais barato

INCLUSÃO SOCIAL

Em várias cidades brasileiras ocorrem hoje atos em favor da redução do valor das passagens do transporte público. A medida garantiria acesso aos ônibus a um contingente de 37 milhões de brasileiros.

A campanha Tarifa Cidadã foi lançada em junho pelos sindicatos das empresas transportadoras de passageiros e movimentos sociais. Na região, a coordenação está sob responsabilidade do Sindiônibus. De acordo com o sócio-proprietário da Stadtbus, de Santa Cruz do Sul, Geferson Tolotti, existe uma tendência de se atribuir ao setor privado a responsabilidade pelo custo das tarifas. Ressalta, no entanto, que muitos esquecem dos tributos arrecadados pelo setor público. “Metade do preço da tarifa representa impostos federais, estaduais e municipais. Se os governos abrissem mão de uma parcela, a passagem seria reduzida.”

Lembrou que o óleo diesel dobrou de preço nos últimos três anos e hoje representa 25% do total da tarifa. Se as empresas de transporte de passageiros tivessem uma redução de 50% no preço desse combustível, a passagem poderia cair em 12%.

Outra medida que acarretaria uma redução de 19% seria a revisão das passagens gratuitas. Destacou que ninguém é contra o passe-livre para quem realmente precisa, como deficientes e idosos carentes. “Mas não concordamos com os exageros.” Explicou que a tarifa livre é rateada entre os demais usuários. “Muitas vezes, uma pessoa com todas as condições de pagar, viaja nas custas de um trabalhador assalariado, o que é injusto.”

Menos impostos

Geferson Tolotti lembrou que as empresas, ao adquirirem um ônibus, são taxadas com o IPI e o ICMS. Disse que ninguém está pedindo a dispensa desses tributos, mas que sejam mais justos. Os carros destinados ao serviço de táxi, por exemplo, são comprados com impostos reduzidos. “O ônibus, que faz um trabalho voltado ao coletivo, precisa desse mesmo benefício.” Uma reavaliação tributária poderia ter um impacto de 18% na tarifa.

As próprias prefeituras, no seu entender, poderiam ajudar a reduzir o preço da tarifa, com a revisão dos impostos municipais (como o ISSQN), e com o incentivo ao uso desse serviço.

A campanha nacional que defende a redução das tarifas de ônibus urbano não visa maior lucro para as empresas, mas sim a inclusão social. Segundo Tolotti, isso ocorreria de forma automática uma vez que, com acesso facilitado ao serviço, o lazer, a saúde, a educação e até o emprego se tornariam mais próximos e mais acessíveis para um maior número de pessoas.

Os cálculos do Sindiônibus indicam que a média das tarifas, no Brasil, poderia ficar em R$ 1,00 se as medidas propostas pelo setor forem implementadas.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Jornal de Brasília - Brasília-DF, 18/08/2005


Estudantes voltam a tumultuar as ruas
Protesto contra aumento de passagem acaba em confronto com a Polícia Militar, desta vez na Rodoviária

Pela segunda vez em três dias, os estudantes do Movimento pelo Passe Livre (MPL), que protestam contra o aumento das passagens de ônibus semi-urbanas, se confrontaram com a polícia. Desta vez, a confusão foi na Rodoviária, no horário de pico. Os policiais enfrentaram os estudantes com spray de pimenta e cassetetes. Os estudantes reagiram com xingamentos.

A concentração começou às 18h. No início, o grupo, de cerca de 20 estudantes, apenas chamava a atenção com um apitaço e batucadas. A PM estava de prontidão em vários pontos da Rodoviária, só observando. À medida que o grupo de estudantes aumentava, crescia também o contingente policial, com reforço de homens da Rotam.

Tudo ia bem até que os estudantes resolveram extrapolar os limites da plataforma superior do terminal e tomaram as ruas, nas imediações do Conjunto Nacional. Com gritos de ordem e faixas, eles conseguiram atrapalhar o trânsito. Em frente ao Teatro Nacional, chegaram quatro viaturas da Rotam e os policiais desceram fazendo uso dos cassetetes para dispersar o grupo. Alguns estudantes foram abordados para revista.

Quando os estudantes voltaram para a Rodoviária e tudo parecia estar mais calmo, houve confusão entre as pessoas que vivem no terminal, os usuários e a polícia. Com isso, o tumulto ficou generalizado. A polícia mai uma vez usou spray de pimenta para conter o tumulto.

Quatro pessoas chegaram a ser levadas para o posto policial do local. O trabalhador José Sipriano Rocha Neto, de 24 anos, foi um dos que foram levados, depois que ele xingou os policiais. "Eles me bateram e depois que eu disse que trabalhava na Rodoburguer (lanchonete da Rodoviária) eles maneiraram comigo, mas tinham duas pessoas mais lá em cima que eu vi apanhando e muito", contou.

Além de José Sipriano, os policiais tentaram levar um menor, morador do terminal, por perturbação da ordem. Os estudantes, revoltados, partiram mais uma vez para cima dos policiais, sendo dispersados. O MPL promete novos protestos esta semana.
Correio Braziliense - Brasília-DF, 18/08/2005


Estudantes enfrentam PMs

Manifestantes do Movimento Nacional pelo Passe Livre (MPL) entraram em confronto com policiais militares na zona central de Brasília pela segunda vez nesta semana. Na noite de ontem, cerca de 50 militantes enfrentaram grupo de PMs na Rodoviária do Plano Piloto. A confusão terminou com dois estudantes detidos e encaminhados à Delegacia de Repressão a Pequenas Infrações (DRPI). O tumulto ocorreu por volta das 21h durante sessão de vídeo organizada pelos jovens. “Os policiais estavam batendo em um garoto de rua. Resolvemos interferir, mas eles vieram direto com gás de pimenta. Isso é perseguição”, reclamou um dos integrantes do movimento que preferiu não se identificar. Os PMs denunciados pelos estudantes não foram encontrados para falar sobre o assunto. A DRPI registrou o caso, que será investigado por agentes da 2º DP (Asa Norte). Os dois garotos presos prestaram depoimento antes de serem liberados. Na segunda-feira, dois integrantes do grupo que reivindica a isenção do pagamento de tarifa de ônibus para alunos ficaram feridos em confronto com a PM.
Folha de São Paulo - São Paulo-SP, 18/08/2005


Poluição em SP mata oito por dia

A poluição atmosférica mata indiretamente, em média, oito pessoas por dia na cidade de São Paulo. A exposição aos diversos poluentes emitidos também reduz a expectativa de vida dos habitantes: pesquisas indicam que o paulistano perde dois anos de vida por morar em um local poluído.

Apesar de assustadores, esses números já foram maiores --chegaram a 12 mortes diárias indiretamente causadas por poluentes e três anos de vida perdidos.

Os dados, baseados em diversos estudos do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP, mostram que ações como o Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) e o rodízio foram positivas para a melhoria da qualidade de vida na capital.

Mas, segundo o professor Paulo Saldiva, as conseqüências da poluição à saúde ainda são alarmantes e é preciso mais medidas para enfrentá-las. "Diferentemente do cigarro, a poluição do ar não pode ser evitada pelas pessoas."

Segundo ele, quem mais tem problema de saúde decorrente da inalação de poluentes são os idosos, que acabam sendo vítimas principalmente de pneumonia, infarto agudo do miocárdio e enfisema. Já as crianças, que vêm na seqüência na lista de mais afetadas, têm pneumonia e asma.

A pneumonia, inclusive, foi a terceira principal causa de morte na capital no ano passado. O número de casos da doença que resultaram em óbito aumentou 11% de 2003 a 2004, segundo levantamento da CEInfo (Coordenação de Epidemiologia e Informação), da Secretaria Municipal da Saúde.

"Mesmo as pessoas saudáveis sofrem os efeitos da poluição e ficam mais hipertensas nos dias poluídos", afirmou Saldiva.

Além das oito mortes diárias induzidas pela poluição, uma pesquisa do laboratório indica que há um aborto por dia na cidade, depois do quinto mês de estação, em decorrência do problema. "O fluxo arterial na placenta se reduz nos dias de maior poluição."

O vilão

Para medir quem mais contribui com a emissão de gases de efeito estufa e listar medidas para reduzi-los, a Prefeitura de São Paulo pediu inventário ao centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (Centro Clima) da UFRJ.

A pesquisa, apresentada ontem, mostra que o uso de energia é o principal responsável pela emissão de metano e dióxido de carbono, com 76%. O relatório, referente a 2003, é o segundo feito em âmbito municipal. O primeiro foi feito no Rio de Janeiro em 1998.

Nesse estudo, o vilão mais uma vez foi o transporte. A utilização de combustíveis fósseis representa 88,7% das emissões decorrentes do uso de energia --e a gasolina é o combustível que mais contribui para a poluição, com 35,7%.

"Agora, é necessário criar cenários com alternativas para mitigar as emissões e, depois, propor políticas públicas", disse a coordenadora-executiva do inventário, Carolina Dubeux. Ela sugere estudar a troca de combustível (usar o álcool em vez da gasolina) ou a ampliação do uso do metrô. "A diminuição da poluição depende de práticas do dia-a-dia", diz o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

Sua pasta iniciou, há um mês, a inspeção veicular dos ônibus do transporte público para minimizar a emissão. Dos 225 ônibus fiscalizados até agora, de seis viações, 14 tinham situação irregular.